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Com TikTok e plano de descarbonização, Walmart avança na internet e no ESG

PUBLICADO EM: 17.11.20 | 6H00
ATUALIZAÇÃO: 16.11.20 | 21H59
Maior rede varejista dos EUA, o Walmart divulga seus resultados, desfrutando de bom momento devido à pandemia e às vendas online
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As vendas do Walmart cresceram na pandemia, puxadas pelo comércio eletrônico e pelos estímulos do governo

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Rodrigo Caetano

Repórter ESG| rodrigo.sabo@exame.com



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O Walmart, maior rede varejista dos Estados Unidos, divulga os resultados do terceiro trimestre nesta terça-feira, 17. Maior empregadora privada do país, a empresa viu suas vendas crescerem na pandemia, puxadas pela operação online e impulsionadas pelo pacote de estímulo econômico introduzido pelo governo americano. No segundo trimestre, o faturamento aumentou 9%, alcançando 138 bilhões de dólares. 

A notícia que mais animou analistas e investidores é o avanço das vendas na internet. Nos últimos anos, o Walmart sofreu com a concorrência da Amazon. A gigante do comércio eletrônico entrou, inclusive, no varejo de alimentos. Sem revelar os números exatos, a companhia relatou que as vendas online dobraram no último trimestre. 

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Uma jogada inesperada também contribuiu para o otimismo com o Walmart no comércio eletrônico. Em setembro, a rede varejista se uniu à Oracle, empresa de tecnologia, e fechou um acordo com a rede social chinesa TikTok. Os detalhes do acordo do TikTok com a Oracle e o Walmart não são públicos, mas o que se sabe até agora é que a Oracle concordou em uma parceria com o aplicativo para se tornar um “fornecedor tecnológico confiável”. 

Criado em 2016 pela empresa de software chinesa ByteDance, aplicativo TikTok se viu no meio de uma disputa geopolítica entre os Estados Unidos e a China nos últimos meses. Em agosto, o presidente Donald Trump chegou a publicar um decreto que proibia o aplicativo nos Estados Unidos caso a ByteDance não se desfizesse da sua operação americana e vendesse o controle do aplicativo a uma empresa americana até o dia 20 de setembro.

Do lado do Walmart, o acordo foi considerado “transformador” e capaz de “redefinir o varejo”. Com o aplicativo, o Walmart poderá se envolver com os consumidores não apenas quando eles estão comprando algo em seu site, mas enquanto criam e consomem vídeos virais. Também será capaz de incorporar anúncios nos vídeos gerados pelos usuários com links para seu site, ou obter os dados das dezenas de milhões de pessoas que o usam e ter acesso a seus hábitos de consumo com base no conteúdo que postam. 


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Além do avanço no comércio eletrônico, o Walmart busca melhorar sua imagem junto ao público ao adotar critérios ESG (ambientais, sociais e de governança, na sigla em inglês). A iniciativa mais significativa atende pelo nome de Project Gigaton. Lançada em 2017, ela estabelece a meta de cortar 1 bilhão de toneladas de carbono até 2030. 

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O desafio, para qualquer varejista, está no fato de que entre 90% e 95% das emissões de carbono estão na cadeia de suprimentos. Reduzir as emissões das próprias operações faria pouca diferença, é preciso convencer fornecedores e parceiros a adotar estratégias de redução da pegada de carbono. No caso de uma rede do tamanho da do Walmart, essa tarefa ganha proporções gigantescas. Até o momento, a companhia evitou a emissão de 230 milhões de toneladas. 

Mas, há um aspecto de sua colossal operação que ainda é pouco abordado pela empresa: o salário dos funcionários. O Walmart é o maior empregador privado dos Estados Unidos, com cerca de 1,5 milhão de funcionários. Frequentemente, a rede é criticada por adotar uma política de salário indigna. Em setembro, a companhia anunciou um aumento de salário para 165 mil funcionários, fruto de uma reorganização que visa melhorar a qualificação dos profissionais que atuam em suas enormes lojas, chamadas de “supercenters”. 

Com isso, o salário mínimo pago pelo Walmart subiu de 11 dólares para 15 dólares por hora. Nos “supercenters”, novos cargos foram criados com remuneração a partir de 18 dólares por hora, podendo chegar a 30 dólares. Nos EUA, o salário mínimo varia de estado para estado, sendo que o mais alto é o da capital federal, Washington D.C., de 14 dólares, e o mais baixo o da Geórgia, cujo piso é de míseros 5,15 dólares. Considerando que o Walmart emprega mais pessoas do que Porto Alegre tem de moradores, qualquer mexida na política de pagamento gera um impacto social considerável.


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