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Mulheres em cargos de liderança ganham, em média, 23% a menos que homens

PUBLICADO EM: 20.10.20 | 12H32
ATUALIZAÇÃO: 20.10.20 | 12H56
Um levantamento feito pela Catho aponta que único cargo em que mulheres têm salário maior é o de assistente

Desigualdade de gênero: ouvir “a chefe” tem sido cada vez mais comum nas empresas, graças aos avanços no debate sobre a equidade de gênero

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Da Redação

Repórter da Exame



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A pandemia da covid-19 está mudando a vida de todos. Com o distanciamento social, as dinâmicas de trabalho se alteram, as crianças deixam de ir à escola e até o ato de fazer compras está diferente. Nesse cenário, especialistas apontam que as mulheres são especialmente afetadas. Um dos motivos é a atribuição dos serviços domésticos não remunerados, ou seja, os cuidados da casa e da família, que se tornam ainda mais intensos. Para elas, em 2019 esse cuidado tomou 21 horas semanais, uma diferença de cerca de 10 horas a mais do que os homens.

Mas com a retomada ao trabalho, as coisas não serão totalmente resolvidas. Ouvir “a chefe” tem sido cada vez mais comum nas empresas, graças aos avanços no debate sobre a equidade de gênero, o equilíbrio de espaços e direitos no mercado de trabalho, mas a realidade ainda está longe do ideal. É o que aponta levantamento da Catho com mais de 10 mil participantes.

Segundo os dados do estudo, mulheres em cargos de liderança como gerentes e diretoras ganham, em média, 23% a menos do que homens nas mesmas posições. O salário desigual também é visto nos cargos de coordenador (-15%), especialista graduado (-35%), analista (-34%), especialista técnico (-19%) e operacional (-13%). A exceção é a posição de assistente em que mulheres costumam receber 2% a mais.

"Os dados mostram que embora a disparidade tenha diminuído em alguns cargos em relação à última pesquisa divulgada pela Catho, a desigualdade salarial entre os gêneros ainda é muito latente e requer esforços genuínos das empresas. O caminho certamente começa pelo debate, mas precisamos de mais ações e políticas concretas de inserção e de igualdade de condições, para que efetivamente seja possível sanar esse grande problema social", destaca Patricia Suzuki, diretora de Gente e Gestão da Catho.

A analista de ESG da Exame Research, Renata Faber, explica como a equidade de gênero é considerada no ESG. “É absurdo pensar que, em alguns casos, uma mulher ganha menos que um homem para realizar a mesma função. O fato de estarmos discutindo isso, mostra que infelizmente existe um preconceito no mundo corporativo. As empresas com alto padrão ESG valorizam a diversidade, e não tem nenhuma diferença salarial para o mesmo cargo em função do gênero”, disse a especialista.

O levantamento ainda mostra que a remuneração também é desigual em todos os níveis de escolaridade. Profissionais do gênero feminino com pós-graduação, MBA ou especialização, chegam a receber 47% a menos em relação aos homens.

"Maioria da população brasileira, as mulheres são chefes e responsáveis pelos sustento de 45% das famílias no país, por isso que apoiar essa luta é contribuir positivamente para a sociedade como um todo. A Catho sabe disso e se posiciona como aliada das mulheres nessa caminhada por direitos", conclui Patricia Suzuki.

Uma pesquisa da consultoria e auditoria PwC estima que a equalização dos ganhos entre homens e mulheres nos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) pode aumentar o produto interno bruto em 6 trilhões de dólares. Já o Fundo Monetário Internacional aponta que a eliminação das desigualdades de gênero no trabalho, o aumento do tempo de permanência das mulheres no emprego e a chegada a posições de liderança beneficiariam toda a população, com um aumento de 35% no PIB global.

“Algumas empresas já entenderam que a diversidade gera criatividade e inovação, e isso gera valor; por isso empresas já estão trabalhando para aumentar a diversidade em seus quadros. Uma empresa que almeja ter um time diverso, tem que ter paridade salarial entre homens e mulheres – caso contrário, as mulheres vão sair em busca de empresas onde o gênero não influencie na sua remuneração. Se você quer ter os melhores profissionais, independente do gênero, tem que pagá-los como os melhores”, conclui Faber.

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