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"Há vagas sobrando para especialistas em investimentos", diz Fabio Louzada

PUBLICADO EM: 3.3.21 | 9H00
ATUALIZAÇÃO: 3.3.21 | 7H10
O economista, criador da startup Eu Me Banco, diz que faltam profissionais com certificados para atuar como consultores financeiros

(Alexandre Machado)


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Com 10.000 alunos preparados por sua escola Eu Me Banco em apenas dois anos, o economista Fabio Louzada está disposto a mudar o perfil dos especialistas em investimento. Seu objetivo é fazer com que mais gerentes de bancos, universitários e economistas se disponham a atualizar seus conhecimentos em busca de certificados que os tornem aptos a atuar como consultores financeiros, seja em corretoras, bancos de investimentos, seja em assessorias focadas em clientes de alta renda. Confira, a seguir, uma entrevista com o economista:

E.solutions – Qual é a sua história por trás da criação da Eu Me Banco?
Fabio Louzada – No início de 2019, após 11 anos de carreira em grandes bancos, iniciada como escriturário, resolvi empreender. Uma coincidência de fatores ocorridos num espaço curto de tempo me levou para esse caminho. Eu sou o profissional no Brasil que mais tem aprovação em certificações em investimento. Fiz todas as provas: CPA-10, CPA-20, CEA, CFP®, CGA, CNPI, PQO e AAI. Estudava muito porque gostava de estar sempre antenado. Acabei sendo convidado para ser professor e conciliava as aulas para certificações com meu trabalho no Citibank. Gostei de ensinar e de me comunicar e criei um boletim chamado “Acorda Mercado”, veiculado todos os dias da semana às 8 horas da manhã. Em três meses, já havia 10.000 pessoas querendo receber as notícias. Aí eu passei a gravar e distribui-las pelo YouTube, onde criei meu primeiro curso de investimentos, em setembro de 2018, e que até hoje teve mais de 40.000 visualizações. Ao mesmo tempo, minha carreira estava num momento-chave, com a compra do Citi pelo Itaú. Eu cheguei a migrar e a levar minha carteira de clientes, mas o chamado para empreender e impactar a vida de outras pessoas foi mais forte.

ES – O que o fez acreditar que não estaria agindo por impulso?
FL – Eu via que os bancos de varejo tinham dificuldade para contratar e formar esse tipo de profissional, capacitado e certificado para fazer uma boa análise de investimento. Enquanto isso, as corretoras avançavam, e o cenário econômico favorecia os investimentos em fundos e ações. Com a taxa de juro caindo, toda aplicação gerava bons ganhos. Mas os gerentes enfrentavam o descrédito. Você sabe, qualquer cliente já entra receoso no banco, achando que vão empurrar algum produto. Por isso resolvi olhar para quem ninguém olha. Nem para o investidor de grandes fortunas, nem para a pessoa física que precisa entender o mínimo sobre finanças. O propósito da Eu Me Banco é formar a pessoa em quem o investidor confie. É importante que ela tenha credibilidade e autoridade no que diz.

ES – Quais as perspectivas para esses novos especialistas agora que as taxas de juro voltaram a subir e a economia está abalada pela pandemia?
FL – Ainda existe um gap entre a demanda do mercado e a oferta de profissionais certificados. Há no Brasil cerca de 12.000 pessoas com a CEA, certificação de especialistas em investimentos: pouco mais de 1% da totalidade dos profissionais que trabalham no mercado financeiro. Uma diferença brutal considerando que nosso país tem 209 milhões de habitantes e 42 milhões possuem saldo aplicado em produtos de investimento. Fora isso, é verdade que a pandemia fechou agências físicas, mas o Itaú abriu 1.700 vagas para consultores em investimentos, o Bradesco quer ter pelo menos um especialista em cada agência, e o Santander mudou a área de investimentos para o centro de São Paulo e cresceu.

ES – Conseguiu impactar a vida das pessoas como gostaria?
FL – Olha, 10.000 alunos passaram pela escola em dois anos. A equipe hoje tem 42 professores, fazemos 10 lives por dia e um podcast sobre o mercado financeiros [Eu Me Cast]. Nós postamos muito conteúdo gratuito, cursos inteiros, em nossos canais de comunicação. Eu acredito muito no poder da reciprocidade. Tem gente que passou na prova e depois comprou o curso, só para retribuir. Entre as histórias que mais me marcaram tem a da Thamires Rica, que estava muito desacreditada, trabalhando como cabeleireira. Ela reprovou por uma questão na certificação, o mesmo que tinha acontecido comigo certa vez. Thamires conheceu meu trabalho ao assistir a um relato em que eu contei como essa derrota me fez virar o jogo, criando uma rotina que é a base do método de estudos da Eu Me Banco. Motivada, ela voltou a estudar, obteve o certificado e conseguiu entrar no BTG Pactual, que tem um processo seletivo bastante exigente. Thamires fez parte de um movimento de 11 alunos do PAAP [Programa Advisor de Alta Performance] que ingressaram lá.
E sabe o que é mais legal e curioso? Trabalhar no BTG era o meu sonho!

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