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Gestora diz que queda de 66% é "irracional" e reforça posição em Pão de Açúcar

PUBLICADO EM: 1.3.21 | 16H14
ATUALIZAÇÃO: 2.3.21 | 7H55
Para Werner Roger, chefe de investimentos da Trígono, com a derrocada de hoje, as ações do Pão de Açúcar têm potencial para quase triplicar de valor

Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Tem experiência de dez anos na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub.



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A queda de 66% das ações do Pão de Açúcar (PCAR3) nesta segunda-feira, 1, é “absolutamente irracional”, avalia Werner Roger, chefe de investimentos e sócio da Trígono Capital. A gestora, que vinha aumentando a participação nos papéis nos últimos dias aproveitou, inclusive, o movimento desta segunda-feira para reforçar sua posição, disse.

“O Pão de Açúcar tem uma participação de um terço na Cnova, que é o segundo maior e-commerce da França, atrás apenas de Amazon. Essa participação vale atualmente no mercado 5,5 bilhões de reais, que é acima do preço que Pão de Açúcar chegou a ser negociado em Bolsa hoje. Ou seja, praticamente você comprava PCAR3 pelo preço de Cnova e levava as operações de Pão de Açúcar e Éxito de graça”, comentou Werner em entrevista à EXAME Invest.  

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As ações do Pão de Açúcar fecharam com desvalorização de 65,84%, sendo cotadas em 23,33 reais. Na mínima do dia, chegaram a cair 74,5%, em 17,41 reais, levando o valor de mercado do grupo para a casa dos 4,67 bilhões de reais. 


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A queda ocorre após processo de cisão da rede de atacarejo Assaí das operações do grupo Pão de Açúcar.

Na Bolsa, os papéis do Assaí (ASAI3), que estrearam hoje na B3, tiveram um desempenho oposto e registravam nesta tarde valorização 384%, cotados em 71,08 reais, frente ao preço fixado no leilão de abertura, em 14,69 reais.

O GPA continua operando no segmento multivarejo com suas marcas Pão de Açúcar, Minuto Pão de Açúcar, Extra Hipermercado e também no exterior com o grupo Éxito.

A questão é que, os preços atuais, Assaí vale 85% do que valia o Pão de Açúcar combinado na sexta-feira (os papéis PCAR3 fecharam aquele pregão cotados em 83,00 reais), sendo que ainda ficou para o grupo suas operações no multivarejo, o Éxito e sua participação na Cnova, comentou Werner.

“Vemos um mercado absolutamente irracional sobre a precificação de PCAR3. Aos preços de hoje, o Pão de Açúcar vale 1,5 vez o Ebitda que projetamos para o ano ou 3 vezes o lucro que esperamos para 2021, na casa de 1,5 bilhão de reais”, comentou. 

“Se der um lucro de 1,5 bilhão e negociar a 10 vezes o lucro, as ações do Pão de Açúcar teriam potencial para quase triplicar de tamanho. Não seria surpresa se víssemos os papéis indo para a casa dos 50 reais a 60 reais. Acredito que podemos ter um forte ajuste, mas isso deve ficar mais evidente para o mercado no balanço do 1° trimestre, quando forem analisados os números separados”. 

Ele comentou ainda que, com o processo de cisão, o Pão de Açúcar transferiu sua dívida de cerca de 6 bilhões de reais para o Assaí, que se estivesse sido contratada a um juros de 5%, gerariam ao ano pelo menos 400 milhões de reais de despesas financeiras.

"O mercado arbitra muito mal, mas, para a gente, é ótimo quando surgem essas ineficiências. Aproveitamos para reforçar posição em Pão de Açúcar", disse.

Na última sexta-feira, após o fechamento do pregão, os acionistas do GPA receberam ações ordinárias do Assaí, na mesma proporção de sua participação no GPA. Considerando essa proporção de uma ação do GPA para uma ação do Assaí, o capital social do Assaí passa a ser composto por aproximadamente 268 milhões de ações.

Ao preço de fechamento de segunda, Assaí estreou na Bolsa cotado no mercado em 19,16 bilhões de reais, enquanto Pão de Açúcar passou a ser avaliado em 6,25 bilhões de reais.

Somados, o valor de mercado das duas empresas atingiu de 25,42 bilhões de reais, ou 14,1% acima do valor de mercado de Pão de Açúcar no fechamento do pregão de sexta-feira (em 22,27 bilhões de reais).


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Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Tem experiência de dez anos na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub.


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