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Fed: Investidores de emergentes buscam sinais de preservação de estímulos

PUBLICADO EM: 16.3.21 | 13H58
ATUALIZAÇÃO: 16.3.21 | 13H59
Títulos em moeda local de mercados emergentes foram atingidos pela volatilidade, tendo recuado quase 3% no ano até 12 de março
JEROME POWELL: além do presidente do Fed, outros seis membros do banco central norte-americano votaram pelo corte de 0,25 ponto percentual na taxa de juros / REUTERS/

Jerome Powell | O mercado de swaps mostra aproximadamente 70% de probabilidade de um aumento dos juros pelo Fed até dezembro de 2022 (REUTERS)

Foto de Beatriz Quesada da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Beatriz Quesada

Repórter de mercados, passou pelas redações da revista Capital Aberto e rádio BandNews FM | beatriz.quesada@exame.com



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(Bloomberg) Depois do pior começo de ano em mais de uma década, investidores de títulos de mercados emergentes buscam sinais do presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Jerome Powell, que aliviem os temores de retirada dos estímulos. Powell discursa amanhã às 15h30 após o Fed decidir o futuro da taxa de juros no país.

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Os mercados precificam uma perspectiva mais positiva para o crescimento global, o que aumenta os custos de financiamento da Indonésia ao México. Para operadores de países em desenvolvimento, isso traz à memória a turbulência em 2013, quando moedas e títulos caíram por cerca de seis semanas em meio à alta do dólar e dos juros nos EUA em resposta à indicação do Fed de que reduziria as compras de dívida. Por isso, investidores acompanham de perto a reunião do Fed desta semana.

Como resultado, a HSBC Global Asset Management e o Legal & General Group preferem dívida denominada em dólares de mercados emergentes. O HSBC busca refúgio em títulos soberanos de maior qualidade, como da Indonésia e do Peru. O Legal & General tem posições neutras a underweight em duração - que mede a sensibilidade de um título às taxas de juros - desde o início do ano para evitar as oscilações dos rendimentos, de acordo com o gestor Uday Patnaik, em Londres.

“Desta vez, será especialmente importante que investidores adotem uma abordagem ativa na seleção de ações, títulos e moedas de mercados emergentes”, disse Morgan Harting, gestor da AllianceBernstein, em Nova York. “É improvável que o manual dos últimos cinco anos se mantenha no futuro.”

Títulos em moeda local de mercados emergentes foram atingidos pela volatilidade, tendo recuado quase 3% no ano até 12 de março, o pior começo desde pelo menos 2009, de acordo com os índices Bloomberg Barclays. Há um ano, os mercados emergentes enfrentavam a onda vendedora causada pela pandemia que acabaria por enviar o índice de títulos ao nível mais baixo em 15 meses. Já os rendimentos dos títulos dos EUA já subiram 50 pontos-base desde o início de fevereiro.

Ações

O fundo multimercados de emergentes da AllianceBernstein, que superou 97% dos pares no ano passado, aumentou o peso em ações, que continuam a manter parte dos ganhos deste ano apesar da volatilidade do mercado de títulos. O fundo aposta em ações de bancos, de montadoras e de empresas de petróleo e gás, que se beneficiarão com o crescimento global, disse Harting.

O mercado de swaps mostra aproximadamente 70% de probabilidade de um aumento dos juros pelo Fed até dezembro de 2022, apesar das previsões de dezembro do banco central dos EUA sugerirem que as taxas permanecerão inalteradas até o fim de 2023.

“As pessoas querem que o Fed mande um sinal mais forte de que não permitirá que o aumento dos rendimentos saia do controle, de que atuará para impor ordem”, disse Eugenia Victorino, responsável de estratégia para a Ásia no SEB, em Cingapura. “Caso contrário, os mercados simplesmente continuarão com a venda de títulos e os emergentes enfrentarão mais problemas.”

*Com a colaboração de Stephen Spratt

Foto de Beatriz Quesada da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Beatriz Quesada

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