Hering dispara 9% após balanço, mas analistas ainda seguem céticos com a ação | Exame Invest
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Hering dispara 9% após balanço, mas analistas ainda seguem céticos com a ação

PUBLICADO EM: 4.3.21 | 12H45
ATUALIZAÇÃO: 4.3.21 | 19H10
Companhia reportou lucro de 55,6 milhões no quarto trimestre do ano passado, queda de 12% na comparação anual

Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Tem experiência de dez anos na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub.



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As ações da Cia Hering (HGTX3) dispararam 8,62% e apareceram como a segunda maior alta do Ibovespa nesta quinta-feira, 4, após a companhia reportar queda no lucro no trimestre, mas mostrando melhora operacional gradual, com destaque positivo novamente para o crescimento as vendas online.

A varejista, que divulgou seus números ontem à noite, registrou um lucro líquido de 55,6 milhões de reais no último trimestre de 2020, representando uma queda de 12% na comparação com o mesmo período de 2019. No ano, contudo, o lucro somou 343 milhões de reais, uma alta de 59,7% em relação ao ano anterior.

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O resultado no trimestre foi afetado por um menor tráfego nas lojas (queda de 36% na comparação anual), mas com crescimento de 1% nas vendas nas mesmas lojas (comparado com uma queda de 4% no quarto trimestre de 2019).

Os analistas do BTG Pactual apontaram que o destaque positivo no balanço foi mais uma vez o canal webstore, que mostrou expansão de 231% nas vendas na comparação anual, para 71 milhões de reais, e passando a representar 14% das vendas totais (essa fatia era de 4,4% no quarto trimestre de 2019).

Segundo eles, o lucro da companhia ficou 23% acima das suas expectativas devido a resultados financeiros e carga tributária melhor do que o esperado. Já a receita bruta consolidada do trimestre de 503 milhões de reais, que se manteve praticamente estável no comparativo trimestral, ficou em linha com as projeções do banco.

Apesar da alta hoje, analistas seguem céticos com a ação

Ainda assim, os analistas do BTG comentaram que, embora o resultado tenha confirmado uma gradual melhora operacional da companhia, ela ainda é afetada duramente pela pandemia. E mesmo com o valuation descontado (em meio a uma queda de 14% dos papéis no acumulado do ano, sendo negociada com um múltiplo preço sobre lucro de 15 vezes estimado para 2021), as ações, na visão dos analistas, oferecem poucos gatilhos no curto prazo.

Com isso, eles optaram por manter a recomendação dos papéis em neutra. "Continuamos a ver apenas uma recuperação gradual para Hering nos próximos trimestres (assim como para outras varejistas sob nossa cobertura), ainda atingida por um menor tráfego de pedestres, aumento do desemprego e a redução da intenção de compra das famílias", comentaram.

No mesmo sentido, os analistas do Credit Suisse ressaltaram, em relatório, que "mais importante do que qualquer fundamentos ascendente, acreditamos que a situação contínua da pandemia Covid-19 muito provavelmente continuará pesando sobre o desempenho das ações de vestuário e ainda nos fixamos em nomes mais defensivos no varejo por enquanto". Entre esses nomes, eles apontaram, por exemplo, Carrefour (CRFB3) e Pague Menos (PGMN3).

Do ponto de vista específico da empresa, eles comentaram que veem a Hering com uma mudança de mentalidade encorajadora em direção a algo mais flexível e voltado para o digital. Eles citam, por exemplo, o plano de expansão de lojas/conversão, totalizando 135 lojas, a aceleração de capex (investimentos em bens de capital) para 131 milhões de reais, canalizado principalmente para estratégia digital e inovação.

"Isso é um passo estratégico importante para criar bases sustentáveis ​​para o crescimento de médio e longo prazo, em nossa visão", comentaram.

No entanto, os analistas voltaram a frisar que, para eles, isso não significa que reacender o crescimento de forma sustentável seja uma tarefa simples.

"Nos últimos nove anos, a empresa não apresentou crescimento de receita e tem lutado para reverter as operações. Dessa forma, preferimos aguardar um cenário menos incerto e uma melhoria consistente dos resultados", destacaram os analista do Credit Suisse.

Eles também mantiveram a recomendação dos papéis HGTX3 em neutra.


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Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Tem experiência de dez anos na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub.


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