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Braskem: plano de venda de ações frustra detentores de títulos. Entenda

PUBLICADO EM: 29.9.21 | 20H27
Títulos de dívida externa da petroquímica renderam quase 100% desde março de 2020, mas ganhos adicionais podem ficar mais desafiadores
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Ações da Braskem subiram quase 160% neste ano com conjunção de fatores positivos | Foto: Luke Sharrett/Bloomberg

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Da Bloomberg

O extraordinário rali dos títulos externos da Braskem (BRKM5) está chegando ao fim, com investidores apostando que não sobrou muito mais fôlego de alta para os papéis.

Os 5,6 bilhões de dólares em títulos externos da Braskem, uma das maiores petroquímicas do mundo, estão com preços em queda desde meados de setembro, depois de terem subido muito mais que os pares nos mercados emergentes.

Embora as notas ainda estejam sendo negociadas bem acima do valor de face, analistas dizem que os fatores específicos que alimentaram os ganhos não devem se repetir.

Durante anos, os detentores de títulos de dívida externa da Braskem apostaram que conseguiriam ganhos polpudos quando os controladores da empresa petroquímica -- a Petrobras (PETR3, PETR4) e a Novonor, ex-Odebrecht -- finalmente vendessem suas participações.

Essas apostas foram reavivadas no início deste ano, quando a Novonor contratou o Morgan Stanley como assessor da venda de sua fatia de 38% da empresa, e a Petrobras recorreu ao JPMorgan para vender sua participação de 36%.

Agora, no entanto, a troca de controle pode acabar não trazendo a valorização esperada nos papéis da dívida. Isso porque os dois donos da empresa estão planejando vender suas fatias na bolsa para vários investidores, em vez de recorrer a um comprador estratégico que poderia ter uma classificação de risco de crédito mais alta.

Depois que os preços das ações mais que dobraram neste ano -- a alta chega a 158% --, a Braskem ficou cara demais para compradores estratégicos, escreveu a Bloomberg News em agosto.

Assim, o plano agora é fazer uma série de ofertas de ações da Braskem na bolsa, com a Novonor iniciando o processo com a venda de suas 79 milhões de preferenciais neste ano, dependendo das condições de mercado, disseram pessoas com conhecimento do assunto. Essa venda de preferenciais não precisaria de autorização da Petrobras, disse uma das pessoas.

“Eu esperava que a empresa fosse comprada por um grupo com risco de crédito muito menor, um movimento que provocaria melhoria nos ratings imediatamente”, disse Carlos Gribel, diretor-gerente da Andbanc Brokerage em Miami. “Fico feliz que meus clientes já realizaram lucros e venderam os títulos da Braskem.”

Novonor e Petrobras não comentam seus planos para a venda.

Os títulos de dívida externa da Braskem proporcionaram, em média, um retorno de cerca de 70% desde meados de março de 2020, com as notas com vencimento em 2050 entregando aos investidores ganhos de quase 99% nesse período.

O rali foi impulsionado por uma combinação de eventos únicos -- desde o mau tempo que restringiu a produção dos concorrentes nos Estados Unidos até o aumento da demanda por embalagens plásticas para vendas online e equipamentos médicos, incluindo seringas plásticas para vacinas contra o coronavírus.

“Nem o mais otimista iria prever o que iria acontecer no mercado petroquímico”, disse Carolina Chimenti, analista da Moody’s Investors Service, elogiando a administração da Braskem por usar o caixa gerado nos últimos 12 meses para pagar dívidas.

A empresa recomprou 1,7 bilhão de dólares em obrigações neste ano até julho, incluindo três títulos de dívida externa.

As práticas e os processos da empresa também vêm se aprimorando, limitando o poder de qualquer acionista controlador. Isso tem feito com que problemas financeiros de seus acionistas controladores não impactem sua classificação de risco de crédito, segundo Luisa Vilhena, analista da S&P Global Ratings, que elevou a empresa de volta para o grau de investimento em setembro.

“Uma venda de ações na bolsa de valores não deve ter muito impacto, porque os ratings da Braskem já não dependem da classificação de seus controladores”, disse Vilhena.

Claro que existem riscos. A empresa pode precisar de mais provisões para cumprir um acordo com as autoridades brasileiras para indenizar danos em bairros próximos às suas minas na cidade de Maceió. Os preços do petróleo e do gás, matérias-primas da Braskem, vêm subindo e isso pode comprimir as margens de lucro daqui para frente.

É por isso que, agora, com as notas da Braskem de vencimento em 2030 com um rendimento apenas cerca de 2 pontos percentuais acima dos títulos do Tesouro Americano, os papéis da empresa têm pouco apelo, de acordo com Ulisses de Oliveira, gestor da Quasar International, de São Paulo.

“Comprar Braskem agora não vale a pena, considerando os riscos e os retornos”, disse.

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