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Carrefour tenta recuperar confiança do investidor com políticas ESG

PUBLICADO EM: 18.2.21 | 9H34
ATUALIZAÇÃO: 18.2.21 | 9H45
Ações da companhia acumulam perdas desde morte de João Alberto; no mesmo período, o Ibovespa subiu mais de 13%
Homem tira foto em frente a faixa de protesto contra a morte de João Alberto Silveira Freitas, morto por espancamento por seguranças em loja do Carrefour em Porto Alegre

Foto de Guilherme Guilherme da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Guilherme Guilherme

Repórter de mercado | guilherme.guilherme@exame.com



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O Carrefour encerrou o último trimestre com lucro líquido ajustado de 886 milhões de reais, representando um crescimento anual de 31%. No período, as vendas brutas atingiram 22 bilhões de reais, impulsionadas pelo ganho de market share e inflação alimentar de dois dígitos. No ano, as vendas online aumentaram em 240%.

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Para analistas do Credit Suisse, os resultados vieram fortes, com destaque para o aumento das vendas nas mesmas lojas (LFL) de 22%. "A aceleração foi um pouco suportada por uma margem bruta inferior, o que garante maior competitividade de preços. No final do dia, o Ebitda (lucro antes de juros impostos depreciação e amortização) nominal do Atacadão cresceu 25,7% e a bandeira ganhou mercado", afirmam em relatório

Apesar do bom momento, foi justamente no quarto trimestre de 2020 que a rede de hipermercados precisou lidar com uma de suas maiores crises de imagem, causada pela morte de João Alberto, um cliente negro, por seguranças terceirizados. 

Na época, o Carrefour enfrentou uma onda de protestos e consequências econômicas. Em um único pregão, suas ações caíram mais de 5%. Seus papéis também foram excluídos do índice ESG (ambiental, social e governança, na sigla em inglês) da B3/S&P e a empresa deixou de fazer parte do Instituto Ethos, de responsabilidade social.

Como resposta para reconquistar o selo ESG, a ampliação de políticas ambientais e sociais esteve no foco da companhia no último trimestre, com investimentos para preservação da Amazônia e incentivos contra o desmatamento e mal-estar animal. Mas, segundo a empresa, “peça-chave” de suas iniciativas ESG se tornou o combate ao racismo estrutural.

“Aprendemos importantes lições do trágico evento ocorrido em novembro em uma de nossas lojas em Porto Alegre. O Carrefour está agora comprometido em implementar uma das mais abrangentes séries de medidas de forma a enfrentar o racismo estrutural no Brasil”, afirma Noël Prioux, CEO do Carrefour Brasil.

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Em balanço, a empresa detalhou algumas de suas estratégias. Entre elas estão a de ter ao menos 50% de pessoas negras nas próximas contratações, além de um comitê independente de diversidade com aporte inicial de 40 milhões de reais. A empresa também fez alterações na parte de segurança, com novas campanhas internas e a previsão de contratar 60% de negros para a função e 40% de mulheres.

Mesmo com a ampliação das iniciativas ESG, as ações do Carrefour acumulam perdas desde a morte de Alberto, enquanto, no mesmo período, o Ibovespa já subiu mais de 13%. Se os planos da empresa serão suficientes para atrair de volta o capital (cada vez maior) destinado a empresas com boas práticas sociais, só o tempo dirá.

Independentemente das políticas ESG, porém, o Credit Suisse vê o nível de preço/lucro de 16,1x como "atraente". "[Isso] considerando não apenas a boa execução em curso, mas também o perfil defensivo dos varejistas de alimentos em meio a uma perspectiva turva de consumo."

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