MERCADOS

Surpresas e decepções dos balanços do 4º tri; e o que esperar de 2021?

PUBLICADO EM: 9.4.21 | 13H09
ATUALIZAÇÃO: 9.4.21 | 21H18
Resultados confirmam tendência de recuperação das empresas de capital aberto, guiada por commodities; receita e lucro, no geral, superam expectativas do mercado
Produção; Gerdau; Vergalhão, Siderúrgica

Operário trabalha em usina siderúrgica da Gerdau

Foto de Paula Barra da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Especializada na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub | paula.barra@exame.com



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A temporada de balanços do quarto trimestre de 2020 se encerrou no fim do mês passado. Segundo dados da Bloomberg, o lucro das 79 empresas do Ibovespa superou em 105% as expectativas do mercado, enquanto a receita, em 5,8%. 

Na comparação anual, a receita consolidada das companhias brasileiras de capital aberto, excluindo Petrobras (PETR3; PETR4) e Vale (VALE3), cresceu 15,6% no último trimestre de 2020; o lucro avançou 29,9%; e a geração operacional de caixa (Ebitda), 24,7%.  

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A Petrobras e a Vale foram retiradas do cálculo por distorcerem as contas, dado o gigantismo das empresas. A petroleira, por exemplo, teve lucro de 59,8 bilhões de reais no quarto trimestre, o maior lucro trimestral de uma empresa de capital aberto. A mineradora teve ganhos de 4,8 bilhões de reais no período, somando no ano 24,9 bilhões de reais.  

Enquanto a receita (excluindo Petrobras e Vale) no período foi puxada pelas empresas dos setores de varejo e alimentos, o Ebitda e o lucro foram impulsionados principalmente por empresas de commodities, comentou o analista Vitor de Melo, da EXAME Invest Pro.  

“Rompendo a tendência observada nos últimos trimestres, o setor de maior impacto para o crescimento do Ebitda não foi o alimentar, mas, sim, óleo e gás, especialmente devido aos excelentes resultados de Braskem (BRKM5)”, disse. 

Ele aponta que os segmentos de metais e mineração e papel e celulose também contribuíram para o crescimento da geração operacional de caixa no trimestre, em grande parte por causa dos bons resultados de Gerdau (GGBR4) e Suzano (SUZB3)

Olhando apenas para empresas nacionais e isolando commodities (uma vez que essas empresas têm parte relevante de suas receitas e dívidas atreladas ao dólar e acabam alterando a amostra), Melo disse que o faturamento das companhias domésticas caiu 3% no trimestre, mas que o resultado foi melhor do que o esperado. O lucro também recuou, afetado principalmente pelos balanços dos bancos. 

No entanto, “no atual cenário pandêmico, em que a economia ainda se recupera de uma grande retração, consideramos esses resultados relativamente bons”, ressaltou.

Outros destaques

Pedro Serra, gerente de research da Ativa Investimentos, destacou como positivo os números de Arezzo (ARZZ3), que, segundo ele, trouxeram uma sinalização de que a empresa é capaz de se recuperar do impacto provocado pela pandemia. 

Outro segmento que chamou atenção, de acordo com ele, foi o de distribuição de energia. “Esperávamos ainda números fracos, uma vez que as companhias não podem cortar a energia durante a pandemia. Mas a Cemig (CMIG4) conseguiu apresentar melhora na perda de energia e em outros números que nos surpreederam, como inadimplência”, comentou. 

Para Serra, os balanços das empresas de supermercados também vieram fortes e podem, na visão dele, seguir nessa toada no primeiro trimestre deste ano, beneficiados por novas medidas de restrição à circulação, com mais pessoas fazendo suas refeições em casa, por exemplo.  

Do lado negativo, ele apontou o setor de educação, que segue com o cenário "bem desafiador", e as geradoras de energia, com uma situação ainda difícil por causa do risco hidrológico (GSF, na sigla em inglês), com o nível de reservatórios ainda muito baixos, ressaltou. 

De 23 setores não financeiros, o de educação foi o único que apresentou prejuízo no trimestre, fechando o período com perdas de mais de 4 bilhões de reais na soma das quatro empresas com capital aberto, segundo levantamento da Economatica. No último trimestre de 2019, o setor encerrou com prejuízo de 141 milhões de reais.

Na outra ponta, o setor de energia elétrica, com 33 empresas, foi aquele que teve maior lucro acumulado no período, que chegou a 18,7 bilhões de reais. O resultado só foi menor do que os dos bancos (que foram excluídos da lista e somaram no período lucro de 26,30 bilhões de reais).

Na sequência aparecem os setores de alimentos e bebidas, com ganhos de 13,40 bilhões de reais, e de papel e celulose, com 7,26 bilhões de reais.

O que esperar da próxima temporada?

Passados os balanços do quarto trimestre, a atenção de investidores e analistas recai agora para as projeções para a próxima temporada, que já tem início no fim deste mês. 

“Essa safra do primeiro trimestre vai ser bem importante, uma vez que a pandemia piorou bastante no Brasil, com novas medidas de restrição, principalmente em março. Vai ser importante para ver como as empresas estão se comportando nesse cenário para entender a profundidade das medidas tomadas recentemente”, comentou Serra.  

“Tanto a safra do primeiro trimestre quanto a do segundo serão muito importantes para podermos avaliar como será o ano de 2021, com o avanço do vírus.” 

Com ganhos melhores do que o esperado das empresas listadas no quarto trimestre (especialmente as exportadoras de commodities), o Ibovespa voltou a negociar em termos de valuation em linha com sua média histórica, com o indicador preço sobre lucro (P/L) em 12,8 vezes, excluindo Petrobras e Vale. 

“Embora os valuations sejam mais atraentes, as preocupações com a situação fiscal do país, uma profunda crise de saúde pública e tensões políticas ainda apresentam riscos ao investidor de ações”, comentou Melo, da EXAME Invest Pro. “Entendemos que endereçar essas questões é chave para diminuição do risco e, principalmente, para a volta do investimento estrangeiro”, concluiu.

Foto de Paula Barra da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Especializada na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub | paula.barra@exame.com


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