Exame Invest
Mercados

Fed derruba Ibovespa e real com anúncio de aumento de juros para 2023

PUBLICADO EM: 16.6.21 | 17H18
ATUALIZAÇÃO: 16.6.21 | 17H23
Índice acompanha mercado americano, que opera em forte queda; Vale recua 3% com queda do minério de ferro

Resumo do investidor

- Ibovespa opera em queda de 0,64%, aos 129.259 pontos - Dólar comercial avança 0,34% e encerra sessão negociado a 5,060 reais - EUA: Dow Jones cai 0,77%, S&P 500 opera em baixa de 0,54% e Nasdaq recua 0,24%

Sede do Fed em Washington | Foto: Brendan McDermid/Reuters (REUTERS)

Foto de Beatriz Quesada da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Foto de Guilherme Guilherme da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Beatriz Quesada | Guilherme Guilherme

Repórteres da Exame



Compartilhe nas redes sociais
GUIA
Em alta

INVISTA 4MIN

O Ibovespa recuou nesta quarta-feira, 16, com investidores repercutindo a decisão de política monetária nos Estados Unidos, que derrubou a bolsa americana. O principal índice da B3 fechou em queda de 0,64%, aos 129.259 pontos, acompanhando o tom negativo das principais bolsas internacionais.

Conheça o maior banco de investimentos da América Latina. Abra sua conta no BTG Pactual digital

No mercado americano, o Federal Reserve (Fed, banco central americano) manteve a taxa de juros entre 0% e 0,25% e compras de ativos em 120 bilhões de dólares mensais, mas elevou a expectativa de inflação de 2,2% para 3% este ano. O texto traz uma mudança substancial em relação ao discurso anterior da instituição, que condicionou a política monetária ao combate à pandemia ao longo dos últimos 14 meses.

Além disso, as novas projeções apontam para uma maioria das 11 autoridades do banco central programam um aumento de pelo menos dois quartos de ponto percentual nas taxas de juros para 2023, mesmo com as autoridades, em comunicado, prometendo manter a política de apoio por enquanto para encorajar uma recuperação contínua dos empregos.

“O conhecido gráfico de pontos das expectativas dos membros individuais do Comitê mostra agora duas altas em 2023. A possibilidade de aumento nos juros americanos mais cedo do que se estimava já é o suficiente para impactar, em certa medida, os ativos de risco, como os mercados globais de ações e o fluxo de capital de economias emergentes”, afirma Paloma Brum, analista da Toro Investimentos.

Com a mudança, os três principais índices americanos fecharam em queda. O Dow Jones recuou 0,77%, o S&P 500 caiu 0,54%, e o índice de tecnologia Nasdaq registrou baixa de 0,24%. Já o rendimento do título de 10 anos do tesouro americano (treasury) -- utilizado como termômetro do avanço da inflação -- subiu seis pontos-base, para 1.562%.

“A decisão do Fed não surpreende, mas não deixa de ser uma quebra de expectativa do mercado. Tanto que a bolsa passou por um momento de realização após o anúncio, enquanto o rendimento das treasuries subiu”, acrescenta Paulo Duarte, economista da Valor Investimentos.

Por aqui, as expectativas são de mais uma elevação da taxa de juros Selic -- a divulgação da política monetária nacional será divulgada após o fechamento de mercado. A maior parte dos investidores acredita em uma alta de 0,75 ponto percentual (p.p.), como sinalizado na última ata do Comitê de Política Monetária (Copom). Mas, crescem as pressões para um aumento de 1 p.p., ainda que esta seja uma perspectiva minoritária do mercado.

Por outro lado, vem se consolidando a expectativa de que o Banco Central retire do comunicado o compromisso com um ajuste apenas "parcial" da taxa de juros, para amenizar as estimativas de inflação para 2022. Segundo economistas, com a retirada do termo, o caminho ficaria livre para uma alta de juros mais pujante na velocidade ou magnitude.

Com perspectivas de um aperto monetário mais duro, o dólar recuou frente ao real em boa parte do dia. Na mínima, a moeda americana voltou a ser negociada abaixo dos 5 reais pela primeira vez em mais de um ano, e chegou a 4,994 reais. Porém, após o comunicado do Fed, a moeda virou para alta e fechou a sessão negociada a 5,060 reais, com valorização de 0,34%.

Destaques da bolsa

Na bolsa, as ações da Vale (VALE3) também ajudaram a impedir a alta do Ibovespa. Com a maior participação no índice, as ações da mineradora caíram 3%, em linha com a desvalorização do minério de ferro na China. 

Siderúrgicas, também influenciadas pelo preço do metal, acompanham a queda da Vale, com destaque para os papéis da Gerdau (GGBR4) e da CSN (CSNA3), que caíram 5,1% e 4,72%, respectivamente, liderando as quedas do índice.

Já a Embraer (EMBR3) recuou 4,4% em um movimento de realização de lucros, após forte valorização dos papéis na última semana com a notícia de em meio a negociações de fusão com a Zanite.

Na ponta positiva, as units do Banco Inter (BIDI11) disparam 5,49%, tendo no radar a oferta subsequente de ações (follow-on, em inglês) que pode levantar até 5,5 bilhões de reais e terá a participação da Stone. 

Outros a registrarem alta foram os papéis do setor financeiro e de seguradoras, que se beneficiam de uma possível alta nos juros. SulAmérica (SULA11) avançou 3,23%, e Itaú (ITUB4) subiu 1,99%.

Maiores altas

Maiores quedas

Banco InterBIDI11

5,49%

GerdauGGBR4

-5,10%

SulAméricaSULA11

3,23%

CSNCSNA3

-4,72%

ItaúITUB4

1,99%

EmbraerEMBR3

-4,40%

Com Reuters

Foto de Beatriz Quesada da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Foto de Guilherme Guilherme da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Beatriz Quesada | Guilherme Guilherme

Repórteres da Exame


Compartilhe nas redes sociais
Mosaico do rodapé com as cores da Exame