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BRF entra na mira do investidor com plano de expansão no exterior

PUBLICADO EM: 11.12.20 | 10H01
ATUALIZAÇÃO: 11.12.20 | 10H24
A expansão planejada terá como foco a fabricação de alimentos processados para mercados desenvolvidos para ajudar a melhorar as margens da empresa
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BRF: a empresa pretende fabricar e vender alimentos processados na América do Norte, Europa e mercados desenvolvidos da Ásia

Foto de Karla Mamona da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Karla Mamona

Repórter da Exame



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(Bloomberg) -- A BRF, segunda maior produtora de aves do mundo, está de olho em aquisições como parte de um novo plano de expansão no exterior que visa elevar a rentabilidade. A expansão planejada terá como foco a fabricação de alimentos processados para mercados desenvolvidos para ajudar a melhorar as margens da empresa, disse em entrevista o diretor-presidente da BRF, Lorival Luz.

A empresa pretende fabricar e vender alimentos processados na América do Norte, Europa e mercados desenvolvidos da Ásia como parte de um plano de investimentos de 10 anos anunciado na terça-feira.“Seremos uma empresa global de alimentos”, disse Luz.

A BRF planeja aumentar a receita anual para R$ 100 bilhões na próxima década, em relação aos R$ 38 bilhões estimados por analistas para este ano.


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A BRF, que busca retomar as aquisições após melhorar o perfil da dívida, tem como possíveis alvos países como EUA, Canadá e México, bem como Japão, Coreia do Sul, Filipinas e leste da China, disse Patricio Rohner, vice-presidente de mercados internacionais, na mesma entrevista. A estratégia é entrar em novos mercados por meio de aquisições e se expandir ainda mais por meio do crescimento orgânico.

“Vemos muito consumo nos mercados desenvolvidos, mas faltam boas ideias, soluções e eficiência na cadeia de custos”, disse Rohner. “Vemos uma grande oportunidade para a BRF.”
Alimentos processados

A BRF é a maior produtora de alimentos processados do Brasil, com mais de 5 mil produtos em seu portfolio, de margarinas a lasanhas, mas sua presença global se destaca principalmente pela carne de frango in natura e suína. Produtos de valor agregado respondem por 10% das vendas ao exterior, segundo Rohner, e a meta é chegar a 50% em 10 anos.

O modelo internacional de negócios deve ser diferente do adotado no Brasil, onde a BRF é responsável por todas as etapas da cadeia alimentar avícola, desde a criação até a produção de refeições prontas, disse Rohner. Para as operações globais, a empresa planeja comprar matéria-prima de fornecedores locais ou importar das operações brasileiras.

A empresa também pretende se expandir ainda mais no importante mercado halal, de alimentos certificados de acordo com a lei islâmica, com investimentos para expandir instalações existentes. Além do Brasil, a BRF tem produção na Turquia, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

A BRF planeja que produtos de valor agregado respondam por 70% das vendas totais até 2030 frente aos atuais 50%. A meta será alcançada com foco na venda de alimentos processados no exterior e no Brasil, disse Luz. Isso ajudaria a BRF a alcançar maior estabilidade de lucro e margens mais fortes, e permitiria retomar o pagamento de dividendos antes de 2023, disse.

A BRF suspendeu o pagamento de dividendos em 2016. Esta não é a primeira vez que a BRF anuncia um plano ambicioso para se tornar uma empresa global de alimentos: sua tentativa anterior foi interrompida por problemas relacionados à segurança alimentar e uma mudança de gestão conturbada há alguns anos. Esses fatores contribuíram para o aumento da dívida, o que levou a empresa a vender empresas na Europa, Tailândia e Argentina. Luz, que assumiu o comando da BRF em 2019, diz que agora a empresa está “pronta para começar um novo capítulo”.


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