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Apesar de permanência de Guedes, Ibovespa fecha no pior nível do ano

PUBLICADO EM: 22.10.21 | 10H27
ATUALIZAÇÃO: 22.10.21 | 17H37
Mercado brasileiro tem segundo dia seguido de baixa com mudanças em teto de gastos e saídas no Ministério da Economia

Resumo do investidor

- Ibovespa cai 1,34%, e fecha pregão aos 106.296 pontos; - Dólar comercial cai 0,71% e encerra sessão negociado a 5,627 reais; - EUA: S&P 500 cai 0,11%, Dow Jones sobe 0,21% e Nasdaq recua 0,82%.

Ministro da Economia, Paulo Guedes

Ministro da Economia, Paulo Guedes | Foto: Adriano Machado/ Exame (REUTERS)

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Guilherme Guilherme | Beatriz Quesada

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Após desabar mais de 4% com riscos fiscais, o Ibovespa amenizou o movimento de queda nesta sexta-feira, 22, com o mercado experimentando alívio após o Ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmar que irá permanecer no cargo.

O principal índice da B3 fechou o dia em queda de 1,34%, aos 106.296 pontos – no pior patamar do ano. Na mínima do dia, o Ibovespa chegou a cair 4,53%, aos 102.854 pontos. Na semana, o índice acumulou queda de 7,28%, no pior resultado semanal desde o início da pandemia.

Mais cedo, os temores sobre a saída do principal nome econômico do governo levaram o mercado a reduzir as posições em bolsa brasileira e aumentar a proteção em dólar, levando a moeda americana a superar os 5,70 reais. Com a notícia da permanência do ministro, a moeda americana perdeu força e fechou o dia em queda de 0,71%, a 5,627 reais.

A permanência de Guedes começou a ser questionada após a saída de quatro secretários do Ministério da Economia. A insistência do governo por medidas que ameaçam a sustentabilidade fiscal do país levou o secretário Especial do Tesouro e Orçamento, e Jeferson Bittencourt, secretário do Tesouro Nacional, e seus respectivos secretários adjuntos a pedirem demissão.

Pouco após a debandada na equipe do ministro Paulo Guedes, na última noite, a comissão especial da Câmara aprovou o texto da PEC dos Precatórios, em que também foi inserida mudanças nas regras do teto, que deve passar a ser reajustado com base no IPCA acumulado entre janeiro e dezembro, e não mais no período de 12 meses findos em junho.

Com o novo cálculo, que é retroativo, será aberto um espaço de 39 bilhões de reais no Orçamento de 2022, segundo a Folha de S. Paulo. Mais 44 bilhões de reais devem ser retirados, com o adiamento de pagamento de parte dos precatórios, abrindo espaço para o desejo político do presidente Jair Bolsonaro de distribuir, no mínimo, 400 reais por família beneficiária do novo Bolsa Família.

Com a saída de parte de sua equipe, começaram as especulações de que o próprio Guedes abandonaria o barco. No início da tarde, porém, Guedes participou de coletiva, ao lado de Bolsonaro, em que defendeu que “a alteração do teto de gastos é tecnicamente defensável” e afirmou que nunca pediu demissão. A declaração impulsionou a bolsa a sair das mínimas.

O ajuste após a fala de Guedes, no entanto, não significa que o investidor já pode contar com um cenário de aversão a risco, afirma Fernanda Consorte, economista-chefe do Banco Ourinvest. “O mercado enxergou as novas questões fiscais como uma pedalada e as consequências vão vir em breve. A volatilidade deve continuar”, diz Consorte.

A queda da bolsa contrastou com a alta no exterior, onde as bolsas da Europa fecharam em terreno positivo. Nos Estados Unidos, porém, o S&P 500 e o Nasdaq recuam com as falas do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, sobre retirada de estímulos.

“Estamos no caminho para iniciar uma redução gradual de nossas compras de ativos que, se a economia evoluir amplamente como o esperado, será concluída em meados do próximo ano”, disse Powell na sexta-feira, durante um painel de debate em evento virtual organizado pelo banco central da África do Sul. 

Destaques da bolsa

Com o dólar subindo forte nos primeiros negócios do dia, as principais altas do dia foram lideradas por empresas exportadoras, que tendem a se beneficiar da valorização da moeda. 

Mesmo com a moeda virando para queda ao final da sessão, os principais destaques de ações do dia ficaram com exportadoras do setor de papel e celulose, com Klabin (KLBN11) subindo 7,56%, enquanto sua principal concorrente no país, a Suzano (SUZB3), avançou 7,32%.

Investidores também retomaram as apostas no setor de mineração e siderurgia, mesmo após o minério de ferro fechar em queda na China. Com o maior peso do Ibovespa, as ações da Vale (VALE3) avançaram 1,22%, reduzindo as perdas do índice.

Na ponta negativa, grande parte das ações do Ibovespa caíram, com as maiores perdas sendo de empresas ligadas à atividade econômica local, como varejistas, empresas de educação, turismo e shoppings.

As ações do Banco Inter (BIDI11) e da Locaweb (LWSA3) estiveram entre as maiores quedas da bolsa, caindo 6,65% e 8,89%, respectivamente, em meio à abertura das curvas de juros. O maior recuo, no entanto, ficou novamente com os papéis da Getnet (GETT11), que devolveram os fortes ganhos do início da semana e caíram 15,52%

O cenário conturbado também tem causado duras perdas aos acionistas Petrobras (PETR3/PETR4), que sofre pressões sobre sua política de preços. Embora tenha previsto novos aumentos no preço do combustível, em live, o presidente Bolsonaro defendeu auxílio de 400 reais também para os caminhoneiros. 

A proposta, no entanto, não agradou a categoria, que se organiza para novas greves. A preocupação é de que a Petrobras seja a próxima vítima em meio às tentativas do presidente reestabelecer sua popularidade. Com a segunda maior participação do Ibovespa, as ações da Petrobras recuaram 1,62% e 0,98%, respectivamente.

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Foto de Beatriz Quesada da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
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