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Aquecidas por fusões e aquisições: quais varejistas ter na carteira?

PUBLICADO EM: 31.7.21 | 14H14
ATUALIZAÇÃO: 2.8.21 | 10H56
Tendência de consolidação deve continuar ditando o setor e analistas apontam Renner como uma das principais apostas a realizar as próximas transações
Lojas Renner: emissão de dívida neste ano em condições mais favoráveis do que em 2020

Loja da Renner: ação pode se beneficiar de potenciais aquisições nos próximos meses, segundo analistas | Foto: Divulgação

Foto de Paula Barra da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Especializada na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub | paula.barra@exame.com



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Nos últimos trimestres, as redes varejistas de vestuário e calçados têm liderado os movimentos de fusões e aquisições no país. Só no fim do ano passado, a Arezzo (ARZZ3) comprou o grupo Reserva; o SBF (SBFG3), dono da Centauro, adquiriu o capital da Nike do Brasil e da NWB, que detém o canal Desimpedidos; e, em 2021, o grupo Soma (SOMA3), das marcas Farm e Animale, se uniu à Cia Hering (HGTX3), entre os maiores destaques. 

Mesmo após essa forte movimentação, analistas do mercado acreditam que essa tendência deve continuar nos próximos meses. Por dois motivos: os maiores players do mercado estão com dinheiro em caixa (depois de uma série de ofertas de ações) e o setor ainda segue muito fragmentado no país. 

"A expectativa é que essas operações [de fusões e aquisições] se acelerem no segundo semestre. As grandes empresas, que tiveram mais facilidade de levantar recursos na pandemia, estão muito capitalizadas e vão querer colocar esse dinheiro para trabalhar", disse Bruno Lima, head de Equity Research do BTG Pactual digital.

Diante do mercado aquecido, as ações de Arezzo, SBF, Grupo Soma e Hering acumulam neste ano ganhos de 33%, 18%, 31% e 117%, respectivamente, contra um avanço de cerca de 2% do Ibovespa no mesmo período.

"O setor está superaquecido. E, por ser ainda muito pulverizado, vemos abertura para uma possível consolidação. Temos visto diversos players do varejo de moda e farmacêutico se mexendo para capturar esse crescimento inorgânico", comentou Pedro Serra, chefe de research da Ativa Investimentos. 

Quais as ações mais interessantes neste cenário?

A Lojas Renner (LREN3) aparece como uma das principais apostas dos analistas, principalmente depois de ter levantado 4 bilhões de reais com uma oferta subsequente (follow-on) de ações em abril deste ano.

"A Renner manteve por muitos anos uma abordagem discreta para movimentos inorgânicos [de fusões e aquisições], mas essa oferta indica que a empresa pode ter mudado de postura", escreveram analistas do Credit Suisse em relatório divulgado na época do anúncio do follow-on.

Nessa direção, a empresa informou em julho a aquisição da Repassa, plataforma online de revenda de vestuário, calçados e acessórios, mas o mercado aguarda por novas movimentações, e possivelmente maiores.

"O valor pago pela Repassa deve ter sido relativamente baixo [a Renner não revelou o montante desembolsado]. Acreditamos que aquisições maiores devem acontecer", disse Serra.

Para ele, as ações da companhia aparecem como uma das mais interessantes no setor neste momento e estão descontadas no mercado.

"A Renner levantou bastante recursos nos últimos meses e tem tempo que não faz uma aquisição relevante. Faz sentido pensar que ela está se movimentando para isso", disse Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos.

Em relatório da metade deste mês, o Goldman Sachs destacou as ações da Renner como suas preferidas no setor de varejo de vestuário e que são negociadas em um ponto de entrada atrativo. O banco tem recomendação de compra para LREN3, com preço-alvo em 55,00 reais, com potencial de valorização de 33% frente ao último fechamento.

Além da Renner: Americanas, C&A e Arezzo

Cruz mencionou positivamente também Americanas (AMER3), que depois de passar boa parte do ano passado focada na união das operações da antiga B2W e da Lojas Americanas (LAME4) mostrar novidades no segundo semestre.

"A união das operações das companhias traz sinergias interessantes sozinhas, mas também dá espaço para a empresa começar a focar em aquisições", disse o estrategista.

"A Americanas até fez algumas aquisições neste semestre, mas bem tímidas quando comparadas com suas concorrentes, principalmente Magazine Luiza [MGLU3]", comentou.

Mas a lista não para por aí. Para Cruz, outros dois nomes de varejo de vestuário devem ficar no radar dos investidores. São eles: 1) a C&A (CEAB3), que vê como barata na Bolsa (negociando a 8 vezes o múltiplo valor da firma sobre Ebitda – ou EV/Ebitda, na sigla em inglês) e que também já foi alvo nos últimos meses de rumores sobre aquisições; e 2) a Arezzo, que cada vez mais está se consolidando como um dos principais grupos de moda do país.

Serra também destacou as ações da Arezzo. "Gostamos bastante de Arezzo. Ela comprou recentemente a marca digital de roupas Baw [voltada ao público jovem]. No Instagram, a marca tem mais de 1 milhão de seguidores, criando um engajamento sempre alto." Ele ressaltou também a compra da My Shoes pela companhia no mês passado, o que contribui para aumentar seu mercado endereçável e oferta de produtos.

Varejo ex-vestuário

O movimento de fusões e aquisições deve contribuir ainda para outros segmentos do varejo, além do vestuário, apontam os especialistas.

Na parte de varejo farmacêutico (considerando medicamentos comercializados na ponta final), Serra apontou como interessante a Hypera (HYPE3), citando que a companhia realizou importantes aquisições do fim de 2019 para cá, como da marca Buscopan e uma carteira de mais de 18 medicamentos da Takeda. Ambos já trouxeram boas sinergias nos resultados do segundo trimestre deste ano. Além disso, o acordo com a Sanofi, anunciado no mês de julho, deve trazer maior recorrência e inclui um portfólio de produtos com alto potencial de crescimento.

A Pague Menos (PGMN3) também aparece como um bom case de investimento, destacou Serra. "Sem a Extrafarma (aquisição anunciada em maio), já víamos crescimento para a companhia. Juntas, há um potencial ainda maior. Com a aquisição, a Pague Menos pode, pelo seu poder de barganha com fornecedores, conseguir aumentar as vendas por lojas da Extrafarma e reduzir seus custos", comentou.

Na área de varejo de produtos para pets, Cruz ressaltou os papéis da Petz (PETZ3). "A empresa tem sido destaque entre todas as casas de análise e gestoras que converso. Todos gostam do case. A companhia tem uma gestão muito boa, com um forte plano de expansão. Ela não precisa que muita coisa dê certo para que o cenário seja bom", ressaltou.

"É um papel de que gosto bastante e que acho que tem que ficar no radar no investidor", disse.

Já do lado dos segmentos com menor potencial de crescimento, Cruz apontou a parte de varejo alimentar, como Assaí (ASAI3), Carrefour (CRFB3) e Pão de Açúcar (PCAR3). "Entendo que há uma tendência boa de longo prazo e que o setor esteja em um momento interessante por causa do auxílio emergencial, mas valorizou muito nos últimos meses."

"Para o investidor que busca ganho de capital, não acho que essa seja a parte do varejo que deva olhar, mas se, ainda assim, ele quiser ter alguma exposição ao segmento, destacaria o Grupo Mateus (GMAT3)."

"Os papéis não estão tão descontados quando comparados com seus pares, mas, por ter uma forte atuação no Nordeste, a empresa pode ganhar com o forte crescimento da região", afirmou o analista.

Foto de Paula Barra da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Especializada na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub | paula.barra@exame.com


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