Exame Invest
ESG

Em meio à safra recorde, Bunge quer eliminar desmatamento no Cerrado

PUBLICADO EM: 3.3.21 | 9H48
ATUALIZAÇÃO: 13.4.21 | 12H50
Uma das maiores tradings do mundo desenvolve plataforma para rastrear fornecedores de fornecedores. Meta é ter 100% da cadeia rastreada até 2025

Resumo do investidor

Uma das maiores tradings do mundo desenvolve plataforma para rastrear fornecedores de fornecedores. Meta é ter 100% da cadeia rastreada até 2025

Parana 31 03 2020 A primeira estimativa da safra de inverno divulgada nesta sexta-feira (27) pela Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento aponta que a produção total de grãos no Paraná poderá chegar a 41,2 milhões de toneladas. Esse volume é 14% superior ao da safra 18/19, quando foram produzidas 36,2 milhões de toneladas. Os dados são do Departamento de Economia Rural (Deral).O relatório mostra uma evolução significativa da colheita da soja, que alcançou 85% da área estimada. Já a perspectiva de produção chegou a 20,7 milhões de toneladas, um recorde histórico para o Paraná, 28% maior do que o volume produzido na safra anterior. Com a evolução do milho safrinha, a área pode ter redução de 2%, porque houve atraso na colheita da soja, o que retardou a semeadura. Ainda assim, a produção deve superar 12 milhões de toneladas. “Mesmo na crise que estamos enfrentando, os trabalhos no meio rural continuam. Estamos recomendando a todos os agricultores e trabalhadores do setor o máximo de cautela e proteção”, diz o secretário estadual da Agricultura, Norberto Ortigara.Safra soja 2020. Fotos:Jaelson Lucas / AEN

A Bunge monitora mais de 8 mil propriedades no Cerrado brasileiro. Somadas, essas fazendas chegam a 11,6 milhões de hectares (Jaelson Lucas)

Imagem da Editoria Exame Invest
Rodrigo Caetano

Repórter ESG| rodrigo.sabo@exame.com



Compartilhe nas redes sociais
GUIA
Em alta

INVISTA 3MIN

A trading e processadora de alimentos Bunge lança, nesta quarta-feira, um programa para monitorar a soja adquirida de fontes indiretas na região do Cerrado brasileiro. O programa vai permitir que as revendas e parceiros da empresa americana acessem o mesmo sistema de rastreamento utilizado nas compras diretas da companhia. A meta é ter 100% da cadeia rastreada até 2025.

Quer aprender mais sobre ESG? Conheça o novo curso da Exame Academy

“Muitos produtores não sabem como devem proceder em relação às práticas ambientais de hoje”, afirma Roberto Marcon, diretor de origninação (compras) da Bunge. “A desinformação é o nosso grande desafio”.

Diretamente, a Bunge monitora mais de 8 mil propriedades no Cerrado brasileiro. Somadas, essas fazendas chegam a 11,6 milhões de hectares. Há um ponto cego nos fornecedores indiretos, no entanto, o que pode comprometer a soja comprada no Brasil. “Tem muita área já aberta no cerrado. Não é preciso desmatar para ampliar a produção”, diz Marcon.

A safra 2020/21 de soja deve atingir o recorde de 135,61 milhões de toneladas, segundo a consultoria Datagro. Em relação à temporada anterior, se confirmado, o resultado representará uma alta de 7%. No fim de setembro, quando teve início o plantio da safra de soja para 2020/2021, a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja) estimou que a área semeada com a principal commodity brasileira deve aumentar 3,8% em comparação ao ciclo 2019/2020.

Em meio à safra recorde, as tradings estão sendo pressionadas a acabar com o desmatamento no Cerrado, bioma que compreende boa parte do centro-oeste e do nordeste brasileiros e onde está concentrada quase que a totalidade da produção de soja. Em dezembro, uma coalizão de 160 empresas, entre elas Nestlé, GPA, Danone, Mondelez e Walmart, enviou uma carta pública aos grandes comerciantes de soja para pedir pela definição de práticas de mitigação do impacto ambiental causado pelas suas cadeias produtivas no Cerrado.

Receberam o manifesto as empresas ADMBungeCargillCOFCO InternationalLDC e Glencore, seis dos maiores comerciantes da commodity do mundo. No ano passado, a Cofco anunciou um programa para ter 85% da sua cadeia de fornecedores rastreada até o final deste ano, e 100% até 2023. O foco está nos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, que fazem parte do Cerrado.

Lucro da Bunge sobe puxado pela América do Sul

A Bunge registrou um resultado mais forte do que o esperado no quarto-trimestre de 2020. O lucro líquido ajustado atribuível à empresa foi de 191 milhões de dólares, comparado a 18 milhões de dólares no ano anterior. O resultado foi impulsionado pelo aumento dos preços das commodities e pelas vendas na América do Sul.

Nesse contexto, manter a soja brasileira livre de desmatamento é fundamental para evitar problemas internacionais, como a campanha do presidente francês, Emmanuel Macron, contra a compra da commodity do país. "Continuar a depender da soja brasileira seria ser conivente com o desmatamento da Amazônia", afirmou Macron, em sua conta oficial no Twitter.

A questão, segundo Marcon, da Bunge, é que não há soja proveniente de desmatamento na Amazônia sendo comercializada, graças à moratória da soja, compromisso internacional assinado pela indústria de alimentos de não comprar grãos de desmatadores na região. “Temos certeza de que não compramos nenhuma soja proveniente da destruição da Amazônia”, afirma. Para não dar munição aos detratores, o melhor é manter a operação limpa.

Assine a newsletter Exame.ESG e descubra como a sustentabilidade empresarial impacta diretamente a performance de seus investimentos

 

De 0 a 10 quanto você recomendaria Exame para um amigo ou parente?

Clicando em um dos números acima e finalizando sua avaliação você nos ajudará a melhorar ainda mais.

 

 

 

Imagem da Editoria Exame Invest
Rodrigo Caetano

Repórter ESG| rodrigo.sabo@exame.com


Compartilhe nas redes sociais
Mosaico do rodapé com as cores da Exame