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CARREIRA

Como esta ONG quer treinar jovens para profissões com os maiores salários

PUBLICADO EM: 17.4.21 | 8H00
ATUALIZAÇÃO: 16.4.21 | 16H28
A Social Finance, financiada por um fundo de US$ 40 milhões controlado por investidores filantrópicos, paga treinamentos profissionais a jovens de baixa renda e só exige pagamento depois da contratação

Alunos da American Diesel Training: a Social Finance, uma organização sem fins lucrativos, está divulgando um modelo no qual os programas de treinamento são pagos se os alunos forem contratados, não apenas se eles se inscreverem (NYT)

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Maria Clara Dias

Repórter da Exame



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No ano passado, Bill Barber viu no Facebook um anúncio da American Diesel Training Centers, escola em Ohio de treinamento profissional para mecânicos de motores a diesel. O tom era incomum: ele pagaria o curso apenas se conseguisse um emprego, graças a uma organização sem fins lucrativos chamada Social Finance.

Quando teve certeza de que não era um golpe, inscreveu-se no curso. Depois de passar pelo programa imersivo de cinco semanas, conseguiu um emprego com salário inicial de US$ 39 mil por ano – cerca de US$ 10 mil a mais do que ganhava antes como instalador de TV a cabo. "Achei que era minha melhor oportunidade de sucesso", contou Barber, de 23 anos.

O American Diesel Training faz parte de um novo modelo de treinamento da força de trabalho – que vincula, em parte, o pagamento dos cursos à contratação dos alunos. Os primeiros resultados são promissores, e especialistas dizem que a abordagem faz muito mais sentido econômico do que o método tradicional, no qual os pagamentos se baseiam no número de inscritos.

Por enquanto, há poucos desses programas que treinam americanos de baixa renda para carreiras com melhores salários. O desafio é alinhar o financiamento e os incentivos para que alunos, empresas de treinamento e empregadores se beneficiem.

Mas a Social Finance, fundada há uma década para desenvolver novas formas de financiar programas sociais focados em resultados, está mostrando como a ideia pode crescer rapidamente, agora que a pandemia tornou os programas de treinamento profissional mais importantes do que nunca. O coronavírus deixou milhões de trabalhadores desempregados, prejudicando indústrias e acelerando a automação.

O trabalho da Social Finance é financiado por um fundo de mais de US$ 40 milhões, bancado por investidores filantrópicos. O dinheiro paga o programa de treinamento de alunos de baixa renda, além de candidatos de minorias e veteranos das forças armadas. O grupo não está relacionado com a empresa de crédito on-line SoFi.

Quatro programas de treinamento profissional receberam apoio, incluindo o American Diesel Training, no ano passado. Há planos de que o número dobre daqui a um ano.

A Social Finance está aconselhando o estado de Ohio sobre programas de pagamento por sucesso e está em negociação com vários outros estados americanos. O financiamento da organização garantido por investidores é chamado de título de impacto na carreira, enquanto as iniciativas apoiadas pelo estado são chamadas de fundos de antecipação, já que os pagamentos dos graduados ajudam a manter novos alunos.

Algumas organizações sem fins lucrativos costumam ajudar americanos de baixa renda a conseguir um emprego com melhor salário, incluindo a Year Up, a Per Scholas e o Project Quest. Seu treinamento é fortemente centrado em habilidades e ocupações específicas, no trabalho em estreita colaboração com os empregadores e no ensino de outras habilidades, como comunicação e trabalho em equipe. Mas há poucas delas, que lutam por financiamento sustentável.

A Social Finance está buscando, projetando e apoiando novos programas – com ou sem fins lucrativos – que seguem essa fórmula de treinamento, mas que aplicam um modelo de financiamento diferente.

"Há provas de que esse tipo de programa é uma parte muito eficaz e emocionante do desenvolvimento da força de trabalho. A Social Finance procura e ajuda novos programas, e lhes oferece um mecanismo de financiamento que permite a expansão", disse Lawrence Katz, economista do trabalho em Harvard.

Seu fundo de mais de US$ 40 milhões é usado em projetos-teste, que mostram que seu modelo poderia ser amplamente utilizado, sejam apoiados pelo governo ou por grupos que investem em programas sociais, em uma série de ocupações, incluindo setores qualificados. "O objetivo é criar uma ferramenta de impacto para colocar mais pessoas na escada rolante econômica", afirmou Tracy Palandjian, cofundadora e executiva-chefe da Social Finance.

O acordo de pagamento da Social Finance com os alunos varia de cerca de 5% a 9% dependendo dos ganhos destes – menor entre os que ganham de US$ 30 mil a US$ 40 mil, e geralmente maior para os salários acima de US$ 40 mil. Os pagamentos mensais duram quatro anos. Se você perder o emprego, a obrigação de pagamento é interrompida. "Nossos investidores não estão atrás de altos retornos. Estão buscando principalmente impacto social", garantiu Palandjian.

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