ESG

Após um salto em 2020 com a pandemia, como será a filantropia em 2021?

PUBLICADO EM: 18.1.21 | 6H00
ATUALIZAÇÃO: 22.2.21 | 11H50
Investimentos privados e doações para organizações e projetos sociais devem ter menor volume neste ano, mas são tendência para terceiro setor
Projetos sociais

(Getty Images)

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Maria Clara Dias

Repórter da Exame



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O BTG Pactual (do mesmo grupo que controla a EXAME) abre hoje (18) as inscrições para uma nova rodada do programa de aceleração e profissionalização de organizações não governamentais (ONGs) e organizações da sociedade civil (OSCs). Batizado de BTG Soma, o programa irá selecionar dez instituições para receber 100 horas de mentorias, workshops e oficinas de capacitação oferecidas pela rede de mentores e sócios do banco e com o apoio da Ação Social para Igualdade das Diferenças (Asid Brasil), organização que cria projetos de inclusão social para unir pessoas com deficiência e o ambiente corporativo.

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Esse é um esforço do banco para se aproximar do terceiro setor, que teve papel fundamental e forte atuação durante a pandemia de covid-19. Em pesquisa para a fabricante de bebidas Ambev, o DataFolha identificou que em 2020, houve um grande engajamento social por parte das empresas, que contribuíram com doações para instituições não governamentais que atuavam no combate à pandemia.

No último ano, foram 554.843 doadores, entre grandes empresas e pessoas físicas, que juntos foram responsáveis pela arrecadação de mais de 6,5 bilhões de reais acumulados ao longo de todo o ano para ações de resposta à covid-19. A maior parte dos fundos foram destinados para a área de saúde e assistência social. Os dados são do Monitor das Doações, criado pela Associação Brasileira dos Captadores de Recursos (ABCR).

Apesar da grande onda de solidariedade, a pesquisa do DataFolha indica um cenário de queda para 2021. Com a retomada econômica, cerca de 41% das ONGs temem a falta de apoio financeiro. Outras preocupações estão relacionadas à ausência de voluntários para ações e menor número de doações de equipamentos.

No longo prazo, porém, os benefícios da filantropia percebidos pelas empresas são um caminho sem volta, a começar pelo engajamento dos funcionários, a percepção positiva dos consumidores sobre a companhia e posicionamento de marca, segundo Paula Fabiani, presidente do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS), organização que oferece apoio técnico ao investidor social no Brasil.  "Além da geração do impacto social, esses benefícios experimentados pelas empresas - e para muitas delas pela primeira vez na pandemia - vão motivar companhias a investirem cada vez mais no setor social, mesmo que em volume inferior ao do último ano”, diz.

De acordo com uma pesquisa do IDIS feita em 2019, 86% da população brasileira acredita que empresas devem se engajar com as comunidades locais do seu entorno. Segundo Fabiani, essa foi uma resposta das organizações na pandemia e que deve ser reforçada em 2021. “Empresas com investimento social privado vão ter cobranças cada vez maiores, e isso vai fazer do terceiro setor um grande alvo no curto e no médio prazo”.

Os fundos filantrópicos são mecanismos que permitem alavancar os investimentos sociais no país. “Ao colocar doações de várias pessoas físicas e jurídicas em conjunto, com metas claras de compliance e governança, há uma maior confiança e mobilização de pessoas e empresas”, diz  Leonardo Letelier, fundador e presidente da SITAWI, organização especializada em investimentos de impacto. "Percebemos que há um entendimento maior de que está mais fácil e mais conveniente entrar no mundo da filantropia, mesmo que não sejam em ações emergenciais”, diz.

Em 2020, os fundos filantrópicos da SITAWI mobilizaram cerca de 120 milhões de reais. Segundo Letelier, espera-se que em 2021 as empresas estejam também mais dispostas a elevar o ticket médio destinado às doações filantrópicas. “Há alguns anos, falávamos sobre centenas de milhares. Hoje, temos conversas que giram em torno das centenas de milhões e em breve, falaremos de bilhões”, diz.

No entanto, é preciso apartar as doações sociais dos investimentos de impacto, que também objetivam o retorno financeiro, segundo Letelier. “Apesar de sabermos que os fundos filantrópicos e ESG vão bombar, precisamos diferenciar os dois”, diz.

Para Letelier, os investimentos de grandes empresas em projetos de impacto ou pequenas empresas de impacto socioambiental positivo, apesar de crescente, ainda serão exceção. "A agenda ESG ganha força em 2021, e por isso faz muito mais sentido para as grandes empresas remodelarem sua atuação internamente com melhorias nos âmbitos governamental, social e ambiental, do que usar o capital para investir em empresas de fora", diz. A tendência, segundo Letelier, é que o apoio ao terceiro setor em 2021 seja liderado por pessoas físicas e investidores.

Para Fabiani, do IDIS, alguns setores devem despontar e atrair recursos com maior facilidade, como no caso de projetos de empreendedorismo e geração de renda, como iniciativas de acesso ao crédito para empreendedores e incentivo ao comércio local.

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