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China proíbe lucro de empresas de educação e bilionários perdem fortunas

PUBLICADO EM: 26.7.21 | 9H24
ATUALIZAÇÃO: 27.7.21 | 11H03
Ações chegaram a desmoronar quase 65% após novas regulamentações sobre setor de educação privada
Educação China

As ações da empresa de aulas particulares online de Chen caíram quase 65% nas negociações em Nova York na sexta-feira em reação à revisão regulatória (Photographer: JOHANNES EISELE/AF)

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LarryChen, um ex-professor que se tornou uma das pessoas mais ricas do mundo, perdeu o status de bilionário em meio aos controles da China sobre o setor de educação privada.

Chen, fundador, presidente do conselho e CEO da Gaotu Techedu, agora tem uma fortuna de US$ 336 milhões, segundo o Índice de Bilionários da Bloomberg. As ações da empresa de aulas particulares online de Chen caíram quase 65% nas negociações em Nova York na sexta-feira em reação à revisão regulatória.

No sábado, a China divulgou novos regulamentos que proíbem empresas que oferecem conteúdo de currículo escolar de obter lucro, captar fundos ou abrir o capital. As medidas representam outro revés para Chen, cujo patrimônio encolheu mais de US$ 15 bilhões desde o fim de janeiro diante da desvalorização das ações da Gaotu.

A Gaotu “cumprirá os regulamentos e cumprirá as responsabilidades sociais”, disse Chen na noite de sábado em comunicado no Weibo, um serviço na China semelhante ao Twitter.
Chen não foi o único que ficou menos rico.

A fortuna do diretor-presidente da TAL Education, Zhang Bangxin, encolheu em US$ 2,5 bilhões, para US$ 1,4 bilhão, na esteira da queda de 71% das ações em Nova York na sexta-feira. O presidente do conselho da New Oriental Education & Technology, Yu Minhong, também perdeu o status de bilionário: a fortuna do empresário foi reduzida em US$ 685 milhões, o que avalia sua participação em US$ 579 milhões depois que o preço das ações despencou 54%.

Ambas as empresas divulgaram comunicados semelhantes, prometendo cumprir as novas regras. Gaotu e TAL não responderam a pedidos de comentário sobre o impacto nas fortunas. A New Oriental não quis comentar.

É o novo capítulo de uma impressionante ascensão e queda de Chen, que fundou a Gaotu, anteriormente chamada GSX, em 2014. O preço da ação multiplicou por mais de 13 desde a estreia da empresa na bolsa em 2019 e atingiu uma máxima em 27 de janeiro. Ma, desde então, as ações da Gaotu se desvalorizaram 98%, também golpeadas pelo colapso de um investidor, a Archegos Capital Management de Bill Hwang.

O family office de Hwang montou posições altamente alavancadas na Gaotu e em outras empresas usando swaps. Quando algumas dessas ações caíram, os bancos exigiram garantias que Hwang não tinha como fornecer. Com isso, venderam grandes blocos de ações da Gaotu e outros papéis. A ação da Gaotu chegou a cair 56% em um dia.

Em setembro, a empresa informou que estava sendo investigada pela Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos, e investidores que apostam na baixa de certas ações, como a Muddy Waters, de Carson Block, questionaram os negócios da companhia.

O maior controle da China sobre o setor de aulas particulares e educação online, que movimenta de US$ 100 bilhões, atingiu investidores como Tiger Global Management e Temasek, já que as plataformas perderam a capacidade de abrir o capital, dificultando a saída dos investidores e banindo o capital estrangeiro do segmento.

A reforma também pesará sobre os maiores players do setor nos próximos anos, disse em relatório no domingo Catherine Lim, analista sênior da Bloomberg Intelligence, referindo-se à New Oriental e à TAL. As perdas operacionais “só devem piorar”, disse.

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