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ESG

Equidade racial: entidades financeiras abraçam pacto pela causa

PUBLICADO EM: 9.11.21 | 12H29
ATUALIZAÇÃO: 9.11.21 | 12H30
B3, Febraban, Anbima e Fecomercio anunciam entrada no pacto de boas práticas raciais e pretendem incentivar associados e empresas listadas

Gilberto Costa, diretor do Pacto de Promoção da Equidade Racial, e Ana Buchaim, Diretora Executiva de Pessoas, Marketing, Comunicação e Sustentabilidade da B3 (Cauê Diniz)

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Maria Clara Dias

Repórter da Exame



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Entidades empresariais do setor financeiro decidiram aderir em peso à causa racial como uma extensão do comprometimento em uma onda crescente em busca do ESG (sigla para ambiental, social e governança) no segmento. Nesta terça-feira, 09, a B3, Federação do Comércio (Fecomercio), Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros (Anbima) e a Federação dos Bancos (Febraban) se unem ao Pacto de Promoção da Equidade Racial, iniciativa que pretende conscientizar o empresariado brasileiro por mais inclusão.

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O propósito do pacto -- e agora das entidades -- é replicar boas práticas e ajudar, com uma metodologia desenvolvida por especialistas no assunto, empresas a ampliarem não apenas seus discursos, mas as ações em prol da equidade racial em seus grupos de trabalho, além de medir o resultado dessas ações.

O protocolo ESG Racial deve  servir de cartilha para empresas de todos os portes e segmentos de atuação terem ideia do passo a passo na hora de contratar ou promover profissionais pretos e pardos em suas equipes.

Além de trazer mais visibilidade ao tema, o Pacto é também uma tentativa de preparar as empresas para que elas desenvolvam a narrativa e as ações corretas para lidar com a pressão do mercado e dos stakeholders (públicos de interesse) em geral para serem mais inclusivas, especialmente em um país onde mais de 50% da população se declara preta ou parda, mas apenas 29% ocupam cargos gerenciais.

 

“Sem dúvida um dos maiores problemas do Brasil hoje é a desigualdade social, o que inclui a desigualdade racial. Termos que ser protagonistas nessa jornada de redução dessas desigualdades e o que fazemos é envolver as empresas nessa missão”, diz Jair Ribeiro, vice-presidente do Conselho do Pacto.

Com a adesão e apoio institucional de instituições como B3 e Febraban, surge a premissa de incentivo para que o debate racial tome conta do mercado financeiro no Brasil e ocupe uma posição de destaque nos debates econômicos do país. A proposta é também fazer com que as empresas listadas em cada uma dessas instituições também sejam incentivadas a adotarem essas práticas, do recrutamento à formação de profissionais negros aos investimentos sociais dedicados à causa.

“A adesão ao Pacto é um passo a mais na jornada ESG da B3. Não é um tema novo para nós, mas temos sempre um olhar duplo. O primeiro busca incentivar as companhias listadas e o mercado financeiro a de fato fazer a adesão ao Pacto, pois somos um hub. Do outro, temos de olhar para o assunto como empresa listada, mostrando que uma prática assim traz muitos resultados", diz Ana Buchaim, diretora executiva de pessoas, marketing, comunicação e sustentabilidade da B3.

Para medir os resultados da adoção dessas boas práticas no balanço das empresas e mostrar que o ESG melhoras as contas, a B3 desenvolveu o ISE – Índice de Sustentabilidade Empresarial, que reúne os resultados ambientais, sociais e de governança. Desde 2005, quando foi criado, o ISE acumula uma alta de 301,7% até setembro deste ano, frente ao IBOVESPA, que teve uma performance acumulada de 272,16% no mesmo período.

Para Amaury Oliva, diretor de sustentabilidade, cidadania financeira, relações com o consumidor e autorregulação da Febraban, o apoio institucional da Febraban ao Pacto está alinhado ao compromisso de promover as melhores práticas e padrões de sustentabilidade. “A iniciativa se soma a outras da Federação que endereçam a equidade racial, como o Censo da Diversidade e o Programa SOMAMOS, que capacita jovens negros e negras para ampliar suas oportunidades no mercado de trabalho”, diz.

Na Anbima, alguns números também comprovam a urgência do tema para os associados do setor financeiro. Segundo uma pesquisa interna da entidade, 80% das organizações têm compromissos com a equidade. “O processo é heterogêneo para nós. Temos associados que estão bem avançados no tema da diversidade, e outros nem tanto. Mas o que não é heterogêneo é o apoio à equidade racial como um todo. Há uma vontade e intenção de avançar nessa pauta”, diz Marcelo Billi, superintendente de comunicação, educação e certificação da Anbima.

A Fecomercio também percebe o apoio institucional ao Pacto como uma sinalização de que o tema é prioritário para a associação. E, assim como a Anbima, a Fecomercio também prepara uma pesquisa com os associados para medir o grau de importância do ESG no dia a dia de cada organização. “O Pacto nos traz uma inovação importante, além de surgir em um momento importante para nós”, diz  Luiz Maia, coordenador do Comitê ESG da entidade.

Todos os especialistas concordam que a adesão não é o primeiro, mas é um importante passo em um caminho sem volta e que prioriza o bem-estar social e a percepção de uma empresa ao mercado em relação às suas práticas de diversidade.

Em busca da equidade racial

Lançado em julho, o Pacto é resultado de um trabalho realizado ao longo de um ano por um grupo de 140 pessoas e entidades, incluindo representantes da comunidade negra, especialistas do mercado financeiro e em ESG, acadêmicos, professores, advogados, econometristas, pesquisadores, empresários, profissionais do terceiro setor e líderes de ONGs.  

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