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Mercados

Cautela toma conta dos mercados e Ibovespa perde os 115 mil pontos

PUBLICADO EM: 10.9.21 | 17H35
ATUALIZAÇÃO: 10.9.21 | 17H46
Alívio conquistado após declaração conciliatória do presidente com ajuda de Temer fica em segundo plano

Resumo do investidor

- Ibovespa recua 0,93% e encerra pregão aos 114.285 pontos; - Dólar comercial avança 0,76% e fecha sessão a 5,253 reais; - EUA: Dow Jones recua 0,78%, S&P 500 tem queda de 0,77% e Nasdaq, de 0,87%.

B3; Bolsa; Bovespa; Painel; Investimento; Ações

Painel de cotações da B3 | Foto: Germano Lüders/Exame

Foto de Beatriz Quesada da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Beatriz Quesada

Repórter de mercados, passou pelas redações da revista Capital Aberto e rádio BandNews FM | beatriz.quesada@exame.com



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O Ibovespa fechou o pregão desta sexta-feira, 10, em queda, com investidores voltando a ficar cautelosos com o cenário político e em linha com o cenário internacional. O principal índice da B3 recuou 0,93% e encerrou o pregão aos 114.285 pontos, devolvendo parte dos ganhos conquistados na véspera. Com o resultado de hoje, o Ibovespa acumula perdas de 2,26% na semana.

Ontem, o índice subiu 1,72% após o presidente Jair Bolsonaro colocar panos quentes na crise com o Supremo Tribunal Federal (STF). Seguindo a orientação do ex-presidente Michel Temer, figura respeitada no mercado, Bolsonaro divulgou uma carta de "Declaração à Nação" em que mudou o tom de seu discurso. 

Depois de duras ameaças ao Supremo Tribunal Federal nos atos de 7 de setembro, o presidente disse em carta que foi abalado pelo "calor do momento" e que “nunca teve intenção de agredir quaisquer dos poderes”. O presidente até mesmo elogiou “qualidades como jurista e professor” do ministro Alexandre de Moraes, embora tenha citado “naturais divergências”.

A declaração causou um alívio momentâneo no mercado, mas analistas ainda não estão convencidos de que o sinal de moderação é verdadeiro. “O presidente morde e assopra. Para voltar a morder de novo não custa muito. Enquanto tivermos um presidente beligerante, a situação vai continuar volátil nos mercados”, afirma Alvaro Bandeira, economista-chefe do banco Modalmais.

Outra fonte de preocupação são os protestos contra o presidente marcados para o final de semana, que podem abreviar a ‘trégua’ declarada ontem. O câmbio refletiu os temores com mais força, e o dólar comercial encerrou a sessão em alta de 0,76%, a 5,26 reais.

“As demais moedas emergentes ficaram estáveis ou tiveram ligeira queda no pregão de hoje, confirmando que a pressão no real reflete a aversão ao risco no mercado doméstico”, afirma Cristiane Quartaroli, economista do Banco Ourinvest. 

Além das dificuldades no ambiente interno, o mercado internacional contribuiu com o menor apetite por risco. Os principais índices americanos fecharam o dia em queda, com investidores pesando a possibilidade de redução dos estímulos monetários do Federal Reserve (Fed, banco central americano) ainda neste ano.

No Brasil, o principal dado desta manhã foi o de vendas do varejo, que saiu bem melhor do que o esperado, com alta anual de 5,7%. A projeção do mercado era de um crescimento de 3,5%. Já a alta mensal foi de 1,2%. O resultado, no entanto, não foi suficiente para desviar a trajetória negativa do índice. Em setembro, o Ibovespa cai 3,78% e, no ano, recua 3,98%. 

Destaques da bolsa

Apesar do ambiente misto na bolsa, os juros futuros têm baixa após forte valorização nos últimos dias. Beneficiadas pela queda dos juros longos, as ações de construtoras figuram entre as maiores altas do Ibovespa, com Cyrela (CYRE3) e EzTec (EZTC3) subindo 2,11% e 1,6%, respectivamente. O setor de tecnologia é outro a reagir positivamente, com as ações da Méliuz (CASH3) dispando 8,41% e liderando as altas do índice

As ações de frigoríficos também se destacaram, beneficiadas pela alta do dólar que favorece as exportações. Minerva (BEEF3) registrou alta de 6,10%, seguida por BRF (BRFS3) que avançou 5,42%.

Maiores altas

Maiores quedas

MéliuzCASH3

8,41%

Magazine LuizaMGLU3

-8,86%

MinervaBEEF3

6,10%

Banco PanBPAN4

-7,08%

BRFBRFS3

5,42%

UnidasLCAM3

-5,46%

Entre as ações com maior representação no índice, a Vale (VALE3) subiu 0,11% mesmo com a queda do minério de ferro no exterior. O BTG Pactual, do mesmo grupo controlador da Exame, afirmou em relatório que o papel está “altamente subvalorizado” e reforçou recomendação de compra

No campo da siderurgia, a CSN (CSNA3), que adquiriu as operações brasileiras da Holcim, líder global em cimentos, chegou a subir 2,5%mas virou para queda e caiu 1,11%. 

Na ponta negativa, as ações da varejista Magazine Luiza (MGLU3) lideraram as perdas, caindo 8,86%, apesar dos dados positivos sobre o setor. Já Localiza (RENT3) e Unidas (LCAM3) caíram 4,55% e 5,46%, respectivamente, após terem disparado na quarta-feira, 8, com a recomendação do Cade para que a fusão entre ambas as companhias fosse aprovada.

Foto de Beatriz Quesada da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Beatriz Quesada

Repórter de mercados, passou pelas redações da revista Capital Aberto e rádio BandNews FM | beatriz.quesada@exame.com


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