ESG

Dia das Mães: nestas empresas, a maternidade é um diferencial competitivo

PUBLICADO EM: 9.5.21 | 8H00
ATUALIZAÇÃO: 7.5.21 | 18H14
Companhias valorizam a presença de mulheres - mães ou gestantes - e criam cultura própria de contratação e retenção de talentos femininos

Carolina Barbosa foi recontratada na Azul, mesmo estando grávida de 5 meses

Imagem da Editoria Exame Invest
Maria Clara Dias

Repórter da Exame



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Carolina Gimenes Barbosa, 30, trabalhava há quase 10 anos na Azul. Com a pandemia de covid-19, ela foi uma entre os 2.000 funcionários desligados da companhia em julho do ano passado, um reflexo imediato do baque econômico no setor da aviação. À época, era analista administrativa e passava por um processo seletivo para uma vaga na área de recrutamento e seleção.

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Em setembro, descobriu que estava grávida e, diante de um dos mais comuns limbos enfrentados por mulheres ao longo da carreira, Caroline se viu diante de inúmeros “nãos” em processos seletivos, algo que acontecia com frequência ao comunicar os recrutadores sobre sua gravidez. “Era algo assustador. Não recebia respostas, nem pelo sim, nem pelo não. Apenas não me davam retorno algum”, disse.

Em dezembro de 2020, dois meses depois de descobrir sobre a gestação, ela recebeu uma ligação da Azul junto de um convite para voltar a trabalhar na empresa. Em janeiro deste ano, com 5 meses de gravidez, ela reiniciou sua jornada na companhia como agente de aeroporto em Viracopos, em Campinas (SP).

“Senti que a empresa não considerou apenas o tempo em que eu estaria fora em uma licença, mas o quanto eu poderia contribuir no período em que estaria por aqui’, diz. “Me senti muito valorizada e com ainda mais vontade de ser uma ótima profissional”. O relato de Carolina sobre o acontecimento foi visto por mais de 30 mil pessoas no LinkedIn.

“Ficamos surpresos com essa repercussão, porque para nós era uma ação muito natural”, diz  Camila Almeida, diretora de Pessoas da Azul. No início do ano, a empresa voltou a contratar os funcionários que haviam sido demitidos em função da pandemia. Até o momento, 800 pessoas retornaram à Azul. Além de Carolina, outras três gestantes também foram recontratadas.

Segundo a executiva, a ação veio para juntar as pontas entre o desejo do CEO da empresa em alavancar o crescimento após o primeiro ano de pandemia e a pregação da empresa sobre o valor de “paixão”, que consiste em dar oportunidade a todos.

“Para nós, o essencial é o desejo de trabalhar na Azul, faz parte da popularização da nossa cultura organizacional. Assim, pouco importa raça, gênero, religião ou o fato de estar grávida ou não. Queremos avançar”, diz.

A empresa também mantém o programa “Cegonha Azul", criado há quatro anos e que acompanha as grávidas durante toda a gestação, com consultas médicas, psicológicas e nutricionais e orientações de cuidados com o bebê, por exemplo. No primeiro semestre de 2021, são esperadas 100 grávidas e, para a segunda metade do ano, a empresa espera impactar o dobro de mulheres ao estender o programa para esposas de tripulantes masculinos.

A Azul também possui políticas de remuneração para mulheres grávidas, especialmente as comissárias de bordo. “Sabemos que existem questões legais e de cuidado com a saúde para as gestantes voarem, mas garantimos a remuneração durante toda a gestação e período de licença-maternidade, sem mudanças”, diz.

Gravidez nas startups

Marina Vaz é fundadora e CEO da Scooto, empresa paulista de atendimento ao cliente e que funciona em modelo 100% remoto. De acordo com Marina, a criação da startup partiu de uma dor pessoal. “Não encontrava no mercado uma oportunidade que permitisse conciliar a vida como mãe e traballhadora”, disse.

Fundada em 2017, a Scooto tem como missão contratar apenas mulheres, e a participação de mães na força de trabalho já é de 95%. Naquele mesmo ano, Marina também fundou a B2Mamy, hoje uma das principais comunidades e aceleradoras de empresas fundadas por mulheres e mães empreendedoras do país.

Em fevereiro, a Scooto também contratou uma gestante, grávida de 7 meses. “Parece que manter essa funcionária durante uma possível licença é um custo, mas é um investimento”, diz. Para ela, fomentar a cultura da valorização é mais do que garantir direitos legais, mas fazer com que as mulheres mães possam exercer a profissão sem medo de ser quem são.

Marina Vaz, CEO da Scooto (Scooto/Divulgação)

Manter um trabalho remoto e horários flexíveis são fatores que dificultam o retorno das mães ao mercado de trabalho, segundo a empreendedora. “Entender que a minha dificuldade era muito parecida com a de muitas outras mulheres motivou a criação da Scooto, que tenta facilitar a vida de mães que desejam mais flexibilidade”, disse.

Hoje a Scooto tem 50 funcionárias, apelidadas de “scooteiras”. Até o final do ano, a meta é quadruplicar esse número. “Nossa missão é permitir que mães possam buscar o filho na escola, levar as crianças para a natação e poder participar de tudo isso, e só com isso, somos capazes de reter muitos talentos”, diz.

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