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Ação do Magalu continua a ser um bom investimento, diz gestora da Mauá

PUBLICADO EM: 13.4.21 | 6H00
ATUALIZAÇÃO: 14.4.21 | 8H43
Carolina Ujikawa, especializada em análise de varejistas, expõe sua tese e perspectivas para as ações do segmento

Carolina Ujikawa: Magazine Luiza é a mais resiliente do segmento, enquanto setor de vestuário tem momento ruim

Imagem da Editoria Exame Invest
Marília Almeida

Repórter de Invest marilia.almeida@exame.com



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Carolina Ujikawa, analista-chefe e gestora na Mauá Capital, tem um objetivo claro: buscar empresas de qualidade com balanços fortes, partindo de uma análise fundamentalista. "Procuro empresas em um momento ruim que não afetará o seu futuro. Nosso foco não são barganhas, mas qualidade com preço razoável". Com essa visão, Ujikawa, que acompanha o setor de varejo há uma década, vê como circunstancial o ajuste ocorrido recentemente na ação da rede varejista Magazine Luiza (MGLU3), por muito tempo queridinha do mercado.

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Há cerca de um mês a ação começou a cair de forma mais forte, saindo do patamar de 24,15 reais para 21,55 reais. Ainda que o papel tenha disparado e recuperado parte da perda após o anúncio de uma aquisição, ainda está bem abaixo do pico de 27,45 reais registrado em novembro, quando se leva em consideração os últimos seis meses (há um ano, a ação valia 10,45 reais).

Ujikawa é gestora de um fundo de previdência que foi criado há sete meses e é composto por ações de empresas brasileiras, cobra uma taxa de administração de 2% ao ano e tem liquidez D+2. Veja abaixo a entrevista que a gestora concedeu à EXAME Invest:

Quais ações exigem hoje atenção do investidor tanto de forma positiva como negativa no segmento de varejo, no qual você acompanha há 10 anos?

As ações do varejo estão bastante depreciadas. Continuo otimista com Magazine Luíza, ainda que o papel tenha sofrido recentemente. É uma ação resiliente, e mais de 50% das vendas da empresa já são registradas por meio do comércio eletrônico.

Acredito que o papel se desvalorizou por conta de um fluxo interrompido de aplicação de investidores estrangeiros na empresa, que aconteceu quando a questão política no país piorou. Também há uma certa dúvida sobre se a empresa irá sobreviver á disrupção tecnológica e à inovação, e eu acredito que irá continuar crescendo, atingindo novos mercados e oferecendo novos serviços. Ou seja, continua a ser um bom ativo para investir.

Já quando olhamos para o varejo físico, a cautela é maior. Minha carteira tem uma porção menor de papéis do setor de vestuário. Mas a Lojas Renner (LREN3) não vai quebrar: só teve um ano difícil porque 80% de suas vendas ainda acontecem no varejo físico. Mas as pessoas não vão deixar de consumir os produtos. Esse consumo apenas irá voltar com ritmo coerente ao da retomada do país. Mas vai voltar.

Já papéis como o da Via Varejo (VVAR3) refletem ambas as situações. A empresa sofreu um revés no varejo físico. Apesar de ainda ser subdesenvolvida no e-commerce, vem se desenvolvendo melhor do que no passado.

Tivemos um aumento de juros inesperado pelo mercado. Caso a inflação continue a subir, e o aumento dos juros se acelere, isso pode mudar o preço dos ativos na sua visão?

A inflação está surpreendendo não apenas do Brasil, mas sim ao redor do mundo, já que diversos países estão criando incentivos para o consumo. Isso tem como consequência a alta de preço das commodities, que provocam aumento dos preços. Aqui, temos ainda um agravante, que é a forte desvalorização do real ante o dólar.

Os juros afetam a percepção da bolsa. É nosso custo de oportunidade. Sem risco tínhamos um retorno enorme, o que é uma distorção em relação ao resto do mundo. Tanto que a bolsa estava fora da realidade da maior parte dos brasileiros. Eles não precisavam encarar o risco. Agora começam a entrar achando que fácil, cria euforia, passa por ajuste até que pessoas passam a olhar com mais cautela. É um processo natural de conhecimento pelo qual os investidores passam, e não deve gerar desespero.

Acredito que haja um caminho do meio entre uma taxa tão baixa e outra elevada. É de se esperar que a taxa juros possa subir um pouco mais, mas deve haver um equilíbrio entre os 2% ao ano, a mínima histórica, e os 14% ao ano do passado.

Mas é um momento difícil de prever. O presidente brasileiro tomou uma atitude diferente da do resto do mundo. Se sobressaiu muito e trouxe incerteza. Passamos por diversas crises politicas no Brasil, mas estamos em um momento no qual a crise política afeta a economia, além da questão sanitária e social.

Agora, na segunda onda, está mais cautelosa na análise das empresas?

Quando a pandemia chegou por aqui aproveitamos oportunidades: algumas empresas continuaram no portfólio e introduzimos outras porque o preço passou a valer a pena. É o caso da Vale. Apesar do caixa enorme e balanço forte, a ação da mineradora vinha sofrendo. Em relação ao petróleo, já estávamos fora. Depois da queda na demanda por querosene da aviação, quando foram feitos anúncios na Rússia e Arábia Saudita a situação se agravou. Independente da pandemia, o segmento passa por mudanças estruturais.

Agora estamos em um momento de pico de mortes, varejo físico fechado, leitos lotados e vacinação em ritmo que não agrada. Mas existe alguma visilidade. Essa é a diferença em relação ao ano passado, quando estávamos no ápice do desconhecimento e não sabíamos nem se teríamos vacina. Agora teremos vacinas, é uma questão de tempo. Então, vai chegar um momento, provavelmente em 2022, no qual a situação irá se normalizar.

O ponto negativo é que as empresas menores estão sofrendo muito. Quanto mais a crise demora a passar mais empreendedores ficam pelo caminho. Já pelo lado positivo, se é que podemos colocar dessa forma, quase todas as empresas que têm capital aberto na bolsa conseguiram levantar fundos e, diferente de outras crises registram balanços fortes. Não tem nenhuma quebrando, mas sim ganhando market share porque outras estão ficando pelo meio do caminho. A discussão é quanto crescimento irão ter.

Nesse cenário, de dólar nas alturas e instabilidade, é recomendado que a carteira tenha uma diversificação no exterior? Há empresas listadas lá fora que recomenda?

Meu fundo não pode investir lá fora. Então, acabo aplicando de forma indireta no exterior via commodities. O Brasil é um exportador muito relevante, e aplicando em algumas empresas é possível diversificar no câmbio e demanda ao redor do mundo.

É o caso de segmentos como o aço, minério, açúcar, papel e celulose e também o de fabricantes de proteínas. Hoje, 80% da operação da JBS acontece fora do país. Vale, Suzano e a Cosan têm apenas uma parte de sua distribuição no país. Então é possível, ao aplicar nestas ações, apostar em uma recuperação global que acontecerá de forma mais rápida do que a do Brasil.

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Marília Almeida

Repórter de Invest marilia.almeida@exame.com


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