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Estouro da bolha? Maior banqueiro dos EUA diz que boom dura até 2023

PUBLICADO EM: 7.4.21 | 20H10
ATUALIZAÇÃO: 7.4.21 | 20H21
Jamie Dimon, CEO do J.P. Morgan, aponta um conjunto de fatores que, em sua visão, vão levar a maior economia do mundo a um crescimento prolongado

Resumo do investidor

Por que é importante prestar atenção: 1. Jamie Dimon comanda o maior banco americano desde 2005. Tem, portanto, ampla experiência em crises 2. Ele diz que excesso de poupança e estímulos recordes são alguns dos fatores que vão sustentar a economia

Jamie Dimon, CEO do J.P. Morgan desde 2005, é uma espécie de porta-voz dos grandes bancos de Wall Street

Marcelo Sakate

Repórteres da Exame



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O diretor-presidente (CEO) do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, disse estar otimista de que a pandemia terminará com uma recuperação econômica nos Estados Unidos que pode durar pelo menos dois anos.

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“Tenho poucas dúvidas de que, com excesso de poupança, novos estímulos, enormes gastos fiscais, mais flexibilização quantitativa, um possível novo projeto de lei de infraestrutura, uma vacina bem-sucedida e euforia em torno do fim da pandemia, a economia dos Estados Unidos provavelmente crescerá”, escreveu o CEO na carta anual aos acionistas.

“Este boom pode facilmente durar até 2023”, disse o CEO do maior banco americano.

Programas de resgate federais sem precedentes reduziram o desemprego e evitaram mais deterioração econômica, escreveu Dimon. Segundo ele, os bancos entraram na crise fortes e capazes de ajudar as comunidades a enfrentar a tempestade.

Embora os bancos também tenham se beneficiado dos estímulos, criaram colchões contra futuras perdas com empréstimos e tiveram bom desempenho nos testes de estresse, afirmou.

Dimon também destacou o comportamento dos consumidores nos Estados Unidos, que usaram cheques de estímulo para reduzir as dívidas, que caíram para o nível mais baixo em 40 anos, e guardaram o dinheiro. Isso proporcionará também para empresas uma quantidade “extraordinária” de poder de compra quando as restrições da pandemia forem suspensas.


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A última rodada de medidas de flexibilização quantitativa terá gerado mais de 3 trilhões de dólares em depósitos em bancos americanos, uma parte dos quais pode ser emprestada, disse.

Herói da resistência em Wall Street

Tudo isso poderia contribuir para um momento “Cachinhos Dourados”, segundo Dimon, em que o crescimento é rápido e sustentado enquanto a inflação sobe suavemente. As ameaças contra esse cenário incluem variantes do novo coronavírus e um salto rápido ou sustentado da inflação que poderia antecipar o aumento dos juros pelo Fed.

Aos 65 anos, Dimon é o executivo mais proeminente e uma espécie de porta-voz do setor bancário global à frente de um titã de Wall Street e dos empréstimos ao consumidor. Dimon lidera o J.P. Morgan desde o fim de 2005 e é o único CEO ainda no comando depois de conduzir um grande banco durante a crise financeira de 2008.

A carta de 65 páginas (mais uma página de notas de rodapé) é a mais longa de Dimon depois da curta missiva do ano passado, divulgada menos de uma semana depois de voltar ao trabalho após uma cirurgia cardíaca de emergência. Como sempre, é abrangente, cobrindo tópicos como regulamentação financeira, China, desigualdade e racismo institucional.

 

Quem mais deve assumir a culpa?

Apesar de todo o brilho em sua perspectiva econômica, Dimon encontrou motivos para lamentar. Ele disse que a pandemia destacou profundas desigualdades e seus efeitos devastadores. Em questões como saúde e imigração, as pessoas perderam a fé na capacidade de o governo de resolver problemas, disse o executivo.

“Os americanos sabem que algo deu terrivelmente errado e culpam a liderança deste país: a elite, os poderosos, os tomadores de decisão no governo, nas empresas e na sociedade civil”, escreveu. “Isso é totalmente apropriado, pois quem mais deveria assumir a culpa?”


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Marcelo Sakate

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