Demanda pré-Natal favorece títulos mais arriscados de emergentes | Exame Invest
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Demanda pré-Natal favorece títulos mais arriscados de emergentes

PUBLICADO EM: 27.11.20 | 13H28
ATUALIZAÇÃO: 27.11.20 | 13H46
Otimismo com vacinas e transição de governos nos Estados Unidos favorecem o movimento

O rali pelos emergentes sinaliza confiança de que a pandemia será contida

Beatriz Quesada

Repórter especializada na cobertura de mercados. Formada pela ECA-USP, passou pelas redações da revista Capital Aberto e rádio BandNews FM.



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(Bloomberg) Investidores aumentam as apostas em alguns dos títulos mais arriscados em mercados emergentes, apenas algumas semanas antes da calmaria das festas de fim de ano.

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Como a expectativa para o período é que investidores reduzam a exposição ao risco e preservem os lucros, o rali pelos emergentes sinaliza confiança de que a pandemia será contida, que a política de estímulos dos bancos centrais continuará e que os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos irão permenecer nos níveis atuais ou até mesmo diminuir.

A dívida com vencimentos mais longos, maior duração ou nota de crédito mais baixa supera o desempenho dos segmentos de prazos mais curtos e seguros do mercado em novembro, mesmo com o rendimento médio de títulos em dólares de mercados emergentes em mínima histórica. Títulos de maior risco eram negociados com desconto nos meses anteriores à vitória de Joe Biden nas eleições presidenciais dos EUA.

“Há um interesse geral crescente por rendimentos e mercados emergentes especificamente, incluindo títulos corporativos”, disse Cristian Maggio, responsável por estratégia de mercados emergentes da TD Securities, em Londres. “A política acomodatícia do Federal Reserve pode permanecer em vigor por ainda mais tempo, sugerindo uma aposta de duração-extensão.”

Dívidas com vencimento daqui a mais de uma década oferecem, neste mês, retorno 10 vezes maior do que títulos com prazo menor do que um ano, segundo o índice Bloomberg Barclays EM USD Aggregate Total Return, que inclui títulos soberanos e corporativos. O movimento marca uma virada do mercado: títulos de prazo mais longo tiveram o pior desempenho no período de setembro a outubro.

Há uma tendência semelhante quando os títulos são classificados pela chamada “duration”, uma métrica que rastreia a sensibilidade dos preços de mercado às mudanças no rendimento. Os investidores agora preferem títulos de maior duração, sugerindo que os juros devem permanecer baixos a nível global. Nos últimos meses, investidores haviam migrado para títulos de curta duração em antecipação a rendimentos mais elevados dos Treasuries dos EUA.

O índice de referência com títulos soberanos e corporativos deu um salto de 2,9% neste mês, reduzindo o rendimento médio em 37 pontos-base.

O fato de que títulos com nota de crédito inferior têm superado o desempenho da dívida com classificação mais elevada sustenta ainda mais a aposta.

A dívida em dólares de mercados emergentes com nota CCC ou CC gerou retornos totais de dois dígitos neste mês, em comparação com ganhos de menos de 2% em títulos A e AA. A alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA entre agosto e início de novembro reduziu o apelo de títulos com grau de investimento, enquanto a menor incerteza política nos EUA animou traders a comprarem títulos de grau especulativo.

“O princípio é que o mercado busca assumir mais riscos - seja de crédito, duração ou outros fatores”, disse Maggio.


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Repórter especializada na cobertura de mercados. Formada pela ECA-USP, passou pelas redações da revista Capital Aberto e rádio BandNews FM.


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