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Cogna sobe 11% em março: o que os analistas esperam da ação?

PUBLICADO EM: 25.3.21 | 16H06
ATUALIZAÇÃO: 25.3.21 | 20H22
Setor de educação é um dos mais afetados pela pandemia, especialmente no ensino superior, que é ponto forte da empresa; resultados saem na próxima quarta, dia 31
Sala de Aula da Universidade São Judas - escola - universidade - educação

Ensino superior privado está muito exposto à piora dos indicadores de renda e emprego, o que deixa as margens da Cogna muito atreladas à recuperação da economia como um todo, segundo analistas

Foto de Beatriz Quesada da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Beatriz Quesada

Repórter especializada na cobertura de mercados. Formada pela ECA-USP, passou pelas redações da revista Capital Aberto e rádio BandNews FM.



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Na próxima quarta-feira, dia 31, a Cogna Educação (COGN3) divulga seu balanço consolidado para 2020 e os investidores vão saber se o desempenho da companhia começa a apresentar sinais de recuperação dentro do plano estratégico de médio e longo prazo

O resultado seria divulgado nesta sexta, dia 26, mas foi adiado na véspera. O momento coincide com um raro rali de uma das ações que mais apanharam na bolsa no último ano. As ações subiram 10,5% desde o dia 1º de março.

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Os papéis do maior grupo de educação do país, no entanto, ficaram em segundo lugar no ranking de maiores perdas do Ibovespa no último ano, acumulando um recuo de 59,49% – em 2021, as ações recuam mais de 15%.

Um dos motivos para a queda é o fato de que o setor de educação é um dos mais afetados pela pandemia, especialmente no ensino superior privado – ponto forte da empresa. A Kroton, divisão da Cogna direcionada para o segmento, é a mais relevante do grupo e representa 60% da receita líquida da companhia. 

O ensino superior privado, mesmo que à distância (EAD), está muito exposto à piora dos indicadores de renda e emprego, o que deixa as margens da Cogna muito atreladas à recuperação da economia como um todo. Neste cenário, os principais desafios são o aumento da inadimplência e da evasão. 

Um dos principais prejuízos da empresa deve estar no aumento dos gastos com a chamada provisão adicional para devedores duvidosos (PDD), montante destinado para lidar com o desfalque de quem deixa de pagar.

Em relatório, analistas da Eleven Research destacam que a Cogna será a empresa do setor educacional com maior crescimento de PDD no quarto trimestre de 2020 em relação a 2019, com uma alta de 16% “dado o elevado risco de crédito que possui em sua carteira”.

A recomendação da Eleven para o papel é neutra, com preço-alvo de 5 reais. As ações da companhia encerraram negociadas a 3,99 reais nesta quinta-feira, 25. O relatório aponta que, diferentemente dos demais pares, a Cogna possui o desafio do turnaround, ou seja, de mudar substancialmente o desempenho da empresa para superar a crise.


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Em seu Investor Day no final do ano passado, a empresa apresentou um plano de reestruturação de longo prazo que inclui redução de custos e a aceleração do ensino à distância, ampliando em 50% a oferta de cursos nessa modalidade.

O relatório da Eleven, no entanto, reforça que os efeitos da mudança ainda não devem ser perceptíveis no balanço do quarto trimestre de 2020. Considerando os riscos, a casa de análise mantém a recomendação neutra para o papel apesar do elevado potencial de valorização da ação, que é de 38% na avaliação deles.

A visão neutra para os papéis é compartilhada pelo Bradesco BBI e pelo BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME), cujos analistas veem a Cogna com preço-alvo de 6 reais e de 5,4 reais, respectivamente.

Em relatório, o BTG Pactual aponta que a classificação neutra na empresa se deve, principalmente, "porque o cenário para o segmento de graduação continua desafiador, dada a alavancagem operacional negativa da Kroton".

Já os analistas do Bradesco BBI destacaram que os balanços devem continuar pressionados no quarto trimestre para todas as empresas do setor de educação, resultado da combinação de um trimestre sazonalmente fraco (férias escolares) com os efeitos negativos do Covid-19.

Ainda assim, o banco não espera surpresas na divulgação, como foi o caso do segundo trimestre do ano passado – fase mais dura da crise –, quando a receita líquida da Cogna encolheu 21,2%. Para o último balanço de 2020, os analistas do Bradesco BBI esperam uma queda de 13% na receita líquida da Cogna, também impulsionada pelas perdas no segmento de ensino superior.

A Terra Investimentos, por outro lado, recomenda a compra dos papéis da Cogna a médio e longo prazo, com preço-alvo de 7 reais. 

“O setor de educação como um todo está pouco atrativo, mas existem boas oportunidades de recuperação para as companhias que investirem em EAD e contarem com sistemas de ensino fundamental e médio (com pouca oferta e muita demanda)”, avalia Regis Chinchila, analista da Terra.

No caso da Cogna, Chinchila destaca que um dos maiores desafios do grupo é a exposição ao crédito estudantil do ensino superior (Fies), que sofreu uma redução significativa em 2020. Por outro lado, a companhia atua em todos os níveis escolares, da pré-escola à pós-graduação, o que pode contar positivamente a longo prazo.

 

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