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ESG

Em busca do novo unicórnio de impacto da Amazônia

PUBLICADO EM: 20.4.21 | 16H28
ATUALIZAÇÃO: 22.4.21 | 17H31
A aceleradora AMAZ, spin-off do programa de aceleração da Plataforma Parceiros pela Amazônia (PPA), irá investir R$ 25 milhões em 30 startups de impacto nos próximos cinco anos

Joanna Martins, CEO da Manioca, empresa acelerada em 2019 pelo programa de impacto

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Maria Clara Dias

Repórter da Exame



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A busca pelo lucro não é a única coisa que passa pela cabeça dos empreendedores da Amazônia. Por lá, também há uma busca pela criação de riqueza a partir da conservação do maior bioma do mundo. Esse é inclusive o objetivo da AMAZ, recém-criada aceleradora de impacto que traz sustentação ao crescente polo inovativo da região, sendo o mais conhecido deles o Jaraqui Valley, vale da inovação de Manaus. A AMAZ vai investir 25 milhões de reais em 30 startups da região nos próximos cinco anos.

A aceleradora é fruto do programa de aceleração da Plataforma Parceiros pela Amazônia (PPA), plataforma de investimento coletivo em negócios de impacto na região. Criado em 2018, o programa até então oferecia treinamentos, aceleração e injeção de capital em empresas com viés socioambiental positivo e que sustentam a economia da floresta em pé.

Com o lançamento, o programa de aceleração será incorporado às ações da AMAZ, e as 12 empresas investidas nos últimos dois anos pelo programa serão acompanhadas por mais cinco pela aceleradora. Entre as empresas do portfólio herdado pela AMAZ está a Manioca, marca de produtos típicos da região.

A criação da aceleradora nasceu de um dor comum ao empreendedorismo da região: a necessidade de um acompanhamento de longa data para fundadores de empresas do ecossistema de impacto. “Percebemos que estar junto daquele empreendedor por apenas um ano, que era o tempo de duração do programa da PPA, era insuficiente para desenvolver uma empresa”, diz Mariano Cenamo, CEO da AMAZ. “Estimamos que um acompanhamento de cinco anos é o ideal”.

No início, seis startups serão selecionadas para uma aceleração de seis meses, e um investimento semente de 200 mil reais. Ao final desse ciclo, a aceleradora analisa a chance de injetar mais 400 mil reais em cada empresa.

Diferente de monitoramento, o diferencial da aceleradora será a gestão compartilhada dos negócios, segundo Cenamo. A longo prazo, o objetivo é criar uma base econômica resiliente para a proteção de florestas e de comunidades locais. “A agenda é urgente, e sabemos disso. Mas, sem uma nova economia, não conseguiremos controlar o desmatamento no país”.

Para Cenamo, empreendedores da Amazônia enfrentam dores pontuais para chegar à fase de escala, como por exemplo em logística e distribuição. Para suprir parte desses gargalos, a AMAZ faz parceria com o Mercado Livre para apoiar a venda de produtos através do e-commerce. A AMAZ também é responsável pela criação de uma  rede de apoio entre empreendedores que podem compartilhar suas principais dificuldades, desafios e estratégias de negócio.

A chamada atual vai até o dia 20 de maio, e receberá a inscrição de empresas de diferentes setores que estejam envolvidas de alguma maneira na preservação ambiental e geração de renda na região. São esperados negócios sustentáveis nas áreas de alimentação, extrativismo, agricultura e pecuária sustentável, artesanato, moda, logística e geração de energia para áreas rurais. Segundo Cenamo, produtos, como cosméticos, fármacos e alimentos - em especial nas cadeias do cacau - e serviços, como turismo, transporte, serviços financeiros serão pontos focais, por se tratarem de setores com boas oportunidades de desenvolvimento.

Financiamento
Para aportar 25 milhões de reais em 30 empresas até 2025, a AMAZ conta com um fundo de investimento híbrido composto por recursos filantrópicos, como os recebidos a partir de institutos e fundações, e também de investidores privados. Serão 12,5 milhões de reais em cada uma dessas frentes.

A aceleradora já conta com nomes como o do Fundo Vale - que investiu simultaneamente capital filantrópico e privado - e também tem o apoio de parceiros estratégicos como o Instituto Humanize, ICS (Instituto Clima e Sociedade), PPA (Plataforma Parceiros pela Amazônia), Good Energies Foundation e Fundo JBS pela Amazônia.

Até 2030, a expectativa é captar 50 milhões de reais em investimentos de fundos de venture capital e investidores privados, beneficiando 10 mil famílias que promovam a conservação e recuperação de cerca de 5 milhões de hectares da Amazônia.

“Hoje há uma economia forte por trás do desmatamento, mas não há uma economia forte por trás da preservação de floresta. Queremos inverter essa lógica, e para isso, atividades econômicas que gerem renda e desenvolvimento social são necessárias”, diz.

Inovação regional

A proposta de manter diálogos ativos entre empreendedores da Amazônia que podem eventualmente ajudar um ao outro e trocar experiências segue a proposta criativa dos inúmeros vales da inovação do Brasil. Afinal, a união de empreendedores e fundadores de startups regionais para a criação de uma nomenclatura que diferencia os diferentes pólos de inovação no interior do país é também baseada na interação e comunicação ativa entre diferentes membros, como universidades, empresas e órgãos públicos.

Em Manaus, há o Jaraqui Valley - que faz referência ao peixe amazonense de mesmo nome. A AMAZ, diz Cenamo, mantém interação com os empreendedores que fazem parte do Jaraqui Valley, e, entre as 12 empresas já investidas, há startups que também fazem parte do vale.

Em um futuro próximo, o alvo deve ser o desenvolvimento do ecossistema de startups de impacto e a inserção no vale a partir da proposta de criação de valor socioambiental positivo. “Esse fenômeno ainda não é voltado às startups de impacto, mas em futuro próximo, pode ser”, diz.

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