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Volkswagen: resultados ruins na pandemia, mas investidores estão animados. Por quê?

PUBLICADO EM: 16.3.21 | 6H17
A montadora alemã sinalizou que pretende se tornar a líder do mercado global de veículos elétricos até 2025 e, de quebra, superar a rival Tesla
FILE PHOTO: An employee holds a Volkswagen logo in a production line at the Volkswagen plant in Wolfsburg

A montadora alemã sinalizou que pretende se tornar a líder do mercado global de veículos elétricos até 2025 e, de quebra, superar a rival Tesla (REUTERS)

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Maria Clara Dias

Repórter da Exame



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A montadora alemã Volkwagen anunciou na madrugada desta terça-feira, 16, os resultados financeiros do quarto trimestre de 2020 e o consolidado do ano passado, um período atípico para as empresas do setor automotivo, que enfrentaram quedas significativas nas vendas e nas receitas.

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Assim como em concorrentes, a pandemia prejudicou os resultados da montadora alemã em 2020. O lucro operacional na marca-mãe Volkswagen, por exemplo, caiu perto de 90% em relação a 2019: 454 milhões de euros.

Na unidade Audi, de carros de alto padrão, o lucro operacional caiu pela metade no ano passado e ficou em 2,7 bilhões de euros.

Um resultado mais animador foi o da unidade Porsche, de carros de luxo, que passou praticamente incólume à pandemia. Em 2020, o lucro operacional ficou em 4 bilhões de euros, pouco abaixo do resultado de 2019: 4,2 bilhões de euros.

A apresentação dos resultados trouxe novidades sobre as metas sustentáveis da companhia. A montadora alemã sinalizou que pretende se tornar a líder do mercado global de veículos elétricos até 2025 e, de quebra, superar a líder atual deste setor, a americana Tesla.

Além disso, a liderança da Volkswagen traçou como meta fabricar ao menos 1 milhão de veículos elétricos neste ano.

Após a divulgação dos resultados, as ações da Volkswagen subiram 5% na bolsa de Frankfurt, ampliando o avanço de 2,4% de segunda-feira.

Transição limpa
A decisão por um posicionamento mais sustentável também tem sustentado a atuação da montadora, especialmente na Europa. Na última segunda-feira, a montadora organizou um evento no qual anunciou as novas premissas para a fabricação de baterias e tecnologias para carros elétricos. A conferência, chamada de “Power Day”, faz parte da empreitada da Volkswagen em se tornar a líder verde no continente.

Durante o evento, a Volkswagen anunciou que irá construir seis fábricas para baterias que juntas terão capacidade de 240 gigawatts (GW). Espera-se que a potência seja a suficiente para atender à frota de elétricos que, segundo a montadora, irá crescer mais de 60% nos próximos dez anos.

Para o futuro, a Volkswagen continua apostando nos modelos elétricos. Em meados de março, a montadora afirmou que os elétricos irão representar mais de 70% do total de vendas de veículos na Europa até 2030. Para dar conta da demanda, a Volkswagen também prevê parcerias subsidiárias de energia para a criação de redes públicas de carregamento e também com fabricantes de baterias e peças automotivas. Em 2020, a alemã comprou a participação de 26% nas ações da fabricante chinesa de baterias Gotion High-Tech.

Para o mercado norte-americano, o olhar para os veículos elétricos, afora a promessa sustentável, é uma aposta para massificar a mobilidade limpa e disputar o páreo contra a líder do segmento Tesla, segundo Antônio Jorge Martins, coordenador de cursos automotivos da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Para o especialista, mesmo que apresente resultados financeiros negativos, a perspectiva é de que a Volkswagen seja capaz de mostrar e reforçar o posicionamento como montadora sustentável ao mercado. “O objetivo central é mostrar ao mercado e consumidores que mesmo com prejuízo, ela irá partir firmemente em busca de seus objetivos sustentáveis e não deixar a Tesla surfar sozinha no mar de oportunidades do setor elétrico”, diz.

É cedo para comparar os esforços na agenda ESG (sigla para ambiental, social e de governança) da Volkswagen ante as rivais do mercado doméstico, especialmente quando se fala em veículos elétricos - e principalmente porque o esforço da empresa surgiu há apenas 6 anos, quando se envolveu em um escândalo de emissões.

A inércia da montadora em se unir a grandes empresas de tecnologia para o desenvolvimento de ferramentas e sistemas operacionais para veículos autônomos, porém, pode atrasá-la diante das rivais, segundo Martins. “A mobilidade elétrica não vem sozinha, ela vem acompanhada de uma base tecnológica, e a Volks ainda não se moveu para isso”, diz.

Diferente das marcas Toyota e Hyundai - que se uniram a big techs como Google e Apple - a estratégia adotada pela montadora de Berlim é solitária. A Volkswagen reservou cerca de 16 bilhões de euros para investimentos nas tendências futuras de e-mobilidade, hibridização e digitalização até 2025, mas fara tudo por conta própria.

Daqui para a frente, a tendência é que os investimentos para uma indústria mais “verde” também passem a exigir mais transparência por parte da alemã. “Investidores desejam saber se as metas estão sendo cumpridas e isso dependerá de melhor governança. A estratégia de investimentos está ousada, mas saberemos se isso deu certo e se entraram atrasados no mercado elétrico ou não mais para frente”.


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