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O que é CDI e o que ele significa para seus investimentos?

CDI é a sigla para Certificado de Depósito Interbancário. É um dos principais indicadores do mercado financeiro e acompanha de perto a taxa Selic (taxa básica de juros da economia). É utilizado como um dos principais indicadores de rentabilidade para ativos de renda fixa.

Como funciona o CDI?

O CDI (Certificado de Depósito Interbancário) é um mecanismo de lastro (garantia) para operações realizadas diariamente por instituições financeiras. Ele reflete diretamente o custo dos empréstimos feitos entre os bancos, e por isso costuma acompanhar de perto a própria taxa Selic.

Por que os bancos emprestam dinheiro entre si?

No final de todos os dias, as instituições financeiras precisam ter um valor mínimo de dinheiro em caixa. Quando isso não acontece, um banco empresta dinheiro para o outro e, para isso, emite um CDI, um título de dívida de curtíssimo prazo.

Bancos podem acabar com menos saldo em caixa caso, por exemplo, haja mais saques do que depósitos naquele dia, ou caso haja mais transferências feitas do que recebidas pelos clientes.

Nesses empréstimos realizados entre os bancos, existe uma cobrança de juros, que usa a Selic como referência. A média dessas taxas, por sua vez, reflete os juros praticados entre bancos e, por isso, virou uma referência para o restante do mercado financeiro.

Como o CDI é calculado?

A B3 monitora diariamente as operações interbancárias e estabelece um custo médio desses empréstimos. Esse custo é a base de cálculo para o CDI diário, mensal e anual.

Por que o CDI tem relação com a Selic?

O valor do índice costuma flutuar de acordo com a própria taxa Selic, que serve de referência para os juros da dívida do governo federal.

A taxa Selic é determinada pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central. O Copom se reúne a cada 45 dias e decide, com base nos indicadores de inflação e endividamento do país, qual será a taxa básica de juros vigente.

Como o empréstimo entre bancos é considerado uma operação tão segura quanto o empréstimo para o próprio governo, o CDI é reflexo da Selic.

Quanto rende o CDI?

Ao contrário da taxa Selic, cuja meta é definida para o ano, o CDI tem valores diários e mensais. Veja abaixo o desempenho histórico do índice:

CDI em 2021

Em 2020, a taxa básica de juros atingiu o menor patamar da história: 2% ao ano. Em razão da pandemia do coronavírus, o Banco Central tem decidido manter a Selic nesse patamar, em uma tentativa de estimular a recuperação da economia.

Até fevereiro de 2021, a Selic permanecia em 2% ao ano, o que impacta diretamente o desempenho do CDI. Em janeiro de 2021, o CDI foi de 0,15% ao mês, o menor valor da história.

Como o CDI afeta seu dinheiro

Não é possível investir diretamente no CDI, pois trata-se de uma operação disponível somente para instituições financeiras.

Mas o indicador tem impacto direto na vida de quem investe. No mundo das aplicações financeiras, o CDI deixa de ser uma operação entre bancos e se transforma em uma taxa que referencia o retorno de grande parte dos produtos de renda fixa com retorno pós-fixado. Essa taxa é chamada de Taxa DI.

É bastante comum encontrar investimentos de renda fixa que indicam sua rentabilidade em um percentual do CDI, como 100% do CDI. Neste caso, a rentabilidade do investimento é exatamente a mesma da rentabilidade do CDI.

Alguns dos investimentos que usam o CDI como referência são:

  • Certificado de Depósito Bancário (CDB);
  • Letra de Crédito Imobiliário (LCI);
  • Letra de Crédito do Agronegócio (LCA);
  • Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI);
  • Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA);
  • Recibo de Depósito Bancário (RDB);
  • Debêntures;
  • Fundos de investimento;
  • Poupança.

Embora os fundos de investimento não acompanhem exatamente o desempenho do CDI, alguns dos ativos contidos no fundo são indexados pela taxa, o que faz com que o índice seja o benchmark desses investimentos, especialmente os fundos de renda fixa.

Como investir no CDI

Não é possível investir diretamente no CDI, como já mencionamos, mas o investidor pode recorrer às aplicações que acompanham diretamente o índice.

Nesse caso, basta ter conta em uma corretora ou banco e escolher um ativo pelo homebroker. É importante atentar-se à taxa da aplicação (por exemplo: 110% do CDI, 120% do CDI), e ao prazo de resgate do título.

Como calcular o rendimento das aplicações

É importante observar o desempenho da taxa básica de juros. Por exemplo: considerando o cenário atual, em que a Selic está em 2% ao ano, uma aplicação com retorno de 120% do CDI terá, após 12 meses, um retorno bruto aproximado de 2,4%.

Toda vez que o Copom decide alterar a taxa Selic - seja para aumentá-la ou para reduzi-la - o desempenho mensal do CDI muda. Por isso, a principal dica é que os investidores fiquem atentos às movimentações do BC.

Para saber qual a taxa do CDI vigente, basta acessar o site da B3 e observar o cabeçalho com os indicadores financeiros.

CDI e CDB

O Certificado de Depósito Bancário (CDB) é um título de dívida emitido pelos bancos. Ao investir em um CDB, o investidor estará "emprestando" dinheiro para o banco e receberá, em troca, um rendimento contratado.

No caso dos títulos pós-fixados, esse rendimento é calculado com base no CDI. Quando mais longo o vencimento do título, maior o percentual do CDI oferecido.

A maioria dos títulos tem prazo de vencimento que varia de 1 mês a 6 anos. Existem ainda CDBs de liquidez diária, que podem ser resgatados a qualquer momento.

É importante lembrar que, em tempos de Selic baixa, os investimentos de renda fixa tendem a ter rentabilidade menor.

CDI e poupança

O CDI também exerce influência direta sobre as aplicações na caderneta de poupança. Isso porque o rendimento da modalidade é calculado de acordo com esse índice.

A regra de rendimento da caderneta é a seguinte:

  • Quando a taxa Selic estiver abaixo de 8,5%, a poupança renderá 70% do CDI + a Taxa Referencial (TR), que é determinada pelo Banco Central. Atualmente a TR está zerada.
  • Quando a Selic estiver acima de 8,5%, a poupança renderá 0,5% ao mês + a Taxa Referencial.

É importante lembrar que os recursos da poupança só têm rendimento nos aniversários. Ou seja: o investidor só vai colher os lucros a cada 30 dias, a partir da aplicação dos recursos. Se ele decidir sacar os recursos no 29º dia, por exemplo, nenhum rendimento será registrado.

Já o retorno de aplicações como CDBs e LCIs é pago proporcionalmente, de acordo com o período de rendimento.

Veja abaixo o rendimento da poupança nos últimos meses:

MêsRendimento da poupança
jan/200,2588%
fev/200,2588%
mar/200,2446%
abr/200,2162%
mai/200,2162%
jun/200,1733%
jul/200,1303%
ago/200,1303%
set/200,1159%
out/200,1159%
nov/200,1159%
dez/200,1159%
jan/210,1159%
fev/210,1159%

O CDI vai continuar caindo?

A perspectiva dos economistas é que a taxa básica de juros volte a subir gradualmente ao longo de 2021. De acordo com as projeções coletadas no relatório Focus, elaborado pelo Banco Central, a Selic deve encerrar 2021 em 4%.

Caso confirmada, a alta dos juros aumentará também a rentabilidade da taxa DI. Por consequência, todas as aplicações que têm o rendimento calculado pelo CDI devem ganhar atratividade e gerar um retorno maior para o investidor.

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