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Depois de alta de 40% nas ações, quais as perspectivas para a Suzano?

PUBLICADO EM: 18.1.21 | 17H49
Oferta global limitada de celulose cria condições para reajustes sucessivos da matéria-prima, a tal ponto que clientes tentam antecipar compras para travar o preço

Marcelo Sakate

Repórteres da Exame



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A Suzano (SUZB3) espera que a forte recuperação dos preços da celulose impulsione o lucro e acelere a desalavancagem neste trimestre.

A oferta global de celulose está mais limitada com a retomada da demanda chinesa, depois que produtores com altos custos cortaram a produção em reação à queda dos preços causada pela pandemia. É uma boa notícia para empresas de baixo custo como a Suzano, que começou a reajustar seus preços para cima.

As ações da Suzano subiram cerca de 40% desde meados de setembro, acompanhando a alta dos preços.

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“Os fundamentos se mostram mais favoráveis do que se pensava”, disse Carlos Anibal de Almeida Jr., diretor comercial de celulose da Suzano. “Os clientes entenderam que os fundamentos atuais justificam o ajuste de preço”, afirmou em entrevista à Bloomberg.

A empresa vem subindo os preços há meses consecutivos. O aumento mais recente foi na China, onde a Suzano cobrará 580 dólares pela tonelada da celulose de fibra curta a partir de fevereiro. Os preços, que caíram de 770 dólares em meados de 2018 para 440 dólares em agosto, podem voltar a 640 dólares no próximo trimestre na Ásia, disse Almeida, citando projeções de analistas.

Os preços também avançaram na Europa, que foi a região mais afetada pela queda da demanda no ano passado. Para janeiro, a Suzano elevou os preços europeus para 750 dólares em relação à média de 680 dólares de 2020. Enquanto outro aumento para a Europa já esteja em estudo, Almeida disse que consultores preveem que os preços vão subir para 850 dólares neste ano.

A queda do dólar também amortece o efeito de preços mais altos para clientes em ambas as regiões.

A alta dos preços tem um grande impacto na Suzano, já que a celulose responde por 90% do Ebitda, o maior peso entre os concorrentes, de acordo o JPMorgan Chase. O ganho das ações da empresa no último ano é mais que o dobro do registrado por um índice global de empresas do segmento de madeira e silvicultura.


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“Como a mudança de mercado veio no final do ano passado, podemos ver o impacto nos resultados do primeiro trimestre”, disse o diretor financeiro, Marcelo Bacci, na mesma entrevista. Ele também acredita que os preços mais altos da celulose denominados em dólares tendem a acelerar a desalavancagem da empresa.

O aperto da oferta tem levado compradores a intensificarem as aquisições mensais além do volume previsto nos contratos a fim de se antecipar a novos aumentos, disse Almeida. Ele não quis comentar sobre os clientes da Suzano.

Na semana passada, o JPMorgan disse que algumas indústrias de celulose estão se negando a aceitar novos pedidos de compra de clientes pois seus estoques estão baixos. O espaço para clientes aumentarem o volume mensal de pedidos é limitado, disse Almeida.

“O que posso dizer é que a Suzano está cumprindo todos os contratos”, disse. A empresa planeja usar mais da capacidade de produção neste ano, embora o executivo não tenha comentado se esses planos poderiam ser expandidos, dada a recuperação global dos preços.

Produtores da América do Norte, onde os custos de produção são maiores do que no Brasil, operaram com margens apertadas ou negativas devido aos preços baixos e prolongados, aumento dos custos de logística e fraqueza do dólar, disse.

Isso fez com que algumas fábricas fechassem ou cortassem gastos com manutenção, o que levou a reduções inesperadas da produção, afirmou Almeida.

*Com a Redação.


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