Ações da Hapvida e Intermédica disparam após acordo de fusão; vale a pena entrar? | Exame Invest
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Ações da Hapvida e Intermédica disparam após acordo de fusão; vale a pena entrar?

PUBLICADO EM: 1.3.21 | 19H03
ATUALIZAÇÃO: 1.3.21 | 19H05
Com potencial de gerar a segunda maior empresa de saúde do Brasil, fusão das operadoras de planos pode acelerar a captação de clientes e reduzir custos operacionais

Hapvida, a maior operadora de planos do Nordeste, anunciou um acordo de fusão com a NotreDame Intermédica

Bianca Alvarenga

Repórter especializada em finanças pessoais e investimentos, passou pelas redações de Veja, Folha de S. Paulo e 6 Minutos.



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As ações da Hapvida (HAPV3) e da NotreDame Intermédica (GNDI3) dispararam no pregão desta segunda-feira, 1º, após o anúncio do acordo de fusão das duas empresas de planos médicos. Na noite de ontem, as companhias divulgaram a confirmação da operação que pode criar o segundo maior grupo de saúde do país. Para valer, a fusão ainda precisa passar pelos órgãos regulatórios.

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Apesar de não estar líquido e certo, o casamento entre a Hapvida e a Intermédica gerou grande expectativa no mercado. No encerramento do pregão de hoje, os papéis HAPV3 subiram 5,29% e os GNDI3 tiveram alta de 3,41%.

Os investidores esperam um ganho de sinergia entre as duas empresas, que têm estruturas bastante similares. Ambas são operadoras de plano com atendimento verticalizado -- ou seja, além de comercializarem os convênios, tanto a Hapvida quanto a Intermédica operam uma rede própria hospitais, clínicas e laboratórios.

A diferença é que a Hapvida tem atuação forte no Norte e Nordeste, enquanto a Intermédica tem a carteira de clientes concentrada no Sudeste. Cada uma delas tem cerca de 9% de participação de mercado.

A nova empresa deve ter a Hapvida como acionista principal, com 53,6% de participação. A NotreDame Intermédica ficará com os outrs 48,4%. A família Pinheiro, dona da Hapvida, será o maior acionista individual, com aproximadamente 37,5% das ações.


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"O setor de saúde é um negócio altamente escalável, de forma que processos de fusão e aquisição costumam levar a economia de despesas com insumos e equipamentos médicos", ressaltou o Banco BTG (que faz parte do mesmo grupo que controla a EXAME) em relatório.

Os analistas do BTG lembram, ainda, que a fusão deve gerar uma redução de aproximadamente 6 bilhões de reais nos impostos pago pela empresa resultante do negócio. Além da questão operacional, os investidores se animaram com a avaliação 15% superior à média de preço das ações da Intermédica. Parte do bônus será pago em dividendos aos atuais acionistas.

O acordo ainda será analisado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), órgão que regulamenta o setor de saúde privado.

"Acreditamos que os riscos (de não-aprovação) são baixos, dada a inserção geográfica diversa e a solvência adequada das duas companhias", disse o banco Credit Suisse, em relatório.

De acordo com Henrique Esteter, analista da corretora Guide Investimentos, a velocidade de aprovação da fusão e a capacidade das duas empresas em unificarem suas estruturas serão cruciais para o desempenho das ações daqui para a frente.

Até que a operação seja aprovada, as ações HAPV3 e GNDI3 continuarão a ser negociadas separadamente.

Efeito pandemia

Apesar das expectativas positivas quanto à fusão das duas empresas, há ainda uma preocupação quanto ao impacto da pandemia do coronavírus na operação das empresas de saúde.

Por serem verticalizadas, tanto a Hapvida quanto a Intermédica devem sentir o impacto financeiro do crescimento das internações de pacientes com covid-19 em seus hospitais. Essa foi uma preocupação importante no início do ano passado, mas a redução dos atendimentos eletivos acabou equilibrando as despesas das operadoras.

"As pessoas voltaram a ir aos hospitais para atendimento não-emergencial, e em paralelo temos visto um rápido preenchimento dos leitos de covid-19. Acredito que a partir deste mês podemos ver as operadoras de saúde voltando a apresentar algum tipo de dificuldade para equilibrar os custos", alerta Esteter, da Guide.


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Bianca Alvarenga

Repórter especializada em finanças pessoais e investimentos, passou pelas redações de Veja, Folha de S. Paulo e 6 Minutos.


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