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Do 'não' a Lemann à própria gestora: conheça o fundador da Urca Capital

PUBLICADO EM: 14.5.21 | 6H00
ATUALIZAÇÃO: 14.5.21 | 1H22
Há 12 anos no mercado, Leonardo Nascimento comanda uma consultoria de negócios, especializada em fusões e aquisições, que também atua como gestora

Urca: no ano passado, a empresa deu mais um passo e estreou na gestão de recursos de terceiros com um lançamento de um fundo imobiliário

Foto de Karla Mamona da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Karla Mamona

Repórter da Exame



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O empresário Jorge Paulo Lemann é uma das maiores referências do mundo dos negócios e do mercado. Para muitos, é um sonho e um privilégio trabalhar diretamente com ele. Em 2011, Leonardo Nascimento, 37, sócio da Urca Capital Partners, recebeu um convite do bilionário, mas recusou a proposta porque queria seguir os seus planos.

Por meio de uma reunião, Lemann convidou Nascimento para ser sócio do fundo Gera Venture Capital, fundo que tem o bilionário como principal investidor. Ele seria sócio ao lado de Duda Falcão e Rafaela Villela. “O convite do Lemann me deixou angustiado e pensando durante um final de semana inteiro. Mas eu estava feliz na ‘empresa de um homem só’ e recusei a proposta. Foi o maior desafio da minha carreira”, disse Leonardo Nascimento em entrevista à EXAME Invest

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A “empresa de um homem só” a qual Nascimento se refere é a Urca Capital Partners, fundada por ele em 2009. Há 12 anos no mercado, ela se firmou como uma butique de assessoria de fusões e aquisições, principalmente no mercado de educação. Um dos maiores cases de sucesso é a venda da rede de 13 unidades do Sistema Elite de Ensino, justamente para o Gera Venture Capital. Atualmente, a Urca conta com 11 pessoas, segundo o site da companhia.

Assim como acontece com a maioria dos empreendedores, Nascimento conta que os primeiros anos do negócio foram bem difíceis. “Antes de a Urca dar certo, ela deu errado várias vezes. Passei três anos apenas sobrevivendo. Ganhava pouco, mas estava muito feliz.” Para investir no próprio negócio, Nascimento largou uma carreira promissora. 

Jovem talento 

Aos 25 anos de idade, ele já tinha experiência no banco de investimentos UBS Pactual (que deu origem ao BTG Pactual) e na consultoria Bain & Company. Formado no Instituto Militar de Engenharia (IME), ele chegou ao cargo de 1º tenente, sendo o mais jovem do Exército brasileiro. Nascimento ingressou no IME com apenas 16 anos. Dois anos antes, ele tinha sido aprovado no vestibular para Física, mas não cursou porque não tinha terminado a escola ainda.

O jovem estudou durante a infância e a adolescência em Duque de Caxias, no Estado do Rio de Janeiro. Desde cedo, demonstrou muita facilidade com o aprendizado. “Meu pai é caminhoneiro e minha mãe é dona de casa. Nasci na região do Fernandinho Beira-Mar. A educação foi a maneira que encontrei para ascender socialmente. Se estivesse ainda no exército já seria major, mas fiquei desgostoso com a carreira.” 

No Pactual, ele trabalhou durante seis meses. Quando ainda estava no banco de investimento, Nascimento teve a ideia de escrever uma carta falando sobre sua trajetória profissional e escolar para os “figurões do mercado”. Entre os que receberam a cartinha estavam Armínio Fraga, André Jakurski e Eike Batista. "Não tinha nada a perder. O máximo que aconteceria é não ter retorno, mas, para minha surpresa, quase todos me responderam, menos o Eike. O Jakurski me ligou e conversamos por meia hora.” 

Por meio dos contatos que Nascimento fez, ele conheceu James Sinclair, na época presidente do Clube dos Alumni da Harvard Business School no Brasil. Foi por meio dele que ele conheceu Manoel Amorim, que foi presidente do Ponto Frio. O executivo indicou Nascimento para um processo seletivo na Bain. “O Manoel falou que eu tinha perfil para trabalhar em consultoria. Participei do processo e passei. Fui fazer um treinamento em Boston com pessoas do mundo inteiro. Me surpreendi muito com o nível intelectual das pessoas que trabalham comigo.”

Apesar do cenário bem promissor, Nascimento pediu demissão depois de quatro meses na empresa. O jovem tinha em mente que queria ter seu próprio negócio, enquanto trabalhar para outras pessoas o deixava infeliz. Preocupado com o futuro do funcionário, Stefano Bridelli, presidente da Bain, disse que daria uma licença de três meses a Nascimento. No período, o jovem teria seu emprego garantido caso precisasse, além do plano de saúde dele e de sua esposa pago. 

Depois de três meses de licença, eles se encontraram novamente. Nascimento tinha fechado seu primeiro negócio, com a escola em que ele tinha estudado na infância. “Minha remuneração era de 3.000 reais por mês, mas fiquei empolgado. Depois de três meses, voltei para conversar com o Stefano e ele me deu um prazo de mais seis meses. Mas eu já tinha tomado gosto pelo desafio.” Nascimento não voltou ao antigo emprego e seguiu na empresa. Em 2012, fechou seu primeiro grande negócio, no valor de 90 milhões de reais. 

No ano passado, a empresa deu mais um passo e estreou na gestão de recursos com o lançamento de um fundo imobiliário. O Urca Prime Renda Fundo de Investimento Imobiliário – FII (URPR11) é voltado ao investidor profissional e é listado na B3. A estratégia principal do fundo é investir em Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) para loteamento e residencial vertical, em especial empreendimentos populares, sejam em construção ou já prontos.

Para este ano, a gestora pretende lançar um fundo de renda de aluguéis de imóveis nos Estados Unidos, com lastro em dólar. Também há previsão do lançamento de um novo fundo. “É o melhor ano da Urca em termos de transações”, comemora Nascimento.

Foto de Karla Mamona da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Karla Mamona

Repórter da Exame


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