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Montadoras querem adiar as novas regras de poluição. Médicos são contra

PUBLICADO EM: 15.12.20 | 16H14
ATUALIZAÇÃO: 15.12.20 | 16H38
Indústria automotiva alega falta de recursos e de tempo para cumprir cronograma do Proconve, que rege o nível de poluição dos automóveis
Trânsito na Rodovia Castelo Branco, em São Paulo (SP), nesta sexta-feira (4).

Segundo 14 entidades médicas, o ar tóxico voltará a ser o principal vilão para as atuais e futuras gerações quando a pandemia for controlada

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Rodrigo Caetano

Repórter ESG| rodrigo.sabo@exame.com



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A pandemia reduziu a poluição do ar. Um estudo coordenado pela Universidade de Anglia, do Reino Unido, com a participação de cientistas de outros países da Europa, dos Estados Unidos e da Austrália, mostrou que em 2020 as emissões de CO2 devem ser as menores desde a Segunda Guerra Mundial. Por conta disso, a indústria automotiva quer adiar a entrada em vigor de regras mais rígidas para o nível de poluição dos automóveis.

O Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve) entrará em uma nova fase a partir de 2022. Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) pediu ao ministro do Meio Ambiente, Ricardo Sales, o adiamento do cronograma por um prazo ainda não definido.

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Em evento online, a Anfavea justificou o pedido dizendo que, com menos carros nas ruas, a poluição vai diminuir sem a necessidade de endurecer as leis. “Por causa da pandemia, o setor deixará de vender 5 milhões de carros”, afirmou Henry Joseph Jr., diretor técnico da associação. “O número de carros rodando ficará abaixo do estimado quando foram definidas as novas regras, em 2018.”

Profissionais de medicina, no entanto, pedem a manutenção do cronograma. "Segundo o Air Quality Life Index, AQLI, elaborado pelo Energy Policy Institute da Universidade de Chicago, o ar tóxico voltará a ser o principal vilão para as atuais e futuras gerações quando a pandemia for controlada, ultrapassando a água insalubre e as doenças transmitidas por vetores”, diz uma carta divulgada nesta terça-feira, 15, por 14 entidades médicas, entre elas a Associação Paulista de Medicina e a Sociedade Brasileira de Pediatria.

A carta, endereçada ao Presidente da República e ao ministro do Meio Ambiente, apresenta estudos que mostram os danos causados à saúde pública pela poluição do ar. Um dos principais riscos está na junção entre pandemia e ar poluído. Segundo um estudo feito pela Universidade Harvard, o risco de morte por covid aumenta até 15% em regiões com altos índices de poluição.

Segundo a Anfavea, esse argumento não é válido, uma vez que a poluição não irá aumentar com a manutenção das regras. Em compensação, as montadoras irão sofrer financeiramente para cumprir o cronograma. “A pandemia parou os trabalhos. Não foi possível realizar os testes necessários”, afirma Joseph Jr., chamando atenção para o fato de existirem mais de 1 mil versões de carros de passeio e 500 de veículos pesados no país. A adequação dos motores, diz a Anfavea, custará cerca de 12 bilhões de reais.

Produção de veículos é a pior desde 2003

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Em novembro, a produção de veículos atingiu 238.200 unidades, alta de 4,7% na comparação anual. No acumulado do ano, porém, houve queda de 35%, para 1,80 milhão de unidades.

Já os licenciamentos tiveram uma queda mais branda, de 28,1% no acumulado até novembro, para 1,81 milhão de unidades. Em novembro, o recuo foi de 7,1%, a 225.010 unidades. As exportações, por outro lado, tiveram um desempenho positivo em novembro, avançando 38,6%, para 44.007 unidades. Nos últimos 12 meses, foram 5.687 demissões nas montadoras.

    

                

                    

                         

                        

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