BDRs: número de investidores dobra em um mês e chega a quase 100 mil | Exame Invest
Exame Invest
Invest

BDRs: número de investidores dobra em um mês e chega a quase 100 mil

PUBLICADO EM: 11.12.20 | 17H52
ATUALIZAÇÃO: 12.12.20 | 5H55
De acordo com a diretora de emissores da B3, Flávia Mouta, o BDR foi uma "resolução revolucionária no Brasil em 2020"
B3; Bolsa; Bovespa; Painel; Investimento; Ações

B3: BDRs passam a ter mais destaque na bolsa de valores

Imagem da Editoria Exame Invest
Juliano Passaro

Repórter da Exame



Compartilhe nas redes sociais
GUIA
Em alta

INVISTA 4MIN

De acordo com a diretora de emissores da B3, Flávia Mouta, o número de investidores de BDRs (Brazilian Depositary Receipts), recibos depositários brasileiros lastreados a papéis internacionais, passou de 50 mil pessoas em outubro deste ano para 100 mil ao final de novembro. A fala foi em evento remoto promovido por CVM, AMEC e CFA Institute: “A retomada da economia e o papel do mercado de capitais”, na última quinta-feira (10). "O BDR foi uma resolução revolucionária no Brasil em 2020", destacou Mouta.

Há um ano, o número de investidores de BDRs era de 2,9 mil. Em novembro, segundo a B3 (Brasil, Bolsa, Balcão), foram registrados 98,3 mil investidores, sendo 97.454 pessoas físicas. Vale ressaltar que o investimento em BDRs para investidores comuns foi aberto apenas em outubro deste ano. Mesmo assim, o número de investidores destes certificados de depósito de valores mobiliários dobrou em um período de pouco mais de um mês.

O especialista em BDRs da EXAME Research, Bernardo Carneiro, CFA, destacou que o aumento no número de investidores pessoas físicas em um período curto é um grande passo. "O gráfico [divulgado pela B3] mostra que não tinha quase ninguém investindo em BDR pessoa física há 1 ano e evidencia o interesse por diversificação, novas formas de ganhar dinheiro e fugir um pouco da limitação que o Brasil dá", analisou Carneiro.

Carneiro salientou que o Brasil ainda possui uma grande limitação em opções de investimento e, por isso, para o investidor que já está familiarizado com ações e com a bolsa de valores, os BDRs devem ser uma boa saída para proteger um pouco o patrimônio e ter oportunidades distintas do mercado doméstico, sujeitas a um ambiente político diferente e a outras economias mais fortes e dinâmicas.

BDRs gráfico B3

Evolução do volume médio diário negociado em BDRs nos últimos 13 meses (B3/Reprodução)

"O gráfico mostra 239 milhões de reais por dia de BDR [volume diário negociado em novembro]. É um salto de 14 vezes em relação a um ano atrás [novembro de 2019], o que evidencia o interesse das pessoas físicas neste tipo de investimento. É um salto gigantesco", afirmou o especialista da EXAME Research.

A B3 também divulgou a tabela de BDRs mais negociados em 2020. Entre as empresas, estão gigantes como o Mercado Libre, a Tesla, Apple, Amazon etc. Segundo Carneiro, entretanto, essas companhias figurarem entre as mais negociadas não significa muita coisa para o investidor. O especialista alerta que é preciso olhar para alguns indicadores importantes antes de fazer aportes.

"A tabela dos BDRs mais negociados não quer dizer muita coisa não. Ali dentro, há empresas famosas, muito populares, elas podem estar caras, podem estar começando um ciclo de baixa. A tabela é simplesmente uma foto de que esses BDRs são os mais negociados. Praticamente todos os 670 BDRs no Brasil hoje tem vasta liquidez. Então, se você quiser comprar um BDR da Coca-Cola ou da Walt Disney, qualquer BDR, o Market Maker (formador de mercado), que é a instituição por trás - a corretora atuando para fomentar líquidez - vai te ajudar. Se você quiser vender, é a mesma coisa", explicou Carneiro.

Ou seja, existe sempre uma instituição contratada pelo lançador de BDR não patrocinado, que é um banco. Este banco contrata o Market Maker, que é a corretora, para achar um comprador para o seu BDR ou um vendedor. Isso influencia no volume negociado. Dessa forma, essa figura do formador de mercado dá liquidez para todos os BDRs. Para o investidor, o que importa é liquidez lá fora, ou seja, o volume negociado nas bolsas estrangeiras. Este indicador, além, é claro, da lucratividade, do plano de futuro da empresa, do balanço, da concorrência, da inovação, entre outros, é o que vai dar um lastro de liquidez dentro do Brasil.

"De uma hora para outra esses BDRs aí, como: Tesla, Microsoft, Apple, podem perder a atratividade e a visibilidade. Daqui a três meses, ou 1 ano, os BDRs mais negociados podem ser outros. Estar entre os primeiros hoje não ajuda em nada o investidor. O que vai ajudar o investidor é conhecer o fundamento da companhia, a lucratividade, se o negócio é bom, se o negócio é sólido, e não saber se negocia muito na bolsa, aqui, ou não. Negociar muito na bolsa ou pouco não quer dizer nada, pois há a figura do formador de mercado por trás disso", aponta o especialista em BDRs.

Em novembro, o top 5 BDRs que tiveram maior rentabilidade foram:

  • Moderna
  • Coty
  • Nordstrom
  • Transoceam Ltd
  • Occidental Petroleum Corp
BDRs

BDRs mais rentáveis em novembro de 2020 (B3/Reprodução)

Conheça um pouco mais das 5 empresas que se destacaram na rentabilidade de BDRs em novembro

A Moderna Therapeutics é uma empresa de biotecnologia dos Estados Unidos, sediada em Massachussetts. A companhia, inclusive, criou uma vacina - 94,5% eficaz - para a prevenção do coronavírus (covid-19), que assolou o mundo com uma pandemia em 2020.

Já a Coty Inc, segunda no ranking de BDRs que tiveram maior rentabilidade em novembro, é uma multinacional de cosméticos sediada em Nova York, no EUA. Seus principais produtos são: perfumes e produtos para o corpo e rosto.

A Nordstom, terceira no top 5 de BDRs de novembro, é uma varejista de moda fundada em Washington, nos EUA, com foco nas vendas de roupas, calçados, bolsas, jóias e acessórios.

A Transocean é a maior companhia de serviços de perfuração marítima do mundo. Sua sede é Vernier, na Suíça. Por fim, sediada no Texas, nos EUA, a Occidental Petroleum é uma companhia internacional de exploração e produção de petróleo e gás, que opera no Oriente Médio, na América do Sul, na África e nos EUA. A companhia foi a quinta em BDRs mais rentáveis em novembro deste ano, segundo dados da B3.


Leia também

Imagem da Editoria Exame Invest
Juliano Passaro

Repórter da Exame


Compartilhe nas redes sociais
Mosaico do rodapé com as cores da Exame