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ESG

Como a GM se preparou para o trainee exclusivo para negros

PUBLICADO EM: 6.12.21 | 10H15
Track 2021 Talentos Negros, da General Motors, selecionou 16 profissionais negros. Para a efetividade do processo, toda a empresa passa por ações antirracista
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Imagem da Editoria Exame Invest
Marina Filippe

Jornalista



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O primeiro trainee da General Motors exclusivo para pessoas pretas e pardas começou e, para a efetividade do processo que selecionou 16 pessoas de todo o Brasil, os funcionários da companhia foram preparados em ações antirracistas, de forma que o novo grupo fosse bem recebido e, agora, possa ter as melhores condições de trabalho nos próximos três anos, período no qual se preparam para poder assumir a liderança em carreiras como cadeia de suprimentos; vendas, pós-vendas e marketing; manufatura e finanças.

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"Desde 2019 trabalhamos com o tema mais fortemente a partir de grupos de afinidade, mas para o trainee fizemos benchmarking em empresas como Magazine Luiza e Bayer, treinamos as lideranças em vieses inconscientes, divulgamos conteúdos antirracista para todos, e mais", diz Christian Cetera, diretor de recursos humanos da GM América do Sul.

Segundo o executivo foi preciso também um trabalho externo, para que a companhia fosse vista como um bom lugar para a população negra trabalhar. “Percebemos que muitos negros não enxergavam a GM como uma empresa na qual eles podiam trabalhar. Assim, tivemos uma jornada de comunicação e atração com ajuda de consultoria externa e do nosso grupo interno”.

A preparação para o trainee levou cerca de um ano, e contou também com processos de respaldo jurídico, após a proporção que tomou o caso do Magazine Luiza, que chegou a ser processado por anunciar um trainee exclusivo para pretos e pardos.

No caso da GM, além desse período de um ano, cinco meses passaram durante o processo de seleção. “A inclusão é uma mudança de cultura e não ocorre de uma hora para a outra. Fizemos várias palestras durante este ano. Foram mais de 15 webinars nos últimos oito meses, sendo o último deles, na semana passada, com mais de 2.500 pessoas assistindo”, diz Adriana Quintas, líder de Diversidade e Inclusão da GM.

Ainda de acordo com os executivos, é importante que toda a companhia esteja alinhada ao propósito da empresa. “Queremos que a GM seja a companhia mais inclusiva do mundo, isto está combinado com a CEO global Mary Barra, que reforça o objetivo em suas ações e falas”, diz Cetera.

Atualmente, 20% da GM Brasil se autodeclara negra. No próximo ano, um censo mapeará os funcionários com mais precisão. Já para o trainee exclusivo também estão previstas novas edições.

O trainee

Ao todo, 5.786 pessoas se registraram no programa Track 2021 Talentos Negros, lançado em julho de 2021. Os selecionados superaram a concorrência de cerca de 360 candidatos por vaga e iniciaram, em 17 de novembro, suas carreiras nas áreas de cadeia de suprimentos; vendas, pós-vendas e marketing; manufatura e finanças.

O programa de trainee da GM acontece desde 2014 e abre, anualmente, em média 15 vagas para profissionais recém-formados de diferentes áreas.

O Track 2021 Talentos Negros tem duração de 3 anos, com rotação entre as subáreas e o desenvolvimento de um projeto da área de alocação. A próxima etapa prevê que os novos colaboradores passem por uma profunda imersão em diferentes plantas e localidades da GM no Brasil, além de encontros com líderes, incluindo o CEO da GM América do Sul, Santiago Chamorro. Os participantes contam também com mentorias de líderes que os acompanham ao longo do processo.

Diversidade nos processos seletivos

A GM anunciou também neste ano outra novidade em seus processos seletivos. Para estimular a presença das mulheres na indústria automotiva, a companhia passou a contar com ao menos 50% de mulheres entre os candidatos para posições mensalistas. Entre as novas contratações realizadas pela companhia desde então, 56,6% dos colaboradores são mulheres.

Para atingir a inclusão, a companhia entende que a igualdade de gênero tem papel estratégico. Não por acaso, a CEO global é uma mulher: em 2013, Mary Barra tornou-se a primeira mulher a comandar um grupo automotivo, setor que historicamente era reconhecido pela afinidade com o gênero masculino - algo que vem mudando na história da GM.

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