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Na COP26, São Paulo quer abandonar a poluição e buscar o dinheiro verde

PUBLICADO EM: 12.10.21 | 15H47
Prefeitura da capital paulista levará comitiva para Glasgow. Plano é vender iniciativas como eletrificação da frota de ônibus e a preservação da Mata Atlântica
Marta Suplicy

Marta Suplicy, secretária de Relações Internacionais do município: "Não somos uma cidade cinza"

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Rodrigo Caetano

Repórter ESG| rodrigo.sabo@exame.com



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Não parece, mas a cidade de São Paulo, megalópole de concreto, tem 40% de cobertura verde. É o que afirma a secretária de Relações Internacionais do município, Marta Suplicy. Muito dessa cobertura se deve à preservação de uma área de 25 mil hectares de Mata Atlântica, o equivalente a um sexto do território paulistano, no subdistrito de Parelheiros, na zona sul. “Não somos uma cidade cinza”, afirma Suplicy, que ocupou o cargo de prefeita entre 2001 e 2005.

Reverter a imagem de selva de pedra é parte de um plano da prefeitura da capital paulista de abraçar a economia verde. “O futuro das cidades está aí”, afirma a secretária. “E há dinheiro a ser buscado lá fora”.

Não será uma tarefa fácil. São Paulo convive há muito tempo com uma série de problemas ambientais, desde a poluição dos rios Pinheiros e Tietê, até a questão das invasões de áreas protegidas, inclusive em Parelheiros. Mas, segundo Suplicy, o prefeito Ricardo Nunes está convencido de que terá o que mostrar na COP26, Conferência do Clima da ONU, a ser realizada em novembro, na Escócia. A prefeitura enviará uma comitiva ao evento.

Pinheiro Pedro, secretários de Mudanças Climáticas, reconhece que a relação entre a cidade e o meio ambiente nunca foi harmônica. “Faz muito tempo que os paulistanos brigam contra a natureza”, afirma. O exemplo mais claro desse relacionamento conflituoso está nas enchentes. São Paulo foi construída em cima de rios, que hoje se encontram canalizados. De tempos em tempos, o rio enche, e a cidade alaga, mesmo com todos os piscinões construídos ao longo de diversas gestões.

Uma das ações adotadas pela prefeitura é a construção de “jardins de chuva”, que são áreas verdes planejadas para absorver a água das tempestades. “A ideia é aumentar a permeabilidade da cidade”, afirma Carlos Fernandes, secretário de desenvolvimento sustentável da Secretária de Relações Internacionais da prefeitura.

Desde 2017, foram construídos 117 jardins de chuva na cidade, e outros 12 estão em construção. Eles se caracterizam por serem canteiros um pouco abaixo do nível das ruas e calçados. Em seu subsolo, há uma caixa que capta a água e alivia o sistema de drenagem que escoa a água para os bueiros.

Eletrificação da frota

A prefeitura também busca acelerar a eletrificação da frota de ônibus. Atualmente, pouco mais de 1,5% da frota paulistana está eletrificada, seja com ônibus a bateria ou trólebus. No plano de metas entregue à câmara municipal pelo prefeito Ricardo Nunes, existe a previsão de entregar 2.600 ônibus elétricos até 2024. Essa meta, no entanto, foi estabelecida para 2021, inicialmente, mas foi adiada em função da pandemia.

São Paulo possui uma frota com 14 mil ônibus, uma das maiores do mundo. A Política Municipal de Mudanças Climáticas, aprovada por legislação específica em 2009, aponta que a cidade precisa reduzir pela metade as emissões de dióxido de carbono e em até 90% as emissões de outros gases poluentes, até 2028. Atualmente, os ônibus representam mais da metade das emissões totais dos municípios.

Para o secretário de Desenvolvimento Sustentável, no entanto, a estratégia vai além do cumprimento da legislação. “A economia de baixo carbono é o futuro, precisamos criar na cidade as condições para que os negócios verdes se estabeleçam”, afirma Fernandes. “E há dinheiro para isso lá fora.”

O problema é que a primeira imagem que qualquer estrangeiro tem quando chega na cidade é a dos rios Tietê e Pinheiros. O governador de São Paulo, João Doria, prometeu despoluir o Pinheiros até 2022. Em parte, isso passa por ações da prefeitura, uma vez que a maior parte da poluição vem do esgoto residencial. Doria também anunciou que será construído um parque na região do rio, que será batizado de Bruno Covas, prefeito eleito de São Paulo que morreu em maio e de quem Ricardo Nunes herdou o cargo.

 

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