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Com ganhos de 25% no ano, Taruá aposta em ações da retomada brasileira

PUBLICADO EM: 27.6.21 | 8H00
ATUALIZAÇÃO: 28.6.21 | 10H21
Gestora, que nasceu no ano passado, tem na carteira ações de varejo, shoppings e distribuição de combustíveis

Equipe da gestora Taruá Capital (o sócio e CIO Renan Vieira é o terceiro a partir da direita): em sete meses, fundo de ações da Taruá acumula ganhos de 33,6%, contra 18,2% do Ibovespa | Foto: Divulgação

Foto de Paula Barra da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Especializada na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub | paula.barra@exame.com



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Para a gestora Taruá Capital, o cenário para Bolsa segue promissor, mesmo com o Ibovespa perto do seu recorde histórico e perspectivas de Selic mais elevada nos próximos meses. A visão positiva é sustentada pela melhora no lado fiscal, menor ruído político e expectativa de retomada econômica doméstica. 

Esse conjunto de fatores traz um humor muito positivo para o mercado de renda variável, disse Renan Vieira, sócio e CIO da Taruá, em entrevista à EXAME Invest. “Na nossa opinião, a Bolsa continua atingindo novos recordes.”

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Para aproveitar esse momento, a gestora, fundada no ano passado, tem entre suas principais apostas papéis ligados ao setores de varejo, shoppings e distribuição de combustíveis. 

“Acreditamos que os resultados desses setores vão surpreender positivamente no segundo semestre, tendo em vista os últimos dados econômicos. As vendas do varejo de abril vieram muito fortes e, para maio, são esperados números muito bons também. Algumas varejistas já falaram que tiveram o melhor “Dia das Mães” em 5 anos”, comentou Vieira.  

Criado em novembro de 2020, o fundo de ações Taruá FIC FIA acumula nesses sete meses rentabilidade de 34,4%, contra 18,9% do Ibovespa no mesmo período. Neste ano, o retorno é de 24,7%, contra 8,8% do benchmark. 

A gestora é formada por uma equipe com longa experiência no mercado. Vieira tem passagens pela gestora Athena Capital e pela Geração Futuro, em que ganhou o título de melhor gestor de fundos de ações do Brasil no ranking da revista EXAME de 2014. E, em 2015, conquistou o terceiro lugar nesse mesmo levantamento.

Para fundar a Taruá, Vieira contou com a ajuda do sócio Antonio Heluany, que passou pelas equipes de research do Bank of America e BTG Pactual e tem ampla bagagem na cobertura dos setores de mineração, siderurgia e papel e celulose. Um dos grandes acertos da gestora, inclusive, veio de commodities. 

A Usiminas (USIM5), por exemplo, que não está mais no portfólio, dobrou de preço, conta Heluany. Mas, depois do forte desempenho, os setores de siderurgia e mineração já não são tão representativos na carteira. Outro acerto na escolha veio de Banco Inter (BIDI11), posição que foi zerada em junho. 

Disponível ao investidor de varejo (e hoje com um patrimônio líquido de 33 milhões de reais), o fundo, que tem como estratégia a análise fundamentalista de longo prazo, carrega em média 20 posições. A aplicação mínima inicial é de 1.000 reais. 

Na conversa, Vieira e Heluany comentaram sobre suas principais posições, acertos e visão atual sobre o mercado. Veja abaixo: 

Como conseguiram essa rentabilidade nos últimos meses? 

Vieira: Antes de abrir o fundo, olhamos para 65 empresas bem no detalhe, ficamos com 40 como 'investíveis'. Dessas, incluímos 22 no portfólio. O primeiro setor que tínhamos conforto foi o de siderurgia e mineração. Na nossa visão, a recuperação da demanda ajudaria os preços e acreditávamos que o sell side estava muito conservador com os números e isso levaria a revisões para cima dos lucros dessas empresas. Com isso, compramos Vale (VALE3), Gerdau (GGBR4), Usiminas (USIM5) e CSN (CSNA3). Foi uma tese vencedora e que contribuiu para a performance do fundo nesses meses.

Também fizemos um investimento em Banco Inter (BIDI11). Estudamos muito e acreditamos que fazia sentido pelo "financial deepening" e a leitura favorável com a macroeconomia deu conforto para a tese. Foi uma posição vencedora e zeramos em junho. Temos uma regra de valuation e o papel atingiu de forma muito rápida nosso alvo. Por disciplina, zeramos.

Outra ação que ajudou bastante também foi Santos Brasil (STBP3).

Heluany: A companhia opera o Porto de Santos (que corresponde a 85% dos ativos da empresa). Com a crise dos últimos cinco anos, a tarifa portuária caiu muito. Víamos um potencial muito grande. A tarifa estava em 70 dólares e já foi 250 dólares. O próprio volume poderia aumentar em 2,5 a 3 vezes. Achávamos que poderia ter uma revisão da tarifa de 30% a 40%, mas foi elevada em 60% de um ano para o outro. Entramos na ação em 5,00 reais e já está em 9,15 reais. Subiu mais de 80%. Mas achamos que pode ir mais, ainda seguimos com posição no papel.

Ainda veem o cenário positivo para commodities? 

Vieira: Temos ainda visão positiva para o setor ao longo do segundo semestre. Achamos que o preço do minério (em cerca de 217 a 220 dólares por tonelada) pode cair um pouco ao longo do segundo semestre, mas não esperamos uma queda tão agressiva. Mas como temos visto muitas oportunidades boas na Bolsa, reduzimos o setor (siderurgia e Vale). Temos uma posição menor em relação ao início do ano, mas continuamos a ver valor no médio a longo prazo para os cases.

Heluany: Hoje gostamos porque achamos que, mesmo se o preço cair, vai estar ainda acima do que o mercado está estimando. No entanto, essas empresas são exportadoras e agora, com o câmbio (real frente ao dólar) apreciando, isso prejudica um pouco a receita em dólar dessas companhias. Ainda gostamos e temos posição relevante, mas estão menos atrativas. Até olhando pelo valuation, compramos Usiminas e dobrou de preço desde que colocamos na carteira.

Como estão vendo os preços do Ibovespa? O índice segue atrativo mesmo operando perto do seu recorde histórico? E onde veem as maiores oportunidades?

Vieira: Acreditamos que algumas empresas da Bolsa ainda têm bastante valor no médio a longo prazo e vão continuar suportando o índice, levando-o para patamares ainda maiores. O risco político ainda não chegou. Esse debate deve ficar mais para o quarto trimestre. Além disso, o lado fiscal melhorou e temos avanços nas reformas. Com a retomada da economia – tendo em vista os dados de vendas do varejo de abril que vieram muito fortes e, para maio, são esperados números muito bons também (algumas varejistas já falaram que tiveram o melhor “Dia das Mães” em 5 anos) –, achamos que empresas ligadas aos setores de varejo, shoppings e distribuição de combustíveis devem surpreender positivamente no segundo semestre. Isso deve ajudar a manter um humor muito positivo no mercado. Na nossa opinião, a Bolsa continua a bater novos recordes.  A retomada do Brasil ainda não aconteceu.

Quais principais posições?

Vieira: Hoje, temos cerca de 20 ativos. Temos entre as posições os papéis de BR Distribuidora (BRDT3), brMalls (BRML3), Aliansce (ALSO3), Multiplan (MULT3). Mantemos também uma posição em Santos Brasil (STBP3). Temos ainda um pouco de Gerdau (GGBR4), Duratex (DTEX3) e uma exposição pequena em BTG Pactual (BPAC11)

Quais riscos veem pela frente?

Vieira: O principal risco acreditamos que seja em outubro de 2022, com a eleição presidencial, se vamos ter uma terceira via ou não. E obviamente, olhando para os EUA, a economia está muito forte, a grande questão é se o banco central americano vai começar a elevar os juros antes do que o mercado imagina, o que poderia impactar as Bolsas, principalmente de países emergentes.

Foto de Paula Barra da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Especializada na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub | paula.barra@exame.com


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