Exame Invest
Mercados

Bolsonaro chama Temer, acena trégua com STF e Ibovespa sobe quase 2%

PUBLICADO EM: 9.9.21 | 17H25
ATUALIZAÇÃO: 10.9.21 | 0H00
Presidente publica nota em que diz que ‘nunca teve intenção de agredir quaisquer dos Poderes’

Resumo do investidor

- Ibovespa sobe 1,72% e fecha pregão aos 115.360 pontos; - Dólar comercial recua 1,85%, a 5,227; - EUA: S&P 500 cai 0,46%, Dow Jones tem queda de 0,43% e Nasdaq recua 0,25%.

(São Paulo - SP, 12/08/2020) O presidente Jair Bolsonaro e o ex presidente Michel Temer na Solenidade alusiva à partida da comitiva brasileira em Missão Especial a Beirute Foto: Alan Santos/PR

Jair Bolsonaro e Michel Temer em Brasília | Foto: Alan Santos/PR/Divulgação

Foto de Beatriz Quesada da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Beatriz Quesada

Repórter de mercados, passou pelas redações da revista Capital Aberto e rádio BandNews FM | beatriz.quesada@exame.com



Compartilhe nas redes sociais
GUIA
Em alta

INVISTA 3MIN

Em uma sessão volátil, o Ibovespa virou de queda para forte alta na meia hora final do pregão após o presidente Jair Bolsonaro divulgar uma nota oficial para tentar apaziguar a crise com o Supremo Tribunal Federal (STF). O principal índice da B3 chegou a subir perto de 3% e encerrou com alta de 1,72%, aos 115.360 pontos. Na véspera, na quarta, o índice havia caído quase 4% com investidores repercutindo os desdobramentos das manifestações de 7 de setembro

Após a nota do presidente, o dólar comercial aprofundou a trajetória de queda e recuou 1,85%, encerrando a sessão negociado a 5,227 reais. Durante boa parte da tarde, foi cotado acima do patamar de 5,30 reais.

No pregão desta quinta, o Ibovespa tinha em foco a greve dos caminhoneiros, que segue firme, apesar dos pedidos do presidente para que sejam encerradas as paralisações nas estradas do país.

A greve, no entanto, acabou ficando em segundo plano após Bolsonaro se encontrar com o ex-presidente Michel Temer, que aconselhou um aceno do Executivo ao STF para tentar estancar a crise. No fim da tarde, Bolsonaro publicou uma nota oficial a respeito dos embates entre os Poderes da República.

O presidente afirmou que “nunca teve nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes”.

“Na vida pública as pessoas que exercem o poder não têm o direito de ‘esticar a corda’, a ponto de prejudicar a vida dos brasileiros e sua economia”, afirma a nota.

“O passo atrás de Bolsonaro diminui riscos e acalma, marginalmente, os ânimos que sugeriram rupturas. Trata-se do início de uma reconsideração que, pelo menos, pode voltar a trazer à mesa perspectivas sobre reformas, ainda que diminutas, mas que neste momento se afastam do 0% de chance de avançarem”, avaliou Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos.

A carta de Bolsonaro também se referiu diretamente ao ministro Alexandre de Moraes, alvo de grande parte das críticas do presidente e responsável pelo inquérito das fake news no qual o chefe do Executivo é investigado.

“Em que pesem suas qualidades como jurista e professor, existem naturais divergências em algumas decisões do Ministro Alexandre de Moraes. Sendo assim, essas questões devem ser resolvidas por medidas judiciais que serão tomadas de forma a assegurar a observância dos direitos e garantias fundamentais previsto no Art 5º da Constituição Federal. Reitero meu respeito pelas instituições da República, forças motoras que ajudam a governar o país”, diz a nota.

Volatilidade Ibovespa 09/09

Ibovespa dispara na reta final do pregão, que se encerra às 17h, após a carta apaziguadora de Bolsonaro (B3/Divulgação)

Além das turbulências políticas, o mercado também repercutiu os dados de inflação, que voltaram a superar as estimativas. Divulgado nesta manhã, o IPCA referente a agosto bateu 9,68% no acumulado de 12 meses, com com a alta mensal ficando em 0,87%. A expectativa era de uma inflação de 0,71% no mês.

"Com os reajustes de energia e a crise hídrica aguda, isso somado aos efeitos de uma paralisação parcial dos caminhoneiros, faz que o mercado fique ainda mais resistente.", afirma em nota André Perfeito, economista-chefe da Necton.

O IPCA mais forte do que o esperado tem elevado as expectativas de alta de juros por parte do Banco Central. Com decisão monetária prevista para daqui a duas semanas, parte do mercado já fala em uma alta da taxa Selic em 1,25 ponto percentual para 6,5%.

Na bolsa, os juros futuros de curto prazo, mais sensíveis à inflação, subiram e passaram a precificando uma Selic a 7,37% no fim do ano, contra 6,98% no ajuste anterior. No mercado, porém, já se fala em Selic a dois dígitos.

No cenário externo, as bolsas reagem positivamente ao anúncio do Banco Central Europeu de implementar apenas uma leve redução dos estímulos via compra de ativos. Na Europa, o Stoxx 600 fechou em queda de 0,04%.

Nos Estados Unidos, saíram os pedidos semanais de seguro desemprego, que renovaram a mínima desde o início da pandemia para 310.000. O número ficou melhor do que o consenso de 335.000 pedidos. Por lá, os principais índices fecharam em queda, com investidores ainda preocupados com os próximos passos da bolsa americana.

Foto de Beatriz Quesada da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Beatriz Quesada

Repórter de mercados, passou pelas redações da revista Capital Aberto e rádio BandNews FM | beatriz.quesada@exame.com


Compartilhe nas redes sociais
Mosaico do rodapé com as cores da Exame