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A Rússia está atenta ao aquecimento global. Só não quer impedi-lo

PUBLICADO EM: 26.11.20 | 6H00
ATUALIZAÇÃO: 26.11.20 | 5H50
Vladimir Putin será o anfitrião de um evento internacional que vai debater o futuro do Ártico. A questão é que o degelo pode facilitar seus planos

Segundo pesquisadores da Universidade de Copenhague, no Ártico, a camada de gelo está derretendo mais rápido do que os modelos teóricos atuais preveem

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Rodrigo Caetano

Repórter ESG| rodrigo.sabo@exame.com



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Nesta quinta-feira, 26,  Moscou sedia o "Arctic and Antarctic Days”, fórum internacional focado no desenvolvimento do Ártico. O evento é organizado pelo Conselho do Ártico, grupo formado por Canadá, Dinamarca, Estados Unidos, Finlândia, Islândia, Noruega, Rússia e Suécia, cuja presidência rotativa passará para as mãos do governo russo período 2021-2023. 

Não chega a ser uma surpresa o fato de Rússia e Estados Unidos estarem em lados opostos na questão de como desenvolver o Ártico. O governo de Vladimir Putin tem interesse em explorar petróleo e criar rotas comerciais atravessando o gelo. Os americanos se opõem. Permeando essa disputa, está o problema do aquecimento global. 

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Segundo pesquisadores da Universidade de Copenhague, no Ártico, a camada de gelo está derretendo mais rápido do que os modelos teóricos atuais preveem. “Nossas análises das condições no Oceano Ártico mostram claramente que subestimamos o índice de aumento da temperatura na atmosfera mais próxima do nível da água, o que acabou derretendo o gelo mais rápido do que havíamos previsto”, afirmou Jens Hesselbjerg Christensen, professor de Climatologia, em um comunicado da universidade.

Outro estudo, da Universidade de Lincoln (Reino Unido), estima que o degelo na Groenlândia contribua entre 10 a 12 cm no aumento do nível do mar para 2100. Um problema sério para o mundo inteiro, mas que, aos olhos de Putin, estão mais para solução. Menos gelo significa mais espaço para poços de petróleo e rotas comerciais. 

A Rússia tem uma longa fronteira com o Ártico, de 24 mil quilômetros. O país mantém 50 navios quebra-gelo, capazes de abrir caminho pelas águas congeladas, que são usados para pesquisas científicas, transporte de produtos e, claro, na exploração de petróleo. Os Estados Unidos, por sua vez, possuem apenas dois. 

Os americanos já anunciaram um plano para expandir sua frota de quebra-gelos, o que deve acontecer apenas em 2029. Até lá, quem dá as cartas no Ártico são os russos. E eles não estão para brincadeira. 

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Rodrigo Caetano

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