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Fada milionária: quanto Rayssa Leal ganhará se aplicar grana da Olimpíada

PUBLICADO EM: 11.8.21 | 11H20
ATUALIZAÇÃO: 11.8.21 | 12H20
Se aplicar o prêmio de 150 mil reais, recebido junto à medalha de prata na competição de skate street da Olimpíada de Tóquio, Rayssa pode acumular mais de 11 milhões de reais em 40 anos
Rayssa Leal

Rayssa Leal, 13 anos, levou a medalha de prata na competição de skate street na Olimpíada de Tóquio e embolsou um prêmio de 150 mil reais

Foto de Bianca Alvarenga da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Bianca Alvarenga

Repórter especializada em finanças pessoais e investimentos, passou pelas redações de Veja, Folha de S. Paulo e 6 Minutos.



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A mais jovem atleta da delegação brasileira voltou da Olimpíada de Tóquio com uma medalha de prata na mala e 150 mil reais no bolso. O prêmio é, sem dúvidas, um grande feito para Rayssa Leal, competidora de 13 anos de idade da modalidade skate street. A jovem, apelidada de "Fadinha", encheu o país de orgulho e inspirou jovens e adultos pela busca de um sonho.

O desejo do país é que os frutos dessa conquista se perpetuem e tragam novas medalhas nas próximas competições olímpicas. No que depender do treino e esforço árduo de Rayssa, o Brasil estará bem representado. Mas o prêmio em dinheiro também pode e deve render frutos para a jovem Fadinha.

A pedido da EXAME Invest, a fintech de previdência Onze calculou quanto o prêmio de 150 mil reais da jovem atleta pode render nos próximos 40 anos, caso aplicado em um fundo previdenciário. O resultado revela o potencial e a importância de um bom planejamento financeiro, principalmente se feito desde cedo.

Veja abaixo:

Rayssa Leal pode ter aposentadoria milionária

A simulação feita pela Onze leva em conta as projeções para os juros e inflação no longo prazo. Obviamente, prever um horizonte distante beira o impossível, ainda mais diante do histórico brasileiro de alta volatilidade, mas a ideia do exercício é mostrar o potencial multiplicador de um bom investimento.

No resultado final, se investisse os 150 mil reais e não aportasse mais nada, Rayssa poderia multiplicar seu prêmio em até 73 vezes ao final de 40 anos. Ela chegaria aos 53 anos com um patrimônio acumulado de até 11 milhões de reais, investindo em um fundo de ações, de 2,8 milhões de reais se investisse em um fundo multimercado, ou 964 mil reais se investisse em um fundo de renda fixa.

O cálculo leva em conta um retorno médio anual de 4,8%, para a previdência de renda fixa, de 7,6%, para a previdência multimercado, e 11,4% para a previdência de ações. O rendimento apontado é real -- ou seja, a inflação prevista para o período foi descontada.

"Quando estamos falando em um prazo tão grande, de 30 ou 40 anos, pequenas diferenças de rentabilidade se transformam em valores relevantes de patrimônio. A conclusão óbvia é de que é importante que as pessoas avaliem bem onde vão investir", diz Samuel Torres, analista de investimentos da Onze.

Renda fixa ou renda variável: o que é melhor ao planejar a aposentadoria?

Planos de longuíssimo prazo, como o da aposentadoria da Fadinha, permitem uma pitada extra de risco. Torres, da Onza, explica que quanto maior o prazo da aplicação, maior a proporção de ativos de renda variável, pois o tempo mitiga as chances de o investidor ter perdas, caso precise resgatar as aplicações em um momento de baixa do mercado.

Sendo assim, a ideia de investir 100% dos recursos em renda fixa não é boa nem para quem é conservador, porque tende a limitar a multiplicação do patrimônio, como a própria análise demonstra. Uma boa estratégia para esse investidor pode ser a de manter os recursos em ativos de maior risco e, quando a aposentadoria estiver próxima, se desfazer aos poucos das aplicações em janelas boas de saída.

O analista da Onze lembra, no entanto, que essa lógica só é válida se o investidor já contar com uma carteira diversificada e uma reserva de emergência. Se os 150 mil reais fossem o primeiro dinheiro conquistado na vida, o ideal seria separar uma pequena parcela para a aposentadoria e dividir o restante em outras aplicações com objetivos de curto e médio prazo.

Previdência privada ou outros fundos de investimento?

Uma dúvida comum dos investidores é a de optar por fundos tradicionais de investimento ou por fundos de previdência. Em prazos longos, como o do exercício, a previdência privada leva vantagem por dois pontos principais.

O primeiro deles é a ausência do chamado come-cotas. Essa cobrança nada mais é do que uma "mordida" semestral sobre o rendimento do fundo, que antecipa o pagamento de Imposto de Renda. Os fundos de previdência são isentos de come-cotas, enquanto os fundos de renda fixa e multimercado sofrem a cobrança.

Pode parecer indiferente antecipar a cobrança de IR, mas no longo prazo a ausência de come-cotas tem sua importância.

"Em todo mês de maio e novembro, quando há o come-cotas, o patrimônio do investidor diminui. Todos os retornos obtidos subsequentemente vão incindir sobre uma base menor. Em um prazo tão longo, a diferença de não ter come-cotas é bastante significativa", explica Torres, da Onze.

A segunda vantagem apontada pelo especialista é o modelo tributário. Na previdência privada, o investidor pode pagar um Imposto de Renda consideravelmente menor do que em outros fundos. Isso acontece de duas formas.

A primeira é pelo tipo de plano contratado. Ao optar por uma previdência privada, o investidor deve escolher, além do fundo, o tipo de ativo: o Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL) e o Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL).

No PGBL, o investidor poderá abater parte do valor aplicado na declaração anual de Imposto de Renda, com um limite de até 12%. Por exemplo: se ele teve uma renda tributável de 100 mil reais ao longo do ano, e contribuiu com 12 mil reais para a previdência, o Imposto de Renda vai incidir somente sobre 88 mil reais (100 mil menos 12 mil) e vai gerar uma restituição tributária maior.

O ideal é que essa restituição seja reinvestida no plano de previdência para que, assim, haja um círculo virtuoso de geração de patrimônio. Vale lembrar, no entanto, que no PGBL o investidor paga o Imposto de Renda sobre o patrimônio total do fundo, no momento do resgate.

Outra vantagem, também de ordem tributária, é dada pela tabela regressiva. Nessa modalidade, o Imposto de Renda para aportes feitos mais de 10 anos antes do resgate é de 10%. Em fundos tradicionais, essa alíquota é de 15%. Em um patrimônio na casa dos milhões, os cinco pontos percentuais podem representar milhares de reais.

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Foto de Bianca Alvarenga da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Bianca Alvarenga

Repórter especializada em finanças pessoais e investimentos, passou pelas redações de Veja, Folha de S. Paulo e 6 Minutos.


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