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3 small caps que estão na BlackFriday da Bolsa, segundo a gestora Trígono

PUBLICADO EM: 24.11.20 | 6H30
ATUALIZAÇÃO: 25.11.20 | 8H37
Cotadas abaixo de 30 reais por ação, gestora focada em small caps aponta papéis que, na sua visão, estão baratos, mas com alto potencial pela frente
Trígono - Werner e Frederico

Foto de Paula Barra da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Especializada na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub | paula.barra@exame.com



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De olho em empresas “deixadas de lado” por corretoras e bancos, a Trígono Capital, gestora focada em small caps, acredita que há ações muito mal precificadas hoje, sendo negociadas com desconto: é uma espécie de BlackFriday da Bolsa, justamente porque o mercado se “esqueceu” delas. São empresas com valor de mercado abaixo de 5 bilhões de reais, que não atraem interesse das grandes instituições financeiras e passam a ser negociadas com bastante desconto em relação ao seu valor justo, mas com alto potencial de valorização.

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Em entrevista à EXAME Invest, Werner Roger, gestor da Trígono Capital, com 38 de experiência no mercado financeiro, revelou três dessas ações que, na sua visão, estão baratas e podem representar boas oportunidades. A gestora tem posição nelas atualmente. 

O principal fundo da casa, o Trígono Flagship, focado 100% em small caps (empresas com valor de mercado abaixo de 5 bilhões de reais), rendeu 24,6% nos últimos doze meses até 20 de novembro, contra 5,4% do Índice de Small Caps (SMLL) da B3. Werner explica que, para a seleção dos ativos, enquanto o mercado compra seus produtos no início da feira, quando os preços são mais altos, a gestora se aproveita dos preços de fim de feira. Só que, ele defende, com a qualidade idêntica àquela apresentada no início do dia. “Os produtos são os mesmos, mas com a diferença do preço”.

Das ações que vê como grandes apostas na carteira hoje, ele apontou: São Martinho (SMTO3), Tupy (TUPY3) e Simpar (SIMH3). Todas são negociadas em Bolsa hoje abaixo de 30 reais por ação. 

No ano, São Martinho e Simpar acumulam valorização de 10,3% e 12,6%, respectivamente, enquanto Tupy recua 16,63%.   

Em relação às teses de investimento, Werner comenta que a São Martinho ganha duplamente: primeiro, com o açúcar, que, em real, está mais de 60% acima do preço do ano passado; segundo, com o câmbio, citando que o etanol, em dólares, está com o preço 20% superior ao de 2019 neste momento. “E para o ano que vem, a empresa já está fechando a cotação do açúcar para a safra 21/22 com preço excelente”.

Além disso, aponta que Joe Biden -- como presidente dos Estados Unidos -- deve privilegiar energias limpas e renováveis e voltar a aderir ao Acordo de Paris, o que poderá beneficiar o consumo de etanol nos EUA, além de negociação de créditos de carbono.  

Segundo ele, a Tupy também deverá se beneficiar com Biden devido a estímulos à economia, especialmente em infraestrutura e energia limpa, e que o setor imobiliário também deve ir bem. “Todos esses setores são atendidos pela Tupy nos EUA.”

Além disso, ele ressalta que a Tupy -- principal posição do fundo Flagship atualmente -- possui 85% das receitas fora do Brasil e mais de 60% nos EUA, o que corrobora com a tese central da gestora baseada na desvalorização do real. Adicionalmente, a compra da Teksid ainda sob análise de órgãos regulatórios significa dobrar de capacidade da companhia, uma maior penetração na Europa e entrada no China via uma joint venture. No Brasil, a venda de caminhões deve dar um bom impulso, diz.

(BTG Pactual Digital/Divulgação)

Para a holding Simpar, controladora da JSL e da Movida, Werner comenta que a empresa está em uma rota de crescimento e que a subsidiária Movida tem surpreendido muito. “O grupo sairá da crise de covid-19 em situação bem melhor, sendo um dos poucos nessa condição. É uma empresa de capital intensivo e cresce com investimentos em frota e aquisições. A queda nos juros e no custo do capital são duplamente positivos”.

Além disso, ele destaca que o segmento de logística captura o bom momento do agronegócio, da mineração, da infraestrutura e até do e-commerce. “Novos hábitos de consumo e práticas de venda de seminovos favorece a Movida. Também a escassez de veículos zero, tanto leves como pesados, favorece a venda e a margem de seminovos tanto da Movida quanto da Vamos”. O gestor indica ainda que a oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) da JSL capitalizou mais o grupo, que conta agora com três empresas listadas. 

Estratégia 

Desde a sua criação, em abril de 2018, o fundo Flagship acumula valorização de 95,1%, contra alta de 45,1% do Índice de Small Caps. 

Werner conta que, para a seleção de ativos, ele e sua equipe sempre olham para os princípios ESG (sigla em inglês para ambiental, social e governança), dividendos e uma terceira vértice que é a metodologia de avaliação de Valor Econômico Adicionado (EVA, na sigla em inglês) para determinar o valor justo ou intrínseco das empresas avaliadas. Segundo ele, é a única gestora que usa essa metodologia. 

Ele comenta que a gestora tem uma abordagem bottom-up, indo em busca do valor das empresas, e não de exposição setorial, como faz a maioria do mercado. "Temos posicionamento em alguns setores, mas não por escolha dos setores, mas das empresas. Há setores que o mercado esqueceu, como bens de capital, e ficaram baratos, como é o caso de Tupy, presente em todos os portfólios da casa", diz. 

Segundo o gestor, a casa tem posição importante no setor industrial, destoando da pouca participação do segmento no Índice de Small Caps. “Não olhamos para o índice. Buscamos empresas menos conhecidas, mas com cotação bastante descontada frente ao que acreditamos ser justo. A questão é a semente ser muito bem selecionada, com cultivo adequado e o momento certo para a colheita.”

Depois da temporada de balanços no terceiro trimestre, que, na sua avaliação, foi “excelente”, Werner acredita que o resultado das empresas investidas no quarto trimestre será ainda melhor. Ele se mostra bastante animado para 2021, com a redução das incertezas em relação à pandemia, que afetaram o segundo trimestre deste ano, e com câmbio possivelmente acima de 5 reais. “Estamos bem otimistas em relação às nossas teses e aos setores ligados ao agronegócio diretamente, empresas de logística e com receitas em moeda estrangeira e no exterior.”

Desde 2015, a gestora vem privilegiando empresas exportadoras, com receitas em moeda estrangeira. “Ficamos bem posicionados nessas empresas relacionadas a câmbio, agronegócio e indústria”. 

Além do Trígono Flagship, a gestora possui, entre seus principais produtos, um fundo focado em dividendos, o Trígono Delphos Income, com valorização de 2,7% nos últimos doze meses, contra queda de 10,7% do Índice de Dividendos (IDIV), e um de previdência, o Trígono Icatu 100 FIA Prev, todos com objetivo de investimento em small caps.

“Vemos esses papéis muito mal precificados no mercado e arbitramos essa má precificação”. O Trígono Icatu PREV FIA, por ter sido lançado em julho, conta com menos de seis meses de existência e, portanto, ainda não tem atualização de rentabilidade, conforme regra da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Foto de Paula Barra da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Especializada na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub | paula.barra@exame.com


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