ESG

Recuo de grandes petroleiras não reduzirá combustível fóssil

PUBLICADO EM: 10.6.21 | 11H33
ATUALIZAÇÃO: 10.6.21 | 11H34
Apesar do foco em empresas como Exxon e Shell, grandes petroleiras responderam recentemente por apenas 15% do abastecimento mundial de petróleo, de acordo com a Agência Internacional de Energia

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Quando a Exxon Mobil decidiu sair de um grande campo de petróleo no Iraque, o governo assumiu o papel atípico de vendedor. Autoridades iraquianas ofereceram o West Qurna-1 a prováveis compradores entre grandes rivais da Exxon, como a Chevron. Não houve comprador.

Isso deixou o Iraque com opções limitadas: vender para uma das maiores petrolíferas apoiadas pelo estado chinês ou comprar de volta a participação da Exxon. O processo de venda permanece sem solução, mas qualquer resultado seria um poderoso indicador da transformação do mercado global de petróleo. Com grandes petroleiras dos EUA e Europa em retirada ao redor do mundo, estatais de petróleo estão prontas para preencher o vazio.

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As grandes petroleiras - um grupo que, além da Exxon e da Chevron, inclui BP, Royal Dutch Shell, TotalEnergies e Eni - estão encolhendo, mesmo quando a demanda por combustíveis fósseis se mantém forte. Essas empresas estão sob pressão crescente para pagar dívidas e, ao mesmo tempo, reduzir os gases de efeito estufa. Algumas também estão no radar para fazer a transição para energias renováveis. Nas últimas semanas, Exxon e Chevron foram repreendidas por seus próprios acionistas devido às preocupações com o clima, enquanto a Shell perdeu um processo em Haia sobre o ritmo de sua transição para deixar o petróleo e o gás.

Petrolíferas estatais estão bem protegidas dessas pressões. Quando os proprietários são governos, não acionistas, não há membros dissidentes do conselho como os que agora fazem parte da Exxon. Isso significa que as produtoras estatais de petróleo, como as que pertencem à Opep+, podem ser os compradores de último recurso para projetos de combustíveis fósseis abandonados pelas grandes petroleiras em declínio.

As estatais também podem ganhar participação de mercado simplesmente produzindo petróleo que seus rivais do setor privado não vão bombear. Saudi Aramco e Abu Dhabi National Oil estão gastando bilhões para aumentar suas respectivas capacidades de produção em um milhão de barris por dia cada, e a Qatar Petroleum decidiu investir mais de US$ 30 bilhões para elevar as exportações de gás natural liquefeito em mais de 50%. Aramco e Abu Dhabi National Oil não quiseram comentar.

Juntas, as estatais de petróleo representam pouco mais da metade do suprimento mundial atual da commodity. Em 2050, a Rystad Energy projeta essa participação em 65%.

É uma tendência inconfundível que atrai a atenção para algumas das maiores e mais secretas entidades do mundo. Muitos líderes governamentais buscam reduzir as emissões que causam o aquecimento do planeta, com nove das dez maiores economias comprometidas com metas líquidas zero de carbono. Ao mesmo tempo, esses opacos produtores de petróleo apoiados pelo governo - isolados na maioria dos casos de investidores e ambientalistas e com pouca obrigação de divulgar dados climáticos - estão assumindo a tarefa de fornecer os milhões de barris consumidos todos os dias.

“Ouvimos autoridades de governos e funcionários de estatais de petróleo dizerem: ‘Vemos o desinvestimento de empresas internacionais de petróleo em alguns projetos como uma oportunidade para crescer’”, disse Patrick Heller, consultor do Instituto de Governança de Recursos Naturais. “E acho que isso é potencialmente muito arriscado.”

Apesar do foco em empresas como Exxon e Shell, grandes petroleiras responderam recentemente por apenas 15% do abastecimento mundial de petróleo, de acordo com a Agência Internacional de Energia. A produção de algumas também deve cair, em parte devido à venda de uma parcela dos ativos existentes.

Alguns observadores temem que as campanhas de ativistas para que grandes petrolíferas deixem combustíveis fósseis possam acabar acelerando uma transição para governos que operam estatais com menos transparência e, ocasionalmente, piores registros ambientais. Jason Bordoff, diretor do Centro de Política Energética Global da Escola de Relações Públicas e Internacionais da Universidade Columbia, argumentou em ensaio recente que tais esforços poderiam resultar em “consequências não intencionais” sem a necessária queda da demanda.

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