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Davos debate como colocar em prática o capitalismo de stakeholder

PUBLICADO EM: 26.1.21 | 6H00
ATUALIZAÇÃO: 25.1.21 | 22H56
Segundo dia de painéis terá a presença de Larry Fink, Angela Merkel e Emmanuel Macron
Impressões da Reunião Anual do Fórum Econômico Mundial de 2020 em Davos-Klosters, Suíça, 17 de janeiro. Copyright da World Economic Forum / Pascal Bitz

Por causa da pandemia, edição deste ano do Fórum Econômico Mundial está sendo realizada online. Haverá um encontro presencial em maio (World Economic Forum / Manuel Lo)

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Rodrigo Caetano

Repórter ESG| rodrigo.sabo@exame.com



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As mudanças em curso no capitalismo, com o fim do reinado do retorno ao acionista como principal objetivo das empresas, ocupou boa parte da agenda do Fórum Econômico Mundial no ano passado. Este ano, não está sendo diferente. O capitalismo de stakeholder, modelo que defende a geração de valor a todas as partes interessadas no negócio, é um assunto transversal entre todas as discussões.

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Nesta terça-feira, o tema ganhará um aliado de peso. Larry Fink, CEO da BlackRock, a maior gestora do mundo e uma das vozes mais atuantes na defesa do novo capitalismo, participa de um painel ao meio dia (horário de Brasília). Ele debaterá sobre como implementar o capitalismo de stakeholder com outros nomes de peso: Brian Moynihan, CEO do Bank of America; Marc Benioff, CEO da Salesforce; Kristalina Georgieva, diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional; e Chrystia Freeland, ministra das finanças do Canada.

Há pelo menos quatro anos, Fink conclama investidores e empresários mundo afora a prestarem atenção à agenda ESG se quiserem ter retornos financeiros mais sustentáveis no futuro. Em carta divulgada no início do ano passado, Fink disse que haverá uma realocação de capital provocada pelas mudanças climáticas. Ele afirmou que as mudanças no mundo dos investimentos não apenas acompanharão as mudanças climáticas, mas serão mais rápidas.

"Risco climático é risco de investimento”, escreve Fink. “As mudanças climáticas são, invariavelmente, a maior preocupação dos nossos clientes em todo o mundo”. Segundo o CEO, os investidores querem saber como modificar seus portfólios de forma a se proteger dos impactos do clima na avaliação dos ativos. Especialmente, quando se fala de longo prazo.

É preciso rever a origem da riqueza

Ontem, em painel com as presenças de Klaus Schawb, fundador e chairman do Fórum, e Alexander De Croo, primeiro ministro da Bélgica, a economista ítalo-americana Mariana Mazzucato, defendeu uma revisão da origem da riqueza econômica. “Não acredito que teremos um capitalismo de stakeholder se continuarmos a dizer que a geração de riqueza acontece apenas nas empresas”, afirmou a professora de economia da inovação na Universidade College London, no Reino Unido.

O que Mazzucato defende é que nenhuma conquista do setor privado, desde o iPhone até a Alexa, acontece sem alguma ajuda dos governos. A internet, inovação da qual toda a indústria de tecnologia depende, é o melhor exemplo dessa dinâmica – afinal, ela foi criada pelo governo americano.

Em seu novo livro, Mission Economy: A Moonshot Guide to Changing Capitalism, ainda sem tradução em português, a economista compara o momento atual com a corrida espacial da década de 60. Mazzucato lista “20 coisas que não existiriam sem as viagens espaciais”, entre elas tênis esportivos, papinha para bebê, isolamento térmico e tomografia. Seu principal argumento é que um grande projeto governamental, como a missão Apolo, que levou os seres humanos à lua, é necessário para movimentar as engrenagens da inovação e do desenvolvimento.

“Não podemos compartilhar a riqueza se não admitirmos que a criamos coletivamente. As discussões mais vanguardistas, hoje, apontam para o fim da dicotomia entre geração e distribuição de riqueza. Pensamos na direção do investimento público e em maneiras como ele pode contribuir para o desenvolvimento empresarial, em um ambiente livre de corrupção”, afirmou Mazzucato.

Democracia e excluídos

No mesmo painel, o CEO do PayPal, Dan Schulman, levantou outro questionamento a respeito de um componente caro aos defensores do capitalismo de stakeholder: a defesa da democracia. “Mais de 7 bilhões de pessoas no mundo estão fora do sistema financeiro. Nos Estados Unidos, dois terços dos adultos têm dificuldade em pagar as contas”, afirmou Schulman, ferrenho defensor do capitalismo de stakeholder. “Como esperar que as pessoas defendam a democracia se não acreditam que o sistema funciona para elas?”

Esse dilema entre viver a liberdade democrática, porém não perceber os benefícios dela, é o que, na visão de Schulman, tem gerado tanta instabilidade política atualmente. Ele também conclamou o setor privado a trabalhar em conjunto com governos e chamou a ideia de que lucro e responsabilidade social não podem caminhar juntos de “ridícula”. “Essas duas coisas têm de andar juntos”, definiu.


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