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Dinheiro é usado apenas em 20,5% das compras. O fim das cédulas está próximo?

PUBLICADO EM: 15.3.21 | 13H48
ATUALIZAÇÃO: 15.3.21 | 18H08
Relatório global de meios de pagamento da FIS, referência em tecnologia para pagamentos eletrônicos, mostra que o dinheiro físico deve ter sua participação reduzida ao mínimo possível nos próximos anos
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É necessário que comerciantes estejam preparados para captar esse potencial, afirma o relatório

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Karina Souza

Repórter da Exame



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Com o avanço das compras digitais, relacionadas ao isolamento social forçado pela pandemia, o uso do dinheiro físico despencou. De acordo com a WorldPay from FIS, uma das maiores companhias de tecnologia para meios de pagamento do mundo, as cédulas foram usadas somente em 20,5% do volume total de transações em pontos de venda. O volume representa queda de 32,1% em relação a 2019.

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Em seu mais recente relatório global de tendências de meios de pagamento (The Global Payments Report), obtido com exclusividade pela EXAME, a companhia mostra que até mesmo no Brasil — em que uma a cada três pessoas acima dos 16 anos não tem conta em banco — esse volume caiu significativamente: em 2020, as cédulas foram utilizadas em apenas 35% das transações, ante 47% no ano anterior.

“A preferência pelo uso do dinheiro físico respeita uma equação complexa que envolve aspectos culturais, político-regulatórios, econômicos, tecnológicos e sociais. Enquanto em países como os Estados Unidos (12%) e China (13%) o dinheiro é cada vez menos utilizado, no Brasil está à frente de mercados considerados maduros, como a Alemanha, onde o dinheiro físico ainda é o método de pagamento preferido em 44% das vendas”, afirma Juan Pablo D'Ántiochia, gerente-geral da Worldpay from FIS para a América Latina.

Globalmente, as cédulas foram usadas somente em 20,5% do volume total de transações em pontos de venda. O volume representa queda de 32,1% em relação a 2019.

 

Na América Latina, o uso de dinheiro em espécie — base do comércio latino-americano — caiu drasticamente (35%) em 2020. Todas as formas de pagamento com cartão tiveram um aumento de participação nos financiamentos de PDV da região em 2020: os cartões de crédito subiram 17% em relação a 2019, atingindo 26,1% dos gastos em 2020, enquanto os cartões de débito chegaram a 23,2% do total de transações.

Fora da região, o financiamento no PDV ganha força, uma vez que o pagamento parcelado passa a ser uma realidade recente. “Empresas como a Klarna e Afterpay crescem a ritmo acelerado ao oferecer soluções de crédito no check-out, algo realmente inovador em alguns mercados onde pagamentos parcelados não eram comuns, como nos Estados Unidos e Reino Unido”, afirma Juan Pablo D’Ántiochia, gerente-geral da Worldpay from FIS para América Latina.

Ainda assim, o cartão de crédito não deve continuar a ser um meio de pagamento com projeção de crescimento nos próximos três anos. Segundo o estudo, as carteiras digitais e os cartões de débito são os únicos métodos de pagamento no comércio eletrônico com projeção de crescimento até 2024. Os cartões de crédito, os cartões de compras, as transferências bancárias, o pagamento na entrega e os serviços pós-pagos terão declínios graduais de participação nos pagamentos do comércio eletrônico.

A tendência também é observada pela área de consultoria da Visa. Na visão da empresa de cartões, a implantação de tecnologia de segurança favoreceu as transações virtuais em 2020 e deve continuar se popularizando.

“O débito aqui deve crescer cada vez mais, principalmente na internet. É um ponto que a gente tem fomentado, principalmente o uso dele dentro dos e-commerces e marketplaces. A gente entende que vai ter um equilíbrio maior nos próximos anos”, afirma Oscar Pettezoni, diretor executivo da Visa Consulting & Analytics.

E o Pix?

“O Pix deverá ter uma aderência rápida para qualquer pagamento de baixo valor, como contas mensais e compra de itens pagos atualmente à vista, e deveremos ver empresas oferecendo benefícios para os clientes que optarem pelo Pix, principalmente para pagamentos recorrentes. Contudo, ainda não é uma alternativa para compras de maior valor, normalmente pagas em parcelas. Estas funcionalidades, entretanto, já estão previstas e devem simbolizar uma nova fase do Pix como uma solução viável para pagamentos instantâneos em novas ocasiões e categorias de consumo no Brasil”, afirma Juan.

Fato é que o novo meio de pagamento ganha cada vez mais espaço. Uma pesquisa conduzida no ano passado pela Globo mostrou que o boleto bancário e o dinheiro em espécie serão os meios de pagamento mais afetados pelo Pix.

Em números, os brasileiros pretendem utilizar o Pix como substituto dos seguintes meios de pagamento, em ordem decrescente de menções: boleto bancário (54%), dinheiro (53%), cartão de crédito (49%) e cartão de débito (39%).

Como estar preparado?

“Os comerciantes brasileiros devem buscar ampliar a resiliência de seus negócios oferecendo canais digitais que os permitam vender mesmo em caso de medidas mais restritivas de isolamento e atingir novos mercados através de marketplaces, por exemplo”, afirma Juan.

Migrar para os marketplaces foi uma estratégia adotada por diferentes lojistas durante o último ano. A crise levou o triplo de lojistas por mês para o Magazine Luiza, Mercado Livre e B2W. “A velocidade de expansão do marketplace indica o potencial da plataforma para pequenas e médias empresas”, disse Maurício Salvador, presidente da ABComm.

De acordo com dados apurados pela EXAME, a projeção é de que a fatia dos marketplaces dentro das vendas digitais no Brasil chegue a 48% ainda neste ano. O montante representa um aumento significativo em relação a 2019, quando o percentual era de 35%.

Com tanto potencial a ser explorado no varejo digital brasileiro, até mesmo as grandes empresas estão de olho nisso. Recentemente, o Magazine Luiza comprou a VipCommerce, que oferece tecnologia para mais de 100 redes de supermercado — reforçando o mix de produtos em um período no qual os consumidores estão migrando cada vez mais para a comodidade do ambiente digital.

Das vendas ao pagamento, fato é que os hábitos digitais devem permanecer. "A pandemia acelerou um processo já em andamento, e abriu caminhos para consumidores mais conservadores iniciarem um contato com novos métodos de pagamento mais digitais. Quando o usuário entende e acessa meios mais fáceis e seguros para fazer algo, dificilmente retorna aos processos anteriores”, diz D’Antiochia.

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Karina Souza

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