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Ibovespa fecha em queda puxado por Vale após dados negativos da China

PUBLICADO EM: 15.9.21 | 17H32
ATUALIZAÇÃO: 15.9.21 | 17H45
Mineradora cai mais de 2%, após produção da indústria chinesa decepcionar economistas; queda destoa de altas do mercado americano
valuation - B3

Painel de cotações na B3 | Foto: Germano Lüders/EXAME

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O Ibovespa fechou em queda de 0,96%, em 115.062 pontos, nesta quarta-feira, 15, pressionado por dados que saíram abaixo das expectativas na China. Apesar do cenário negativo para a bolsa, o dólar seguiu seu movimento de baixa contra outras moedas emergentes e fechou com desvalorização de 0,42%, a 5,237 reais.

Divulgados na última noite, os indicadores chineses referentes ao mês de agosto decepcionaram em praticamente todas as frentes. O principal deles, o crescimento da produção industrial caiu de 6,4% para 5,3% no acumulado de 12 meses. A expectativa era de uma redução para 5,8%. Já a alta anual das vendas do varejo despencou de 8,5% para 2,5% - enquanto o consenso era de uma queda para 7%.

Os números mais fracos da economia chinesa aumentaram as preocupações sobre o nível da demanda por minério de ferro e a commodity recuou pela 5ª sessão consecutiva, na Ásia, despencando a para o nível mais baixo em nove meses. No porto de Qingdao, o minério de ferro recuou 4,1%, para 116,65 dólares a tonelada.

A desvalorização teve impactos diretos nas ações da Vale (VALE3). Com a maior participação do Ibovespa, a mineradora caiu 2,3%, pressionando o índice para baixo.

Ainda assim, investidores parecem continuar interessados na empresa. Prova disso é a disparada de 5,23% nos papéis da Bradespar (BRAP4) no pregão de hoje. Com grande participação na Vale, a holding do Bradesco anunciou de que pretende entregar 5,26 bilhões de reais em ações da mineradora a seus acionistas. A Bradespar convocou assembleia para reduzir seu capital de 5,76 bilhões para 500 milhões de reais - o que seria feito por meio da entrega das ações da Vale.

"Levando em conta que a China é um de nossos principais parceiros comerciais, os dados impactaram significativamente algumas empresas com grande representação no índice. Isso justificou a queda do Ibovespa, apesar de um dia mais tranquilo no exterior", afirma Flávio de Oliveira, diretor de Renda Variável da Zahl Investimentos.

Outro setor pressionado pelos números da China foi o de celulose, com as ações da Suzano (SUZB3) fechando em queda de 3,2% e as units da Klabin (KLBN11) recuando 2,4%.

Como pano de fundo das negociações ainda esteve o dado positivo do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado a prévia do Produto Interno Bruto (PIB) no Brasil. O indicador teve alta de 0,60% em julho na comparação com o mês anterior, surpreendendo o mercado que esperava um ganho de 0,4%.

“O IBC-Br trouxe um resultado acima das expectativas para o mês, nos fazendo manter nossa expectativa de que o pico de crescimento econômico em 2021 pode ser no terceiro trimestre deste ano”, comentam, em nota, os analistas do do BTG Pactual digital.

Os dados trouxeram certo alívio para as perspectivas negativas em relação à economia brasileira, mas não foram suficientes para frear a queda do Ibovespa. A piora macroeconômica, a propósito, é uma das razões apontadas pelo Itaú BBA para ter cortado o preço-alvo do Ibovespa de 152 mil para 120 mil em 2021.

No mercado internacional, as principais bolsas do mundo operaram de forma mista nesta quarta, com os índices americanos subindo e os da Europa e Ásia fechando em queda. Nos Estados Unidos, o S&P 500 avançou 0,83%, enquanto o europeu o Stoxx 600 caiu 0,68%, seguindo as quedas do mercado asiático.

Destaques da bolsa

Com o petróleo brent sendo negociado com 2,5% de alta no exterior, as ações do petrolífero foram destaque positivo do pregão, com a PetroRio (PRIO3) liderando as altas do Ibovespa. Um dos principais players privados do setor no país, a empresa viu suas ações dispararem 7,44%. Já os papéis da Petrobras (PETR3/PETR4), com a segunda maior participação do índice, subiu 1,09% e 1,74%, respectivamente.

Ainda entre as maiores altas, as ações da GOL (GOLL4) subiram 2,59%, após o anúncio de que a empresa receberá um aporte de 200 milhões de dólares (1,05 bilhão de reais) da American Airlines. O investimento faz parte do acordo de codeshare exclusivo anunciado nesta manhã.

Na ponta negativa, as ações das Cogna (COGN3) lideraram as perdas, caindo 4,42%. Na sequência SulAmérica (SULA11) e Americanas (AMER3) recuaram 4,05% e 4%, respectivamente. Ao longo do pregão, os papéis da Méliuz (CASH3) chegaram a cair quase 6%, passando por uma correção após quatro altas seguidas, período em que acumulou valorização superior a 48%. Quem comprou os papéis na mínima do dia, ganhou dinheiro, já que fecharam em alta de 0,39%, mesmo sendo excluídos da "Buy List" do Itaú BBA, após forte alta das ações desde que entraram na carteira.

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