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Aumento de imposto nos EUA não prejudicará empresas, diz Buffett

PUBLICADO EM: 1.5.21 | 19H17
ATUALIZAÇÃO: 1.5.21 | 19H30
O megainvestidor Warren Buffett disse que declarações de que aumento proposto pelo governo Biden será terrível para investidores são uma "ficção corporativa"
Warren Buffett

Warren Buffett: em assembleia da Berkshire Hathaway, o investidor afirmou que votou em Biden (Bloomberg via Getty Images)

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Da Redação

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O diretor executivo da gestora Berkshire Hathaway, Warren Buffett, disse não estar particularmente preocupado com a proposta do governo do presidente dos EUA, Joe Biden, de aumentar o imposto corporativo nos Estados Unidos de 21% para 28%, ainda que ela possa ser, de alguma forma, negativa aos investidores da gestora.

"É uma ficção corporativa quando as empresas dão declarações sobre o fato de que (o aumento do imposto) será terrível para todos os investidores", afirmou Buffett, antes de revelar que votou em Biden na eleição presidencial americanas em 2020.

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Sócio de Buffett na Berkshire Hathaway, Charles Munger alertou, no entanto, contra a trajetória de gastos nos EUA, diante dos planos de investimentos trilionários do governo Biden, embora diga que o plano pode ser "viável".

"Acho que há uma boa chance de que essa conduta extrema seja mais viável do que todos pensavam. Mas eu sei que se você continuar fazendo isso sem qualquer limite, vai acabar em desastre", afirmou Munger.

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Em seus primeiros 100 dias de mandato, completados nesta semana, Biden anunciou três pacotes de investimento trilionários. Na prática, só o primeiro deles era tido como certeza durante a campanha — o plano de 1,9 trilhão de dólares para recuperação imediata da economia, que incluiu cheques diretos de 1.400 dólares enviados a mais de 160 milhões de americanos, quase metade da população.

Os outros dois não dizem respeito só ao momento atual, mas a uma reconstrução profunda para os próximos dez, 20 ou 30 anos. Foram apresentados nas últimas semanas um plano de infraestrutura e geração de empregos (de 2,25 trilhões de dólares) e o recém-anunciado plano para as famílias (1,8 trilhão de dólares). Incluem investimentos como melhoria da infraestrutura e reestruturação da economia americana para um modelo mais produtivo, moderno e sustentável. No plano das famílias, estão ainda demandas históricas de alas mais progressistas do Partido Democrata, como opções de educação superior gratuita.

Também neste sábado, Buffett se disse confiante na economia americana no restante do ano. Segundo o investidor, cerca de 85% da economia americana está "correndo em ritmo acelerado" e a economia está em situação melhor do que a prevista há um ano. 

SPACs

Warren Buffett também afirmou que a gestora não deve ter tanta sorte em fechar negócios em meio ao boom das empresas de aquisição de propósito específico (SPACs, na sigla em inglês) em Nova York.

Segundo ele, o alto interesse por negociações com estas companhias não vai "durar para sempre", mas é "onde o dinheiro está no momento". Também conhecidas como companhias do "cheque em branco", as SPACs atuam como alternativa às tradicionais ofertas públicas iniciais (IPOs, na sigla em inglês).

"As SPACs geralmente têm de gastar seu dinheiro em dois anos, pelo que eu entendo. Você coloca uma arma na minha cabeça e diz que tem de comprar um negócio em dois anos, eu compraria, mas não seria um muito bom", disse Buffett.

As SPACs consistem em corporações sem atuação comercial definida que compram firmas já existentes para torná-las públicas. Conforme regulação da Securities and Exchange Comission (SEC), a CVM americana, elas têm até dois anos para levantar capital e adquirir uma outra empresa. Caso o acordo não seja firmado no prazo, são obrigadas a liquidar os ativos.

Buffett classificou esta prática como "uma versão exagerada de uma espécie de mercado baseado em apostas". Como mostrou reportagem do Estadão/Broadcast, o uso deste instrumento por empresas de setores mais sólidos em Wall Street acendeu o alerta de reguladores nos Estados Unidos.

(Com Estadão Conteúdo)

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