ECONOMIA

Decisão sobre Selic pode agravar crise do governo, alerta Gustavo Franco

PUBLICADO EM: 5.3.21 | 14H23
Ex-presidente do BC e sócio da Rio Bravo afirma que troca do presidente da Petrobras foi um "erro de cálculo político terrível"

Gustavo Franco, sócio da Rio Bravo Investimentos e ex-presidente do Banco Central

Da Redação

Repórter da Exame



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Um dos economistas mais experientes e respeitados do país, Gustavo Franco faz um alerta a investidores sobre o clima de tensão e incertezas que tomou conta do país e do mercado financeiro motivado pela atuação do governo de Jair Bolsonaro.

A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central "será das mais importantes dos últimos tempos". O diagnóstico foi feito na Carta da Rio Bravo Investimentos, gestora da qual é sócio-fundador.

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"Dentro do catálogo das tensões clássicas entre presidentes com questões de popularidade e suas autoridades econômicas, o aumento nos juros é um assunto no mínimo tão grave quanto o aumento no diesel", escreve Franco no relatório distribuído a investidores.

"O presidente sancionou a PEC (da autonomia do BC) que cria mandatos para os dirigentes do BCB (Banco Central do Brasil), mas os atuais dirigentes não estão protegidos pela regra nova. A demissão de (Roberto) Castello Branco oferece um desconfortável pano de fundo para decisão do dia 17", completa Franco.

Franco, ex-presidente do Banco Central e um dos economistas que participaram da elaboração do Plano Real, critica com ênfase a decisão de mudança do presidente da Petrobras.

"A substituição imotivada do presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, foi um erro de cálculo político terrível do qual resultou uma perda impressionante no valor de mercado da empresa, afetando também outras estatais, o risco Brasil e o câmbio, além de uma perda de credibilidade do presidente da República e de seu ministro da Economia."

O economista também faz críticas à condução do país e do combate da pandemia por parte do presidente Jair Bolsonaro.

"O desgaste e o isolamento do presidente – que insiste em antagonizar máscaras, distanciamento e especialmente lockdown – serão progressivos e proporcionais ao rastro de devastação deixado pela Covid-19. Ao tratar a pandemia como se fora um tema no contexto da guerra de narrativas, ou um problema de marketing, a insensatez do presidente
o torna responsável pelo mau desempenho do país no combate à pandemia", escreve Franco.


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