ESG

Como a prisão de Navalny, na Rússia, pode agradar ambientalistas europeus

PUBLICADO EM: 2.2.21 | 6H25
ATUALIZAÇÃO: 2.2.21 | 11H06
Prisão do ativista anti-corrupção no retorno à Moscou, no mês passado, motivou críticas na União Europeia e pode atrapalhar conclusão de gasoduto entre Rússia e Alemanha
O político da oposição russa Alexei Navalny participa de uma manifestação para marcar o 5º aniversário do assassinato do político da oposição Boris Nemtsov e para protestar contra as emendas propostas à constituição do país, em Moscou, Rússia, 29 de fevereiro de 2020. REUTERS / Shamil Zhumatov

O líder opositor russo Alexei Navalny: expectativa de condenação a até três anos de prisão por insuflar movimentos opositores locais (REUTERS)

Imagem da Editoria Exame Invest
Leo Branco

Repórter da Exame



Compartilhe nas redes sociais
GUIA
Em alta

INVISTA 2MIN

Esta reportagem faz parte da newsletter EXAME Desperta. Assine gratuitamente e receba todas as manhãs um resumo dos assuntos que serão notícia.

O líder opositor russo Alexei Navalny deve se apresentar à Justiça nesta terça-feira, 2 de fevereiro, para ouvir dos juízes as acusações imputadas a ele, preso ao desembarcar em Moscou na semana passada. Uma eventual condenação de Navalny pode causar mais distúrbios na Rússia, cancelar projetos importantes para a economia do país e, de quebra, agradar ambientalistas europeus.

Ativista anti-corrupção que lidera a oposição ao presidente Vladimir Putin, Navalny retornou à Rússia na metade de janeiro, depois de uma temporada num hospital em Berlim para tratar de problemas de saúde causados, ao que tudo indica, por um envenenamento.

O retorno de Navalny movimentou a Rússia. Protestos em apoio ao ativista estão sendo realizados quase todas as semanas nas principais cidades russas, num sinal de fissura da liderança de Putin após duas décadas no centro do poder.

A expectativa é que Navalny seja condenado a até três anos de prisão por insuflar movimentos opositores locais.

A sentença deve provocar revolta dentro e fora da Rússia. Uma das possíveis consequências é o aumento nas sanções econômicas aplicadas pelos Estados Unidos e pela União Europeia ao país desde a invasão da península da Crimeia, um território da vizinha Ucrânia ocupado por tropas russas desde 2014.

Lideranças na União Europeia estudam travar a construção do gasoduto Nord Stream 2, uma das principais apostas de Putin para reativar a economia local no pós-pandemia.

Previsto para entrar em operação na metade de 2021, o gasoduto deve transportar o combustível entre a Rússia e a Alemanha e, assim, baratear as fontes de energia para a indústria local.

Ambientalistas europeus criticam o projeto desde sua concepção, há praticamente uma década. Na visão deles, a Alemanha e os demais países europeus devem concentrar esforços em fontes renováveis para abastecer sua indústria.

Além disso, defendem a autonomia energética da Europa frente ao que consideram um regime autoritário de Putin na Rússia.

Ontem, uma das principais autoridades para comércio exterior no governo do presidente francês Emammuel Macron, o secretário de negócios estrangeiros Clément Beaune, pediu à Alemanha para abandonar o projeto do Nord Stream 2.

Em resposta às críticas de Beaune, a porta-voz do governo alemão Martina Fietz defendeu o projeto e disse que a estratégia da Alemanha permanece inalterada.

A construção do Nord Stream 2 foi retomada em dezembro do ano passado, após anos parada por causa das sanções econômicas à Rússia em decorrência da invasão na Crimeia.

O projeto prevê 1.200 quilômetros de gasodutos, boa parte deles passando pelo Mar do Norte, num custo total de 9 bilhões de euros.

Imagem da Editoria Exame Invest
Leo Branco

Repórter da Exame


Compartilhe nas redes sociais
Mosaico do rodapé com as cores da Exame