MERCADOS

Quer pegar carona na alta de commodities? Veja 3 maneiras de investir

PUBLICADO EM: 13.1.21 | 6H00
ATUALIZAÇÃO: 13.1.21 | 15H26
Alternativas vão além de ações de empresas produtoras de matérias-primas; ETFs e contratos futuros estão disponíveis para o investidor

Mina de minério de ferro da Vale: é possível investir em ativos para explorar indiretamente a variação da commodity

Guilherme Guilherme

Repórter de câmbio e bolsa de valores da EXAME.



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A forte valorização de commodities, que são matérias-primas negociadas no mercado internacional, nos últimos meses tem levado analistas a apontar que a economia pode estar diante de um novo ciclo duradouro de alta dos preços desses ativos, a exemplo do que aconteceu nos anos 2000.

Sustentado pela expectativa de aumento de demanda da China e da injeção de trilhões de dólares pelo governo americano na economia, o principal índice de commodities da Dow Jones subiu 10% desde dezembro e está em seu maior nível em quase oito anos.  

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Diante desse quadro, é natural que o investidor se pergunte como pegar carona em ativos que estão se valorizando tão fortemente.

Minério de ferro, petróleo, gado, milho, ouro, soja, açúcar e até suco de laranja. As opções de investimento em commodities são diversas, assim como as formas de tentar lucrar com esse mercado. De forma geral, as commodities são negociadas no mercado de futuros. Mas, como seu preço afeta a rentabilidade de empresas do setor, é comum investidores optarem pelo mercado de ações ou em ETFs para tentar surfar na alta das cotações. 

Veja abaixo as classes de investimentos em que é possível negociar ativos de commodities:

Ações

Ainda que petróleo, minério de ferro e celulose não sejam negociados na B3, as ações de empresas que atuam nesses setores tendem a acompanhar a variação do preço das commodities. Em 2020, por exemplo, as ações da Petrobras se valorizaram em seis dos sete meses em que o petróleo do tipo Brent fechou em alta; elas terminaram o ano com uma diferença de variação de apenas dois pontos percentuais em relação à da commodity. 


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Correlação semelhante ocorre entre os papéis da Suzano (SUZB3) e da Klabin (KLBN3) e o preço da celulose e entre as ações da Vale (VALE3) e o minério de ferro. As ações de CSN (CSNA3) e outras siderúrgicas, como Usiminas e Gerdau, também costumam acompanhar o preço do minério, ainda que as empresas tenham maior participação na produção de aço.

"Essa é a forma como a maioria dos brasileiros fazem, por ser a mais simples. Com a ampla liberação dos BDRs [forma como ações estrangeiras são negociadas na B3] para a pessoa física, também é possível operar por meio de empresas estrangeiras que se beneficiem da alta das commodities", afirma Rodrigo Franchini, sócio da Monte Bravo.

É importante ter em mente que investirinvestir em ações visando a variação de uma determinada commodity não blinda o investidor dos fatores inerentes a cada empresa. Quem, por exemplo, comprou ações da Dommo (antiga OGX) no início de 2016 visando um repique do preço do petróleo terminou o ano com perdas de 43,3%, enquanto o preço do barril subiu 17,7%. 

ETFs

Para quem busca uma estratégia mais pulverizada, sem precisar depender do sucesso de uma commodity específica, a opção são os ETFs, que são fundos (geralmente) passivos, criados para perseguir um determinado índice de mercado, setorial ou temático. No Brasil, o ETF que mais se aproxima do desempenho de commodities é o It Now IMAT (MATB11). Atrelado ao Índice de Materiais Básicos, o ativo tem exposição, principalmente, a ações ligadas ao minério de ferro e celulose. 

Já quem tem conta em corretora estrangeira pode ter acesso aos ETFs compostos por commodities adquiridas no mercado futuro, sem se preocupar com margem de garantias ou datas de vencimento dos contratos. Um dos ETFs mais famosos dessa modalidade é o PDBC, composto por petróleo (e seus derivados), trigo, milho, ouro, soja e açúcar e gás natural. Segundo a plataforma ETF Database, seu volume sob gestão é de 2,86 bilhões de reais. 

Mercado futuro

É no mercado de futuro em que as commodities são negociadas em sua forma mais pura. No entanto os produtos não são concentrados em uma única bolsa. Na B3, são nove produtos disponíveis, entre eles ouro, boi gordo, milho, soja, açúcar cristal e café. Algumas das commodities mais populares, porém, estão apenas em bolsas estrangeiras.

O minério de ferro, por exemplo, é negociado na em Dalian (na China), enquanto o petróleo é operado em Nova York (tipo WTI) e em Londres (o Brent). Para operar esses ativos, portanto, é necessário abrir conta em corretoras estrangeiras. E ainda que seu acesso tenha se tornado mais fácil com a ajuda da internet, é importante verificar o histórico da corretora e por quem é regulamentada.

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Outro fator que pode ser um empecilho para quem quer negociar commodities no mercado futuro são os valores cobrados por contrato, que podem ser relativamente altos. Na B3, cada contrato do boi gordo, por exemplo, equivale a 330 arrobas (cerca de 5 toneladas). Com a arroba sendo negociada a 290 reais, o valor do contrato é de 95.700 reais. Mas não é necessário todo esse montante para negociar boi gordo na bolsa, apenas um percentual do valor cheio (a margem de garantia) para possibilitar a alavancagem. 

É importante ter em mente que nesse tipo de operação há o risco de as perdas superarem a quantia de recursos disponíveis, fazendo com que o investidor fique em dívida com a corretora. Por outro lado, os ganhos também são potencialmente mais altos do que os apresentados no mercado à vista.


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Guilherme Guilherme

Repórter de câmbio e bolsa de valores da EXAME.


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