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Ata do Fomc, corrida do ouro, Pazuello na CPI e o que mais move o mercado

PUBLICADO EM: 19.5.21 | 6H53
ATUALIZAÇÃO: 19.5.21 | 9H09
Inflação americana volta a pressionar bolsas globais, que sinalizam um novo dia dia de perdas
O Ministro da Saúde do Brasil, Eduardo Pazuello, reage durante cerimônia de anúncio de programa de imunização em massa contra coronavírus (COVID-19), no Palácio do Planalto, em Brasília, Brasil, em 16 de dezembro de 2020. Foto tirada em 16 de dezembro de 2020. REUTERS / Ueslei Marcelino

Ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello (à direita) deve comparecer à CPI nesta quarta | Foto: Ueslei Marcelino/Reuters (REUTERS)

Foto de Guilherme Guilherme da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Guilherme Guilherme

Repórter de mercado | guilherme.guilherme@exame.com



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Os principais índices de ações recuam na manhã desta quarta-feira, 19, com investidores à espera da divulgação da ata da última reunião do comitê de política monetária americano, o Fomc. Nos Estados Unidos, o S&P 500 cai 0,6% e o Nasdaq, 1%, no mercado de futuros. Na Europa, as bolsas, já abertas, estão todas no vermelho, com o Stoxx 50 em queda de 1,05%. 

Com a inflação de volta ao centro dos debates, o mercado espera que o documento americano revele ao menos alguma preocupação por parte dos membros do Federal Reserve quanto à aceleração dos índices de preços do país.

Na coletiva de imprensa posterior à decisão de juros, realizada no fim de abril, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, afastou qualquer possibilidade de um aperto monetário, chegando a sinalizar que a economia americana ainda estaria longe de uma recuperação “completa”. 

Por outro lado, a senadores, Powell chegou a afirmar que não permitirá que a inflação exceda “substancialmente” a meta de 2%. Atualmente, a inflação anual já está em 4,2%.

A preocupação sobre a alta de preços no país tem elevado a expectativa de inflação futura, com o rendimento dos títulos americanos de 10 anos voltando a subir nesta quarta. Desde o início da semana passada, o rendimento já subiu 5,2%. 

Ouro em alta, Nasdaq em baixa

Em meio a essa discussão, o ouro, uma alternativa histórica para reserva de valor em períodos de inflação, voltou a subir nos últimos dias, chegando a tocar a máxima em quatro meses nesta quarta. Deixado de lado nos primeiros meses do ano - até pela forte valorização que teve desde 2019 - o metal precioso acumula alta de 5% no mês.

Por outro lado, efeito contrário tem ocorrido com o índice Nasdaq, composto por algumas das maiores empresas de tecnologia do mundo. Com investidores temendo que a alta das taxas de juros encareça o financiamento de projetos audaciosos do setor, o índice acumula perdas de 4,7% no mês, enquanto o S&P, principal índice de ações dos mercado americano, tem queda de 1,3%.

Inflação brasileira

No Brasil, onde a alta da inflação também vem sendo um problema, a FGV irá divulgar hoje a segunda prévia do IGP-M de maio. A expectativa, de acordo com dados colhidos pela Bloomberg, é de alta de 2,77%, após a primeira prévia já ter surpreendido economistas. Até abril, o IGP-M de 12 meses já estava em 32,02%.

Pazuello na CPI da Covid

A CPI da Covid deve ter seu capítulo mais importante nesta quarta, com a presença do ex-ministro da Saúde general Eduardo Pazuello. Foi durante sua gestão que o Brasil enfrentou os períodos mais críticos da pandemia. Quando os números estavam em patamares alarmantes e causando danos à imagem do governo, no entanto, o general foi descartado, dando lugar ao atual ministro e médico Marcelo Queiroga. 

Enquanto ministro, Pazuello foi um dos súditos mais fiéis de Bolsonaro, chegando a admitir que “um fala [presidente],  o outro [ele próprio] obedece”. Mas para não se complicar com as perguntas dos senadores, Pazuello conseguiu um habeas corpus no STF para se manter em silêncio. 

Essa, ao menos, era a estratégia. Mas uma reportagem exibida na última noite pelo Jornal Nacional, em que revela indícios de fraude em contratos de sua gestão, pode incendiar a CPI. 

No mercado, investidores têm assistido à CPI à distância. Tudo pode mudar, no entanto, se a comissão ameaçar a estabilidade do governo. 

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Guilherme Guilherme

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