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A vez do ESG: empresas criam cargos para liderança sustentável e diversa

PUBLICADO EM: 1.4.21 | 16H24
ATUALIZAÇÃO: 13.4.21 | 15H22
Companhias anunciam contratações de profissionais responsáveis por criar estratégias ligadas aos critérios ambientais e sociais

Liderança diversa: empresas criam cargos ESG para promover diversidade, inclusão e sustentabilidade (Getty Images/iStockphoto)

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Maria Clara Dias

Repórter da Exame



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Quando Joyce Costa recebeu o convite para assumir a liderança da recém-criada área de ESG da empresa de tecnologia Qintess, ficou claro o direcionamento da companhia rumo à sigla que tem baseado as decisões de mercado. A executiva, que é ex-assessora do consulado dos Estados Unidos, trabalhou nos últimos anos com as áreas de educação e cultura. O match entre a experiência com temas de importância social e tecnologia acontece agora na startup que atende mais de 2 mil empresas oferecendo soluções de TI e transformação digital.

“Queremos estar na linha de frente junto com outras organizações que também lideram essa pauta", diz Costa, que será responsável por conduzir as parcerias da Qintess com empresas, centros de inovação e organizações não governamentais ligados aos temas de sustentabilidade.

Com a crescente pressão de consumidores por posicionamentos mais éticos de empresas, e a exigência de investidores por resultados financeiros positivos e resilientes, o ESG deixou de ser assunto econômico e entrou na ordem dos negócios. Em 2020, o discurso sobre incorporar práticas sustentáveis e sociais ganhou força e, diante da pandemia, companhias precisaram mudar sua postura diante de temas como as mudanças climáticas e contribuição com a sociedade civil.

Nesse cenário, empresas como a Qintess decidiram que uma liderança ESG centralizada é um dos melhores caminhos para isso.


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A atuação, segundo a executiva, é multidisciplinar e envolve todo o time. “O ESG, apesar de ser um trabalho em equipe, demanda uma liderança para orquestrar as ações das empresas. Ter uma pessoa dedicada a isso só reforça o compromisso de uma organização de tornar estratégica a questão ESG no dia a dia”, diz.

Do ponto de vista da diversidade, Costa pretende acelerar as metas de Qintess de aumentar o número de mulheres em cargos de liderança e  taxas de contratação de grupos minoritários. “Acompanhar essas métricas e tornar a evolução constante é uma missão evolutiva”, diz. Até 2025, a empresa prevê investir 10 milhões de reais para fomentar a diversidade, o empreendedorismo e a inovação social no Brasil, com a meta de treinar 2.000 jovens de periferias e facilitar o acesso ao setor de tecnologia.

Costa também irá ajudar a empresa a cumprir o objetivo de ter ao menos de 50% dos projetos de negócios atrelados ao impacto social até 2022.

Sob a premissa de responder ao chamado social e ter um papel ativo no impacto positivo que vai além do retorno financeiro aos acionistas, a Via Varejo também anunciou a promoção de duas mulheres a posições ligadas ao ESG.

Amanda Ferreira passa a ser embaixadora de diversidade, enquanto Vanessa Romero assume como embaixadora de sustentabilidade.

“Essa não é uma movimentação que estamos fazendo porque o mercado espera isso de nós”, diz Roberto Fulcherberguer, presidente da Via Varejo. “É uma decisão estratégica para a companhia e elas terão uma atuação transversal”. Na prática, isso significa que, além de representarem os temas da porta para fora, as embaixadoras atenderão a todas as áreas da Via Varejo com a premissa de encontrar soluções mais diversas e sustentáveis.

Segundo o executivo, a preocupação com diversidade foi um dos principais motores para a promoção das executivas (que já estavam na companhia) aos cargos de liderança. “Não conseguimos entender quem são e como nos relacionamos com nossos consumidores se não formos capazes de sermos diversos”, diz.

“Com duas embaixadas voltadas ao E e o S do ESG, compilamos tudo o que a empresa já vem fazendo e mostramos que há uma expertise no assunto”, diz Ferreira, embaixadora de diversidade. Parte da missão será pensar em ações de engajamento e colaboração e processos de admissão mais diversos, afirma.

A Via Varejo tem hoje grupos de afinidades, formado por colaboradores alinhados com as principais causas da atualidade, como o de pessoas com deficiência e LGBTQI+. As metas da empresa no quesito diversidade em equipes e pluralidade racial e de gênero serão divulgadas em breve, segundo Fulcherberguer.

“Nossa meta é fazer com que o tema esteja presente em todas as decisões. Na prática, teremos de ser um hub que possa ser procurado por todas as áreas que querem ter uma atuação mais sustentável, seja na logística, nos recursos humanos ou no setor comercial”, diz Romero, embaixadora de sustentabilidade.

Para Costa, da Qintess, a liderança ESG hoje ainda é diferenciação estratégica, mas em pouco tempo será só a regra do jogo. “O aumento de contratações de executivos nessa área fortalece as parcerias entre profissionais, empresas e o mercado. Mas, num futuro próximo, não será nada além do normal”, afirma.

Hélio Muniz, diretor de Sustentabilidade da Via Varejo, compartilha da mesma opinião . Para Muniz, as lideranças com foco em ESG serão, cada vez mais, incorporadas a todas as áreas. “Isso terá tão permeado em todos os níveis e em todos os executivos, que não fará sentido ter uma área de diversidade ou sustentabilidade”.

O caminho, porém, ainda é longo, e as empresas passarão por diversas transformações até que isso se dissolva nas operações. “É uma jornada e, assim como todas as empresas do Brasil, estamos no início. É provável que vejamos ainda muitos cargos ESG até lá, até mesmo presidentes e vice-presidentes”.

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Outras iniciativas

A ">chegada de Rachel Maia, ex-presidente da Pandora e Lacoste à JBS, também reforça o argumento. A executiva irá atuar como consultora e liderar programas de diversidade na empresa. Segundo a JBS, Maia irá atuar para o letramento da alta liderança da empresa sobre questões relacionadas à equidade racial, de gênero e PCD (pessoas com deficiência). “A JBS tem o compromisso de espelhar em seu quadro de talentos a diversidade das regiões onde está inserida”, diz Wesley Batista Filho, presidente da JBS Brasil.

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