MERCADOS

Com queda de até 50% em um ano: bancos dão 5 razões para comprar shoppings

PUBLICADO EM: 24.3.21 | 13H26
ATUALIZAÇÃO: 24.3.21 | 13H43
Para analistas, esses papéis ficaram baratos demais após forte derrocada em um ano e estão em ponto interessante de entrada – mesmo com muitos deles ainda fechados e cenário ainda difícil da pandemia
Shopping Morumbi; Covid; Procedimentos; Máscara; Compras

Foto de Paula Barra da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Especializada na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub | paula.barra@exame.com



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Mesmo com restrições para funcionar em meio ao agravamento da pandemia no Brasil (e com o noticiário podendo ainda se intensificar no curto prazo, com novas medidas de distanciamento), bancos têm reforçado uma visão otimista para as ações de shoppings.  

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Na visão deles, embora a piora da pandemia acabe trazendo uma cautela adicional para o setor, depois da derrocada dos últimos meses, esses papéis parecem ter ficado baratos demais na Bolsa e podem oferecer um ponto interessante de entrada agora.

Do começo de fevereiro do ano passado – pouco antes da crise da covid derrubar o mercado – para cá, as ações de Multiplan (MULT3), brMalls (BRML3), Iguatemi (IGTA3) e Aliansce Sonae (ALSO3) acumulam quedas de 30%, 46%, 31% e 48%, respectivamente. Enquanto isso, o Ibovespa praticamente caminha no zero a zero. 

Mas os motivos não param por aí. De forma geral, os analistas dos bancos citam cinco razões principais para a leitura positiva para o setor: 

1. O valuation descontado, deixando essas ações aparentemente baratas na Bolsa; 

2. Limitado espaço para revisões para baixo nos lucros diante de um mercado ainda cético com o setor.

O consenso projeta um Ebitda para o setor em 2022 no mesmo patamar de 2019, mesmo com a inflação de aluguel (IGP-M) podendo chegar a 30% entre 2020 e 2021, destacaram os analistas do Credit Suisse, em relatório do início desta semana; 

3. Mesmo com o ano difícil de 2020, os fundamentos do setor se mostrando sólidos, com as vendas se recuperando rapidamente à medida que as restrições foram sendo removidas; 

4. Embora o curto prazo ainda deva ser desafiador, uma normalização pode vir com o avanço da companhia de vacinação. Para o BTG Pactual, isso pode acontecer no segundo semestre do ano;  

5. Os shoppings brasileiros estão bem atrás dos pares no exterior. 

Os analistas do Credit Suisse apontaram que, apesar dos shoppings brasileiros terem apresentado números operacionais semelhantes a melhores do que os do exterior em 2020 e possuírem um portfólio mais defensivo, eles estão com um desempenho inferior ao de seus pares internacionais em aproximadamente 65% nos últimos seis meses. 

Segundo eles, essa é a primeira vez em três anos que os shoppings nacionais estão negociando com desconto frente aos pares internacionais. 

Tal performance pode ser explicada pela aceleração da pandemia no país, que levou a um novo fechamento de shoppings em março, além de baixa visibilidade de vacinas (13 milhões de doses aplicadas no Brasil, equivalentes a 1,6% da população, contra 120 milhões nos EUA, ou 12% da população, e 54 milhões na Europa, ou 3,2%).

Ainda assim, tendo em vista a performance dessas empresas ao longo de 2020, eles acreditam que, à medida que as restrições de circulação forem diminuindo, as vendas devem se recuperar em ritmo acelerado. “Os shoppings mostraram ao longo de 2020 que os brasileiros continuam vendo esses espaços como fonte de lazer e compras”, comentaram.   

Para os analistas do BTG Pactual, apesar do curto prazo difícil (eles apontam que o primeiro trimestre deve ser outro período fraco), “a ‘normalização’ pode estar ao virar a esquina (a vacinação é uma realidade) e as ações de shoppings parecem muito atraentes em termos de precificação (ainda negociando perto dos mínimos históricos, apesar do sólido desempenho recente), daí nossa visão otimista do setor”, disseram. 

Os analistas do Credit Suisse, que também veem as ações do setor como “excessivamente descontadas”, apontaram Multiplan e Iguatemi como suas preferidas, citando que os investidores devem favorecer players de qualidade e defensivos para operar o “reopening trade” (ou seja, a escolha de papéis pensando na reabertura da economia).  

Nesta quarta-feira, foi a vez do Morgan Stanley atualizar suas estimativas para o setor. O banco elevou a recomendação das ações de brMalls, de equal-weight (equivalente a neutro) para overweight (equivalente a compra), com preço-alvo em 11,00 reais. A meta corresponde a um potencial de valorização de 14%. 

O banco, que citou para a revisão que o risco/retorno do setor parece agora mais balanceado, aumentou também a classificação de Iguatemi e Multiplan, de underweight (equivalente a venda) para equal-weight.

Foto de Paula Barra da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Especializada na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub | paula.barra@exame.com


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